quinta-feira, abril 02, 2009

Experiências alternativas

Gregório Durlo Grisa - mestrando em educação no PPGEDU - UFRGS.


Pensar nossas experiências educacionais, tanto como educadores quanto como educandos, tendo como referencial os princípios pedagógicos freireanos é um desafio significativo. Dizemos isso porque nossa realidade educativa institucional no estado do Rio Grande do Sul, a cada dia que passa, distancia-se de uma educação dialógica e popular, principalmente no que se refere à gestão do atual executivo estadual. Somente a utopia e a esperança são ingredientes sempre próximos, enquanto realidade possível, dos trabalhadores da educação comprometidos com a qualificação do ensino.

No entanto, quando vivenciamos momentos educativos em outros cenários, marcados por práticas progressistas e revolucionárias, nos entusiasmamos a desenvolver uma reflexão pautada pela pedagogia de Paulo Freire. Com isso não queremos dizer que a pedagogia freireana não serve para pensar a educação do nosso estado, pelo contrário, entendemos que o estudo de Freire deve ser uma prática constantemente revisitada.

Nos últimos meses fizemos duas visitas ao ITERRA - Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária, situado em Veranópolis-Rs, para trabalharmos na orientação dos projetos de trabalhos de conclusão de curso da turma de Licenciatura em Educação do Campo. Esse curso é promovido através de um convênio entre o ITERRA e a Universidade de Brasília.

Nessas visitas de trabalho vivenciamos momentos diversos com a turma e a equipe de educadores que lá estavam, esses momentos foram dentro de sala de aula, em reuniões, orientação em grupo e orientações individuais, além do convívio nos intervalos e no período das refeições. O Instituto é auto-gestionado, ou seja, são os educandos que se organizam e trabalham e estudam em tempos combinados entre os núcleos de base, compostos por educandos de todas as turmas que lá estão em atividade.

A qualidade organizativa desse espaço já marca uma diferença essencial com o ensino institucional que conhecemos, na educação dos movimentos sociais populares é levado seriamente em conta o princípio educativo do trabalho e todos os valores que o circundam. As práticas desenvolvidas no ITERRA se aproximam, bem mais que outras experiências, das características da teoria da ação dialógica que Paulo Freire destaca no segundo item do capítulo quatro da Pedagogia do Oprimido que são: a co-laboração, a união, a organização e a síntese cultural (Freire, 1970).

Por essa razão é que uma reflexão sobre tal espaço se torna algo mais palpável, isto é, onde percebemos que a realidade objetiva responde, de certa forma, aos propósitos estabelecidos anteriormente pela teoria e, consequentemente fica mais fecundo o exercício de análise. A pedagogia de Freire é uma das bases teóricas orientadoras fundamentais da educação dos movimentos sociais, ou da pedagogia do campo.

Através desse preâmbulo necessário, a fim de situar o leitor, e com a eleição de algumas categorias freireanas, vamos tecer alguns comentários entre o que vivemos naquele espaço educativo e a teoria.

Algumas categorias freireanas nas nossas experiências

Pensar que esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por tal ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo. Mas, prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão. Prescindir da esperança que se funda também na verdade como na qualidade ética da luta é negar a ela um dos seus suportes fundamentais.

Paulo Freire – Pedagogia da esperança.

Debater processos educativos dos movimentos sociais populares, principalmente do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que é o representante majoritário na formação da turma com a qual trabalhamos, sem falar de esperança é deixar de lado uma dimensão que aflora nas relações de trabalho e estudo lá desenvolvidas. É claro que quando trazemos a categoria de esperança é no sentido explícito acima marcado pelo seu potencial revolucionário e não outro.

Muitos dos estudantes da turma de Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) são professores das Escolas Itinerantes de seus acampamentos ou são professores da escola situada nos seus assentamentos. Suas preocupações pedagógicas, explicitadas em seus projetos, são diversas até por seus contextos diferentes, porém existem problemáticas comuns no que se refere ao constante desafio de dar continuidade a uma pedagogia emancipatória, baseada também em Freire, quando essa recebe resistência por parte de instituições, sujeitos e práticas tradicionais.

Alguns dos estudantes da turma de Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) são professores das Escolas Itinerantes de seus acampamentos ou são professores da escola situada nos seus assentamentos e os demais, atuam nos coletivos de formação dos seus acampamentos e/ou assentamentos. Suas preocupações pedagógicas, explicitadas em seus projetos de pesquisa, são diversas, no entanto não divergem entre si, considerando os seus diferentes contextos, porém existem problemáticas comuns no que se refere ao constante desafio de dar continuidade a uma pedagogia emancipatória, baseada também em Freire, quando essa recebe resistência por parte de instituições, sujeitos e práticas tradicionais.

No caso do Rio Grande do Sul, em que se cortaram as verbas repassadas para as Escolas Itinerantes do MST, através do cancelamento do convênio existente entre o estado e uma entidade que representava o Movimento, existem desafios gigantescos para que as crianças acampadas prossigam com o processo de escolarização. Esses desafios foram trazidos pelas educadoras/educandas do curso LEdoC e ao mesmo tempo que a denuncia era feita, se percebia nelas essa esperança conceituada por Freire. Pelo envolvimento que existe nessas militantes cremos que, assim como nós, elas levam até as últimas consequências a ideia que Paulo Freire (1992, pg. 06) nos legou:

Uma das tarefas do educador e da educadora progressista, através da análise política, séria e correta, é desvelar as possibilidades, não importam os obstáculos, para a esperança, sem a qual pouco podemos fazer porque dificilmente lutamos e quando lutamos, enquanto desesperançosos e desesperados, a nossa é luta suicida, é um corpo a corpo puramente vingativo. O que há, porém, de castigo, de pena, de correção de punição na luta que fazemos movidos pela esperança, pelo fundamento ético-histórico de seu acerto, faz parte da natureza pedagógica do processo político de que a luta é expressão.

A partir dessa convicção e levando-se em conta as peculiaridades de cada acampamento, o Movimento pretende dar continuidade as aulas das Escolas Itinerantes. Embora não seja nossa pretensão priorizar aqui o fechamento dessas escolas por parte do governo estadual, orientado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, acreditamos que seja importante destacar que essa ação é a culminância de todo um processo de criminalização do MST, do desmantelamento das políticas públicas ligadas as Escolas Itinerantes e uma sistemática perseguição política para com os movimentos sociais em geral. Os educadores das Escolas Itinerantes ficaram nove meses sem receber os salários na atual gestão do estado, o repasse da merenda e materiais fundamentais para a manutenção das escolas foi atrasado quando não suspenso.

Com esse quadro de sucateamento por parte do estado, aconteceu o enfraquecimento das Escolas Itinerantes, mudou sua capacidade estrutural para atender a comunidade e, esta estrutura já não era a mesma de alguns anos atrás e com base nisso e em julgamentos extremamente discutíveis, o MP/RS exigiu o fechamento dessas escolas. As escolas custavam aos cofres do estado R$16 mil, um valor irrisório perto do montante que o governo teria de gastar só em transporte das crianças, se essas realmente se matriculassem em escolas regulares.

Essas informações foram colhidas com os educadores das escolas, participes dos acampamentos e pessoas diretamente envolvidas com as comunidades, o significado político e social dessa atitude do governo e a problematização dos argumentos apresentados pelo Ministério Público são questões que nos angustiam, no entanto, serão discutidas em outras oportunidades.

Assim como os educandos do ITERRA se dividem em tempos de trabalho e de estudo e essa organização é orientada por uma filosofia, as pessoas que coordenam os processos pedagógicos do curso e do Instituto em geral, também têm uma conduta pautada por princípios defendidos por Freire em sua metodologia pedagógica. Nossa convivência nesse espaço serviu, entre outras coisas, para presenciar a materialidade de tais princípios, quais sejam: o aprofundamento do diálogo como ferramenta de aperfeiçoamento, a rigorosidade no acompanhamento e orientação dos educandos e a construção de um ambiente de afetuosidade e amorosidade.

A afetividade, a amorosidade, a dialogicidade perpassam toda relação pedagógica, uma vez que sua razão de ser são seres humanos em processo de humanização. No entanto,“não há diálogo [...] se não há um profundo amor ao mundo e aos homens. Não é possível a pronúncia do mundo, que é um ato de criação e recriação, se não há amor que o funda [...] Sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo” (FREIRE, 1987, p. 79/80).

Essa passagem sintetiza claramente o conteúdo dos princípios adotados pela Pedagogia da Terra e percebidos nas relações que constituem tal prática educativa. Com o desenvolvimento das atividades de orientação nos deparamos com a necessidade de estudarmos mais detidamente as características da educação do MST e da educação do campo como um todo. E com essa demanda nos deparamos com mais aspectos da pedagogia de Freire, as crianças Sem Terra têm uma educação vinculada estritamente com sua realidade, isto é, seu cotidiano, suas lutas, suas necessidades e seus brinquedos são sistematizados pelos educadores e transformados em conteúdo nas aulas.

Esse procedimento é defendido por Paulo Freire através de toda sua vida, outra questão que é interessante salientar é o fato de que a educação do movimento procura não só alfabetizar, mas também formar sujeitos com valores específicos de apego as lutas e as concepções do seu meio. Essa formação se caracteriza como um processo coletivo de experiências que se coadunam e constituem as personalidades individuais.

Essa noção de experiência que o MST trabalha nos remete a um conceito clássico da teoria marxista, elaborado pelo historiador inglês Edward Palmer Thompson, que entendemos que se aproxima muito do pensamento freireano.

O que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: experiência humana, (...) Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro desse termo – não como sujeitos autônomos, indivíduos livres, mas como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos – e, em seguida, tratam essa experiência em sua consciência social e sua cultura das mais complexas maneiras e em seguida agem, por sua vez sobre sua situação determinada. (1981, p.182).

Esse valor dado a vida concreta dos sujeitos e às suas vivências, é diretamente proporcional ao êxito que comprovamos da metodologia adotada pelos movimentos sociais populares. No ITERRA apesar da coletividade ser prioritária, percebemos através das nossas conversar e de algumas condutas que o exercício da autonomia também existe. Nos momentos dedicados a construção dos projetos de pesquisa, os alunos ao fazerem suas escolhas teórico-metodológicas junto aos seus orientadores, concentravam suas energias na atividade de melhoria técnica do seu trabalho assim como de amadurecimento do conteúdo.

Os resultados desse processo foram muito positivos não só no que se refere à velocidade das melhorias dos trabalhos, como também em relação a compreensão que os educandos apresentavam sobre as questões que instigavam seus projetos de pesquisa. Isso denuncia não só a capacidade deles, mas principalmente a relevância de um real exercício de autonomia que perpassa a história de vida dessas pessoas dentro do Movimento. Freire(1996, p. Xxxx ) é categórico ao afirmar que:

O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para a sua negação, por isso é imprescindível deixar claro que a possibilidade do desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legitima, tanto quanto o professor que se exige do cumprimento de seu dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.

Essa longa, porém, necessária citação traduz o quão ontológico é para Paulo Freire o respeito à autonomia, podemos afirmar que os educadores que dizem seguir sua filosofia devem ser intransigentes no atendimento desse princípio em suas práticas pedagógicas.

A razão maior de pensarmos um pouco sobre essas atividades, especificamente, tem como objetivo mostrar que existem experiências sociais e pedagógicas diferentes e até antagônicas em relação às experiências institucionais “tradicionais” marcadas, muitas vezes, pelo conservadorismo. Por fim, somos partidários da idéia de Boaventura de Souza Santos (2001, p. 18) que em uma palestra intitulada “Seis razões para pensar”, publicada na revista de cultura e política Lua Nova nos diz que:

Enquanto a gente se deixar surpreender pela realidade, no sentido de que aquilo que nós observamos não está totalmente contido nas nossas teorias, ou nos nossos preconceitos, aí estará prevenido o perigo do sectarismo. Portanto, o importante é que saibamos que o compromisso com a objetividade existe para fundar a objetividade do compromisso, isto é, para termos razões pelas quais nós temos uma posição ou outra. O cientista social, sendo objetivo, tem que saber de que lado está e tem que saber com razões, razões pensadas, e é por isso que é preciso e é fundamental pensar. Não há objetividade sem objetivos.

Neste breve relato de uma experiência nos espaços educativos de um curso de formação de educadores do campo, caberiam muitos outros detalhes e outras reflexões, todavia não é nosso objetivo exaurir esse diálogo nesse momento, assim como não é nosso propósito absolutizar as práticas educativas dos movimentos sociais populares como o MST com a qual estamos tendo contato. Tais práticas contêm, como todas, contradições, dificuldades, inacabamentos e inúmeros desafios.

Referencias bibliográficas:

FREIRE, Paulo. A pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra. Rio de Janeiro, 1992.

FREIRE, Paulo. A pedagogia do oprimido. 17ª Ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1987.

FREIRE, Paulo. A pedagogia da autonomia: saberes necessário á prática educativa São Paulo. Paz e Terra, 1996.

THOMPSON, E. P. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

SANTOS, Boaventura de Souza. Seis razões para pensar. In. Revista Lua Nova nº 54. São Paulo, 2001.


segunda-feira, março 30, 2009

Comentário sobre uma pesquisa importante.

Texto sobre “Estudo quanti-qualitativo da população afro-brasileira no município de Porto Alegre / RS, 2008”, feito pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS

Estamos percebendo alguns movimentos por parte da academia no sentido de produzir pesquisar de fôlego sobre comunidades afro-brasileiras em vulnerabilidade social, essas pesquisas estão sendo realizadas com o intuito de contribuir para a elaboração de políticas públicas (institucionais) específicas que atendam a esse grupo social. Vemos de modo positivo esse movimento que vem fazendo a universidade, por mais críticos que sejamos em relação às ações de assistência feitas pelos governos, entendemos que essa parceria alimenta tais políticas, pois refina e qualifica o conhecimento detalhado sobre a identidade e o modo de vida das populações afro-brasileiras em vulnerabilidade social.

Sabemos que a maioria das populações brasileiras que passam por dificuldades de sobrevivência, que não recebem nenhum tipo de atendimento por parte do estado, que não acessam nenhum tipo de políticas sociais é composta por negros e pardos, e o Estudo quanti-qualitativo da população afro-brasileira no município de Porto Alegre / RS, 2008 feito pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS vem se inserir nesse leque de pesquisas que com rigorosidade entram no espaço empírico desses grupos sociais não só para melhor entender os mecanismos de vida práticas dos mesmos, como também para dar voz para que as pessoas pesquisadas falem sobre seus valores, suas opiniões e seus anseios.

Independente dos vínculos da pesquisa com os setores governamentais (pesquisa feita para contribuir com subsídios para uma efetiva aproximação da Política Nacional de Assistência Social – PNAS - às especificidades da população afro-brasileiro-negra do município de Porto Alegre) é importante destacar a relevância dessa no sentido de percebê-la por outro prisma. Acreditamos que nenhum movimento de mudança contundente pode ser produzido na sociedade contemporânea sem levarmos em conta os aspectos étnico-raciais de um povo, isto é, a cultura – entendida aqui como um processo (prático e simbólico) histórico e dialético de relações sociais – de determinado grupo social deve ser interpretada para além das crenças e dos aspectos fenomênicos e essas pesquisas cumprem um importante papel nessa empreitada.

Temos claro que são os órgãos institucionais que têm hoje as ferramentas mais maduras para promover as mudanças imediatas que são necessárias na vida da população periférica em vulnerabilidade social, porém também sabemos que as políticas de assistência que existem em sua maioria são marcadas pelo paternalismo, pelo desconhecimento das reais demandas de determinado grupo social, por condutas universalistas em contextos múltiplos e polissêmicos. Daí nossa postura crítica e até certo ponto pessimista em relação a políticas governamentais descoladas de um estudo sério e específico sobre o grupo social que tal política vai atender. Quando falamos de estudo sério está implícita a idéia de que este tenha como objetivo fundamental analisar, interpretar, observar, mas basicamente ouvir dos sujeitos envolvidos quais são os principais problemas que a comunidade enfrenta e quais seriam suas sugestões por mais dotadas de senso-comum que elas sejam.

Esse passeio mais ousado que a universidade tem dado é algo muito positivo e que tem de ser ampliado e qualificado para além de relações com agencias de fomento e órgão governamentais, os movimentos sociais e as organizações populares e não governamentais comprometidas devem também ter a ciência, a pesquisa das universidades a seu serviço. O mundo acadêmico moderno se “iluminou” tanto que por vezes se segou quando voltava à realidade, isso quando voltava. A universidade deveria ter, assim como a terra, sua função social estabelecida na Constituição, mas mais que isso tínhamos que viver um tempo de relacionamento tácito entre os problemas sociais e os problemas de pesquisa. Pois, pensando bem, se é para termos um direito escrito na Constituição e inexistir na vida concreta como no caso da terra é melhor começarmos a construir na prática como faz a pesquisa já mencionada e como podemos fazer em nossos estudos, em nossas linhas de pesquisa, na configuração das relações sociais e profissionais que fizemos.

Na leitura da pesquisa supracitada podemos perceber que para imensa maioria - 96,8% - dos 500 entrevistados existe racismo no Brasil, as razões pelas quais as pessoas responderam essa pergunta de maneira positiva são múltiplas e o estudo se aprofunda nesse sentido. Pra nós o importante é ter claro que para os sujeitos sociais que sofrem de alguma forma a discriminação racial a existência do racismo é fato concreto e que faz parte da sua vida. Isso serve de apoio para afirmarmos que nosso país não é o berço da tão conclamada “democracia racial” e que esse mito deve ser rechaçado junto com todos os conceitos que o formam e o circundam.


Obs: Quem desejar ter acesso a pesquisa referida no texto é só me pedir que encaminho.

Entrevista com Eric Hobsbawm


Acesse o link abaixo onde está a entrevista. O historiador fala da crise atual e de suas possíveis implicações políticas. Para ele, o mundo está entrando em um período de depressão e os grandes riscos, diante da fragilidade da esquerda mundial, são o crescimento da xenofobia e da extrema-direita.


http://www.agenciacartamaior.com.br/template/index.cfm?alterarHomeAtual=1

O Carcereiro de Protógenes Queiroz

Deduções interessantes, acredito que algumas previsões são audaciosas e pessimistas, vale o exercício da reflexão. Concordo plenamente com a observação do final do texto.

"Considerando que Jabutis Não Sobem em Árvores, e todas às vezes que vemos um em cima de um galho, podemos ter a certeza que alguém o pôs lá, descrevo aqui alguns pensamentos que me têm assaltado, de acordo com a análise dos últimos acontecimentos, em torno da Opereção Satiagraha, totalmente e propositadamente personalizada no delegado da PF Protógenes Queiroz.

Parto do princípio do que já é público e notório, que a Operação Satiagraha é o cerne de um Esquema de Poder, que permeou e permeia, tanto o governo de FHC, quanto o de Lulla. A Satiagraha é o ponto de encontro descoberto entre o PT e o PSDB. O seu prosseguimento exporia os dois campos, a esta altura falso contendores, a não ser pela gerência da entrega do País.

Então, Vamos ao Telão! (como diz o bordão de uma excelente comediante da atualidade fantasiada de Cachoupa Portuguesa, em programa de Humor de Bordão - o único humor genuinamente brasileiro).

Desfecha-se, desde há 15 dias, o que parece ser a investida final contra Protógenes Queiroz, tendo como fato determinante o seu depoimento tomado nestes últimos dias, que determinou o seu indiciamento, mas tendo como alvo o enfraquecimento e, quiçá, desmobilização dos resultados e documentos da Op. Satiagraha, com implicados que ameaçam acabar com a República, caso sejam prejudicados em demasia. Vide o Marcos Valério, que pacientemente sabe que não sofrerá muito, pois é um arquivo, vivo ou morto.

Poucos dias antes do depoimento de Protógenes, o ex ministro e “articulador alternativo” (laranja) e não institucional do PT José Dirceu, abre o bico e reclama da “perseguição que sofre de Protógenes Queiroz”, dizendo-se obrigado a estender por mais tempo que o esperado sua estada na Europa “pois Protógenes queria me prender, junto com Daniel Dantas”. Acrescentou que achou muito estranho o arrombamento e furto de computador de seu escritório, implicitamente colocando como possível, ter sido uma ação clandestina de Protógenes..

Assim, no dia seguinte desta declaração, é visto como centro das atenções em convescote de Lullo Petistas, tira foto ao lado do vice presidente, beija a mão da ministra “Mãe do PAC” e a declara “candidata do PT às eleições presidenciais, e não por alguma imposição, mas sim por reflexão e inserção dela no PT, além de sua competência”(e isso como se já fosse o dono do PT, a esta altura uma carne de tendal em putrefação para uso de políticos oportunistas).

Assim beija a mão daquela que veio para o seu lugar, para apagar os resquícios da gestão, digamos Waldomiriana do José Dirceu, quando ministro. Terá feito isso "de grátis", politicamente falando? No dia seguinte, os jornais (e ainda dizem que são contra o Lullo Petismo), estampam declarações, entrevistas e até falas de D. Dilma, em pleno abono ao José Dirceu, não se esquecendo, os jornalistas amestrados, da frase chave, presente em TODAS as matérias: José Dirceu está sendo reincorporado ao PT, é o Articulador Político do Partido e, em breve, tudo isso será oficializado.

De quebra, declarações que dão como certa a refiliação de, pasmem, Delúbio Soares no PT, com candidatura garantida (e certamente já equacionada financeiramente).

Tudo com um “timming” perfeito, como se as coisas tivessem sido meticulosamente preparada e organizada, nas várias etapas e rituais públicos. Enquanto o precursos das milicias no RJ, vereador e depois deputado do PT, Jorge Babu, continua nas fileiras do PT, mesmo depois de, após preguiçosas gestões administrativas, já ter sido expulso, recentemente, pela DN do Partido.

Só não ficamos sabendo dos rituais privados desta pantomima macabra de reabilitação de pública de José Dirceu, ou seja, o isolamento de personalidade pública que descobriu podres e mais podres, de lá e de acolá, e que está muito incômodo para a aplutocracia rapinante que manda nos mandantes deste Brasil.

Já que não divulgaram, vou dar uma versão que imaginei, e acho que pode ser muito próxima da realidade, pois são baseadas em Fatos de domínio público.

Já estava claro que Protógenes não interessava a mais ninguém. A denúncia e o produto das investigações tomaram rumos próprios (como acontecem nos grandes casos) e pode atingir alhos e bugalhos.

Da parte da Direita, a Veja já tinha feito o que pode, dando voz e assumindo versões claramente a favor do Esquemão Daniel Dantas. Mas, não mandam na Polícia Federal, que iria interrogar, como interrogou Protógenes.

Assim, o governo precisava de um Jabuti (olha ele aí!) para subir na árvore e gritar, do lado de acolá.

Foi a conta! Contemplou José Dirceu que, além de ser alvo de Protógenes por suas ligações perigosas, inclusive com aquele Russo milionário que faz falcatruas pelo mundo. Por sua vez, o governo arriscando de ser atingido profundamente, por qualquer centelha de Protógenes.

Na minha imaginação, o acordo privado entre as partes, inclusive a parte de Daniel Dantas foi acionar o José Dirceu para emitir a senha do Isolamnento de Protógenes, para ser abraçado pela "esquerda", pelas ligações Dirceusianas em vários escalões do governo e pela militância, a alertando que estavam abraçando um "sapo do PSOL", segundo alguns, para que a ordem do governo em isolar Protógenes, não parecesse "coisa da Veja".

Em troca, ou melhor, COMO PAGAMENTO por este SERVIÇO SUJO E SÓRDIDO, José Dirceu seria (como foi) reabilitado perante a Opinião Pública, enquanto Protógenes Queiroz poderá ser até afastado da PF, como aliás, noticiou Josias de Souza n'A Folha de São Paulo, creio eu a partir de informações concretas. Ou então como parte de um plano para forçar o Governo manter o Protógenes, para não acatar A Folha....

Assim, pela inexplicável coincidência dos episódios e sucessão dos fatos, em tão importante episódio da atualidade política, e pela total omissão dos “analistas” de plantão em mencionarem algo sobre estas que, afirmo, podem ser meras coincidências, mas que dou-me o direito de especular.

E, se eu estiver certo, quem sabe se José Dirceu, em um possível mandato de D. Dilma Roussef, não será nomeado o Carcereiro de Protógenes? E tendo Daniel Dantas como seu Chefe, na Polícia Federal.

Afinal, especular não custa nada e Jabutis Não sobem em Árvores! Ao menos sozinhos.

P.S. - Rezo todos os dias, para um Deus que desconfio inexistente, para que Protógenes Queiroz não tenha tentado atalhos investigatórios que maculem o seu trabalho, e acabem por favorecer os infratores. Mas, mesmo que tenha cometido este deslize, os enredados nestas falcatruas não ficariam “inocentes” só por isso."

Raymundo Araujo Filho
Médico veterinário e nunca viu cobra casar com jacaré, a não ser se domesticados pelo homens, assim talvez seja possível.

domingo, março 29, 2009

Fatal


O filme trata das questões de fundo das relações entre pessoas com diferença significativa de idade e vai dividir opiniões, por isso é interessante ver. Eu gostei porque não se trata de um longa estereotipado nem óbvio. A fotografia e mais uma boa interpretação do ator Ben Kingsley são os destaques do filme.

"A curiosidade está para o conhecimento assim como a libido está para o sexo".

terça-feira, março 24, 2009

Em busca de Fátima

Ler sobre o contexto da criação do Estado de Israel, tentar entender as razões históricas do recente massacre sofrido pelos palestinos na Faixa de Gaza, pode parecer uma atividade cansativa e distante dos nossos interesses latinos e brasileiros. Nem uma coisa nem outra, primeiro porque é fundamental termos mínima noção do que vem ocorrendo com o povo palestino, segundo porque pode não ser um processo enfadonho, pois Ghada Karmi nos narra sua biografia de modo muito interessante no livro "Em busca de Fátima - Uma história Palestina". Com informações políticas e culturais detalhadas e ao mesmo tempo necessárias a autora nos faz passear pelo universo do seu povo. É uma espécie de diário que como tal carrega experiências pessoais, somadas a um constante exercício de contextualização. Boa leitura!








segunda-feira, março 23, 2009

Dúvida



Querem ver atuações ótimas, querem ver roteiro simples, mas que nos prende? Olhem Dúvida! O melhor ator contemporâneo e a melhor atriz já algum tempo são capazes de, sem sair de uma escola, falar de um mundo de problemas e de sentimentos característicos da nossa espécie. Tipo filme pra quem gosta de cinema.

Em defesa das escolas itinerantes

Nosso estado (Rio Grande do Sul) vive momentos delicados, o executivo tropeça dia após dia em suas políticas em geral, especialmente as educacionais, o judiciário coligado da um exemplo ainda pior, quando tenta criminalizar movimentos sociais, engendra e apóia o fechamento de escolas do MST e ainda ameaça indiciar os trabalhadores rurais que mantiverem seus filhos nas Escolas Itinerantes. A seguir segue um documento em defesa dessas escolas.


"A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius, e parte direitista do Ministério Público do estado estão golpeando as Escolas Itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, decretando o banimento dessas instituições educativas. O ato de proscrever essa inspiradora iniciativa educativa do MST é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países.Para proteger os latifúndios e as corporações, em especial as de celulose, Yeda e seus aliados querem cortar o que julgam ser o "mal pela raiz": a educação das crianças, dos jovens e dos adultos que estão acampadas há anos, pois nada é feito em prol da reforma agrária. A governadora quer silenciá-los.Os camponeses foram expropriados de suas terras pelo poder do grande capital e nenhuma alternativa econômica lhes foi possibilitada. É por isso que as bandeiras do MST tremulam à beira das rodovias que ladeiam os latifúndios destrutivos. Dignamente os camponeses resistem lutando pela democracia que, para ser verdadeira, não pode prescindir dos meios econômicos que assegurem condições de vida humana. E as Escolas Itinerantes são parte desse processo civilizatório.As Escolas Itinerantes do MST são espaços de conhecimento, criação, socialização com base em valores ético-políticos libertários e democráticos. São espaços públicos de formação humana, de crítica e de renovação do pensamento pedagógico brasileiro e latino-americano. Estudiosos de diversos países as investigam e as difundem por meio de teses, artigos, experiências de educação popular, propagando ideais pedagógicos originalmente sistematizados e difundidos por Paulo Freire. As Escolas Itinerantes são lugares que estão propiciando reflexões que permitem construir um melhor futuro para a educação pública, gratuita, laica e autônoma frente aos interesses particularistas e mesquinhos como os professados pelo atual governo estadual.Exigimos a imediata reabertura das Escolas Itinerantes acompanhadas pelo MST, bem como a garantia de que o poder público assegurará a infra-estrutura necessária ao pleno funcionamento das mesmas. Os signatários do presente Manifesto estarão acompanhando as ações do governo estadual nos sindicatos, nas escolas, nas universidades, nas lutas sociais, promovendo denúncias e atos políticos até que as escolas voltem às crianças, aos jovens e aos professores que nelas atuam."
Assinam:
Carlos Walter Porto-Gonçalves – UFF
Eduardo Galeano – Escritor (Uruguai)
Emir Sader – UERJ, Secretario Executivo do CLACSO
Gaudêncio Frigotto – UERJ
Ivana Jinkings –Editora Boitempo

domingo, março 22, 2009

O Leitor


Saber ler, orgulho, sensibilidade, maldade e poder são alguns dos temas que "O Leitor" traz. Vale a pena ver!

sábado, março 21, 2009

Vamos falar do que?


Sou um privilegiado, tenho boas condições de moradia, me alimento e me visto bem, frequento lugares legais e convivo com pessoas com essas mesmas condições. Estou saindo da juventude, com quase 25 anos algumas preocupações começam a nos atormentar, mas não são todos que passam por esse processo. Esses dias me fiz uma pergunta que me inquietou: sobre o que os jovens-adultos como eu conversam? Quais os temas dos papos dos bem de vida?
Tenho algumas hipóteses advindas das minhas experiências, do meu convívio e algumas suposições. Se fizermos uma banca de apostas, futebol e mulher seriam os assuntos escolhidos pela maioria para dar seus lances, no entanto esse chavão vem enfraquecendo na minha opinião. No passado essa aposta seria certeira, hoje nem tanto. Drogas! Esse é o principal tema, ou melhor, é o tema desencadeador das conversas, das risadas, das histórias.
Vários dos meus contemporâneos vão pensar; "ta e daí? que caretice". Pode ser, mas vou tentar me explicar. Meu problema não é somente com as drogas (seus males a saúde e os perigos do seu excesso) e sim com a cultura rasteira que ela produz. Sabe quem mais se destaca na sua turma hoje em dia na burguesia? Sabe quem mais tem a palavra? Quem é o mais engraçado e serve de modelo? É aquele que mais coisas absurdas faz, aquele que extrapola o limite do nexo, da educação, é aquele que sob o efeito químico tem a história mais arriscada, mais violenta, mais escatológica, enfim, aquele que não é diferente pelo que é como pessoa ou pelo que produz como ser humano e sim pelas bizarrices capaz de cometer no momento mais distante de si mesmo, ou seja, alterado.
Portanto, o que existe é uma disputa para ser o sujeito descrito acima, e como se chega a esse objetivo? Se distanciando, significativamente, de tudo que pode ser "normal" ou "certo", já que ser comum é não ser visto. A juventude abastada que pouco se interessa (salvo exceções) por problemas de outros grupos sociais, que pouco lê, que não se deixa levar por outras curiosidades a não ser a de "experimentar", achou uma maneira de fuga muito prazerosa e nela fica girando em si mesma.
Todas essas características não são passíveis de generalizações, mas são evidências da cultura da droga cara a qual me referi. Futebol e mulher continuam sendo assunto, conversas regadas a inúmeros produtos, que por sua vez produzirão efeitos e esses serão responsáveis pelas peripécias, e essas se tornaram histórias que serão contadas e as risadas serão dadas e os exemplos de pessoa constituídos. Como se a virtude de tais histórias fosse fruto do seu ser, quando na verdade, é fruto do que essa cultura da fuga e da droga o tornou. Refinaram-se também os valores e infelizmente pra pior.
Não quero esse mundo para o meu mundo, e não são as "qualidades" já referidas que irão melhorar ou mudar alguma coisa, o vício orgânico, a dependência mesmo não é cabível de julgamento, entretanto, os efeitos históricos de toda essa cultura nos grupos e nas personalidades das pessoas são passíveis de análise crítica, sim.

sexta-feira, março 20, 2009

segunda-feira, setembro 15, 2008

Ambos (título meu)

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, setembro 01, 2008

Percorrer

Aos poucos os segredos humanos se mostram deitados na mesma esteira

Os sonhos, os temperos e as dores só percebidos da nossa maneira.

Construir um bom lugar

Ter desejo pra levar

Com quase o mundo pra mudar caminhar com o teu passo ao meu lado é muito bom

Sentir, ir fundo, acalmar nos dias em que os sonhos caírem no chão.

O encanto da rotina mudando o amor decorado com novas certezas

A sombra dos momentos vividos um aprendizado que não tem fronteiras


Acordes: A7+ - E - B - A

Ponte: F# - A(2x) - B

Refrão: E - E7 - A - F#m