sábado, setembro 12, 2009

Juiz chileno ordena prisão de 129 oficiais da era Pinochet

O juiz chileno Victor Montiglio ordenou a prisão de 120 ex-militares e oficiais da polícia secreta por acusações de abusos de direitos humanos cometidos durante o governo militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Todos os suspeitos pertenciam à temida polícia secreta, a Dina. Entre eles está o ex-chefe da Dina, Manuel Contreras, que já está cumprindo prisão perpétua por envolvimento com outros crimes cometidos durante o governo militar.

Vários dos 129 suspeitos listados pelo juiz ainda não haviam sido acusados previamente.

Segundo correspondentes na região, a ordem de prisão é a maior já emitida com relação aos abusos contra direitos humanos cometidos durante o governo militar no Chile. Acredita-se que mais de 3 mil pessoas foram mortas ou desapareceram neste período.

As prisões devem ocorrer a partir desta quarta-feira.

Em dezembro de 2005, o mesmo juiz Montiglio processou Augusto Pinochet, morto um ano depois, em 2006, sem nunca ter enfrentado um julgamento pelos crimes cometidos durante o seu regime.

'Operação Condor'

Os mandados expedidos por Montiglio são relacionados à chamada Operação Condor, a articulação secreta entre regimes militares de países da América do Sul, entre eles o Brasil e a Argentina, nos anos 70 e 80, que resultou na troca de presos políticos e de informações sobre atividades de opositores aos regimes.

A ordem diz respeito ainda a casos ligados à Operação Colombo, realizada pela polícia secreta chilena e que resultou no desaparecimento de 119 pessoas, em julho de 1975. A maioria dos desaparecidos era formada por dissidentes de esquerda que se opunham ao regime então recém-instaurado. Documentos indicam que a polícia secreta de Pinochet capturou e matou os 119.

Outro caso contemplado pelo juiz e seus mandados de prisão foi a detenção e desaparecimento de 10 membros do Partido Comunista chileno, em maio de 1976.

Fonte: Jusbrasil

Obs: o Brasil está muito atrasado nesse quesito, é o país em que os assassinos e torturadores da ditadura não sofrem nenhuma punição e ainda vivem adejando o poder , principalmente aqueles que davam as ordens. Nem os arquivos do período do regime são liberados, imaginem quando vamos chegar até as pessoas.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Hugo Chávez, segundo Oliver Stone

“A Europa e o mundo precisam de dezenas de pessoas como ele, de líderes que fazem o que prometem”, disse o cineasta Oliver Stone sobre Hugo Chávez ao apresentar o filme “South of the Border” no Festival de Cinema de Veneza. Stone prevê dificuldades de distribuição nos EUA do filme que faz uma incursão pelos países latino-americanos governados pela esquerda, em especial pela Venezuela de Chávez. O mesmo já aconteceu com outros filmes dele que tratavam da realidade do povo da América Central e da América do Sul. Confira o trailer:

segunda-feira, setembro 07, 2009

Informar ou editorializar?

Por Emir Sader em seu blog, na Agência Carta Maior

Uma pena que a falta de prioridade ou a disposição de vetar aos brasileiros a possibilidade de assistir, diretamente, fazendo seus próprios juízos políticos, sem depender das versões que os órgãos da mídia dariam do importante evento, fez com que os brasileiros – em sua grande maioria – não pudessem assistir em direto os debates da reunião da Unasul, realizados em Bariloche na semana passada.

Talvez essa atitude dos canais de televisão deva-se a que as intervenções diretas e integrais dos mandatários latinoamericanos tenham sido, por si mesmas, denúncias das versões que grande parte da mídia insiste em passar aos leitores, ouvintes e telespectadores, com a forte dose de ideologização e de preconceito que carregam.

Em primeiro lugar, teriam se dado conta, a partir da intervenção de Hugo Chavez, que expôs um resumo detalhado de documento do governo norteamericano – atualizado este ano, já no governo Obama – da função bélica das bases militares dos EUA no mundo, incluindo a América do Sul. Havia menção explícita a uma das bases que a Colômbia menciona na lista de bases militares do convênio que têm com os EUA.

Os brasileiros teriam sabido, por exemplo, que Carmona, o efêmero presidente colocado no cargo pelo golpe militar venezuelano de 2002, rapidamente expulso pela reação popular de apoio a Hugo Chavez, está asilado na Colômbia, confirmando os vínculos entre a direita golpista daquele país com o presidente colombiano Uribe. Um detalhe significativo.

Teriam todos podido saber, pelas exposições, mapas e gráficos exibidos pelo presidente do Equador Rafael Correa, que a produção de coca na região tem na Colômbia seu inquestionável líder, com mais de metade, uma produção que segue em aumento, seguida do Peru e da Bolívia, tento a Venezuela e o Equador erradicado completamente sua produção. Os EUA seguem sendo, de longe, a principal destinação do tráfico.

Os mapas demonstram como a Colômbia não tem capacidade de controle das fronteiras com o Equador, dominada por grupos paramilitares e guerrilheiros. Revelam que, pela concentração da produção de cocaína e pela falta de controle de seu território, o problema da região é Colômbia, de que os outros países são vitimas.

Lula assinalou para Uribe, depois que este mencionou um sem número de convênios assinados pelo seu país, que se os acordos com os EUA – que incluem tropas norteamericanas, na Operação Colômbia – não resolveram o problema do tráfico de drogas, não vale a pena estender os acordos com esse país, convidando-o a integrar um plano dos governos da região para renovar os métodos de luta contra o narcotráfico.

Teriam podido ver que quem saiu melhor da reunião foi Lula, que tinha o objetivo de impedir que a Unasul fosse rompida, pelas evidentes contradições entre a grande maioria dos governos e o colombiano. Quem pôde assistir toda a reunião, se deu conta do imenso isolamento em que está a Colômbia, ao mesmo tempo que Uribe chegou à reunião com acordos já assinados com os EUA e afirmando que nada o faria voltar atrás. Os riscos de ruptura eram enormes portanto e o logro foi conseguir uma resolução comum de todos os governos.

À imprensa opositora só interessava saber se Lula saiu ainda mais fortalecido ou não. Errou ao dizer que não, mas também errou ao não se dar conta da importância da reunião e do isolamento do governo colombiano. Triste papel da imprensa que se faz, não instrumento de informação, mas de filtro pelo qual só passa o que lhe interessa, da maneira que lhe interessa. Pobres leitores, ouvintes e telespectadores, vítimas dessa imprensa mercantil e ideologizada, que confunde editorial com informação, editorializa tudo e se transforma em panfletos ideologizados no lugar de instrumentos para uma cidadania informada e capaz de construir democraticamente a opinião pública que o Brasil requer.

terça-feira, setembro 01, 2009

Senado em xeque

Por Tatiana Merlino

O Senado é necessário? Quais são as origens da crise da chamada Câmara Alta do legislativo? A Caros Amigos ouviu a opinião de oito personalidades para saber o que elas pensam sobre o tema que ganhou as páginas dos jornais nos últimos meses. Acompanhe, a partir de hoje, 01, a primeira entrevista do especial Senado em Xeque, com o dirigente nacional do MST, João Pedro Stedile. Na quinta-feira, 03, conheça a posição do ex ministro da Casa Civil, José Dirceu, Na sequência, Renato Rabelo, Valter Pomar, Waldemar Rossi, Marco Aurélio Garcia, Francisco de Oliveira, Wanderley Guilherme dos Santos.

Caros Amigos - Quais as origens da crise no Senado?

João Pedro Stedile - As origens da crise estão no sistema arcaico e nada democrático das eleições no Brasil. As oligarquias seguem controlando todo eleitorado, em especial os mais pobres. Eles têm o dinheiro repassado pelas empreiteiras e bancos (que depois vão pedir o troco). Eles controlam todos meios de comunicação. O Sarney é apenas a cara mais nua e antiga da classe dominante brasileira, e de como ela está acostumada a atuar na institucionalidade. No poder Judiciário é ainda pior. E no banco central, só Deus sabe como os bancos influenciam e manipulam a taxa de câmbio, de juros e da inflação.. Sua presença no Senado é uma aula didática, diária, de como no Brasil os ricos usam a coisa pública apenas em benefício de sua classe e de sua turma. Fica Sarney! Você é tão didático.

Caros Amigos - Por que o Sarney não serve mais para setores da direita que hoje fazem campanha por sua saída?

João Pedro Stedile - Primeiro, porque já passou dos limites. E segundo porque as elites tucanas paulistas querem inviabilizar a aliança esdrúxula entre o PT (Dilma) e o PMDB. O ataque teve mais contradições do que benefícios para a direita. Espero que o PT e o governo se dê conta de que não precisa se rebaixar tanto para eleger a Dilma.

Caros Amigos - Por que o PT e o próprio presidente Lula defenderam o Sarney?

João Pedro Stedile - Pela mesma lógica pragmática anterior. A prioridade número um é eleger Dilma, e eles fazem o cálculo de que precisam da aliança com PMDB. Mas cá entre nós, eles poderiam escolher uma ala melhor da federação peemedebista. E por conta disso, taparam o nariz, os olhos.. E em alguns Estados, a justificativa para apoiar candidatos a governador do PMDB é na mesma base, ou pior. Como exemplo, o que aconteceu no Maranhão. Apoiáram o golpe que o Sarney deu no Jackson Lago para depô-lo no tapetão e repor sua filhota, agora no PMDB, e em troca ganharam duas secretarias estaduais da Roseana. Francamente, diria Brizola.

Caros Amigos - O sistema de representação precisa ser alterado?

João Pedro Stedile - É preciso uma grande reforma política no Brasil para simplesmente termos uma democracia burguesa razoável. Como diria Raimundo Faoro, como fez falta uma revolução francesa, burguesa por aqui. Brincadeiras à parte, o INESC e a CNBB estão coordenando e coletando dezenas de propostas de entidades e movimentos sociais, e já apresentaram uma proposta do que seria uma reforma política necessária e urgente.

Caros Amigos - Há setores da sociedade que defendem a extinção do Senado, o que acha disso?

João Pedro Stedile- Me somo a esses setores. Poderíamos ter um regime político bem mais democrático, ampliando a representatividade popular da Câmara dos Deputados, elegendo de fato o número de deputados pelo número de eleitores, e não como agora, onde os votos da região norte valem 20 vezes mais do que um voto de São Paulo. E acabar com Senado. As questões relativas à federação, aos direitos federativos do Estado poderiam ser resolvidas no âmbito de um conselho da república, com peso igual por estado, convocado especificamente para esses temas quando necessário. No mínimo, os dois bilhões de reais que o Senado gasta de dinheiro público são uma afronta a uma sociedade tão desigual como a nossa.

Fonte: Caros amigos

sábado, agosto 29, 2009

O menino do pijama listrado


Filme baseado no livro de John Boyne, traz o garoto Bruno de oito anos como protagonista, e nos diz o quanto, nós seres humanos, podemos desenvolver situações de uma estupidez ilimitada. O auge do nazismo vivido por uma família que deveria ter apenas uma cabeça pensando e as outras alheias ao processo, mas nunca é assim. A descoberta é uma das razões fundametais da nossa existência, nosso ser (mente e corpo) encontram sentido na busca daquilo que não conhecemos, experimentamos, vimos, sentimos como queiram. Triste como foi e como deve ser tudo que se refere ao Auschwitz. Good movie.

Lembrando Chomsky

Quando as pessoas dominam verdadeiramente um tema, se fazem compreender facilmente, porque falam com simplicidade. Simplicidade não é o mesmo que superficialidade. É possível dizer coisas importantes e profundas de forma clara, mesmo quando tratamos de assuntos bem complicados. Por outro lado, quando o falante começa a entrelaçar conceitos que remetem a outros conceitos; quando suas palavras formam círculos que impedem qualquer afirmação, o discurso vira um refúgio e, nesta metamorfose, o que se propõe não é mais um diálogo, mas uma encenação.

Um dos críticos deste mau uso das palavras é Noam Chomsky, um dos grandes intelectuais de nosso tempo, a quem devemos descobertas que revolucionaram a linguística. Chomsky nunca entendeu o significado de expressões como, por exemplo, “dialética”. Para ele, sempre que alguém lhe tentou explicar o sentido do conceito, ou dizia algo sem sentido, ou produzia uma verdade trivial. Brincando com suas próprias posições, Chomsky diz que talvez lhe falte um gene para entender palavras do tipo. No interessantíssimo Para Entender o Poder (Bertrand Brasil, 2005), o polêmico dissidente americano concluiu que, por trás de conceitos assim, há muita “falcatrua”. Chomsky tem sido, também, um dos mais importantes críticos do papel da imprensa, o que explica a razão pela qual não costuma ser muito “popular”. Uma de suas teses sustenta que a imprensa não vende jornais. O verdadeiro produto que a imprensa vende é seu público e quem compra este produto, é claro, são os anunciantes. Talvez, dito assim, soe muito simples. Mas o que há de verdadeiro nesta simplicidade é seu incômodo.

O jornalismo precisa ser simples, porque seu desafio é o de alcançar o maior número de pessoas, informando-as. O que não significa que precise ser superficial. Nas primeiras horas após a desocupação da fazenda Southall, tínhamos um sem-terra morto. Depois, com as informações de que a vítima não estava armada e que foi alvejada pelas costas, o que passamos a ter foi um assassinato. Ou, se a linguagem jurídica for preferível, um homicídio. O MST não “ganhou um mártir”, como se chegou a afirmar, porque a conclusão faz crer que o impróprio no disparo é seu efeito político, não o cadáver. Os relatos colhidos sobre o que foi feito pela Brigada Militar apontam não para uma “operação desastrada”, mas para a prática da tortura contra dezenas de pessoas. Não há desastre ou “erro” na tortura, há vergonha e crime.

Simples assim. E se uma representante do Ministério Público anuncia que a operação policial demonstrou “profissionalismo”, então há um espanto que precisa ser explicado, para que o próprio Ministério Público não se confunda com o “Ministério da Verdade” de George Orwell e sua “novilíngua”. Na distopia proposta pelo livro 1984, um dos conceitos criados pela “novilíngua” era “duplipensar”. Com a expressão, o governo totalitário pretendia induzir os indivíduos a conviver simultaneamente com duas crenças opostas, aceitando ambas. Uma polícia que atua com profissionalismo não tortura, não humilha e não produz cadáveres. Não há “dialética” a ser invocada e não dizê-lo claramente é amparar a mão que puxou o gatilho. Simples assim. Ou, talvez, me falte um gene para compreender a covardia.

Marcos Rolim é jornalista.

OBS: esse texto está na ZH desse domingo, dia 30/08/2009 e é uma resposta ao texto que o faz companhia na mesma página de Percival Puggina que demoniza o MST (o que não é surpresa) de modo tão raivoso que assusta.

Portentosa ruína

A prestigiosa coluna do Ancelmo exibiu na edição de "O Globo" de sexta-feira passada uma curiosa e significativa montagem fotográfica. Apresentados como "o time dos ex-petistas", Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva, Milton Temer, Flávio Arns, Cristóvão Buarque, Luiza Erundina, Carlos Nelson Coutinho, Chico Alencar, Heloísa Helena, Fernando Gabeira e Leandro Konder tiveram suas feições recortadas e coladas por sobre uma fotografia da seleção brasileira. Tal plantel, vestido com o manto sagrado verde-amarelo e chamado de escrete, seria apenas uma entre tantas formações possíveis na cada vez mais numerosa "Legião de Ex-Petistas".

O texto que serve de legenda para a foto-montagem cuida de explicar que, além da LEP, Legião dos Ex-Petistas, com o que daria para formar vários times de altíssimo nível, cresce também a LENAL, Legião dos Novos Amigos do Lula, na qual militam titulares como Sarney, Renan e Collor. Ao tratar da diferença entre os dois times, o jornalista lança mão de um bordão da coluna que fala por si só: "...deixa pra lá". A imagem montada fala mais do que mil palavras. Além de expressar uma tomada de posição, ela revela um dado importante do atual momento político brasileiro.

Está em curso, o noticiário das últimas semanas expõe de maneira cruel, mais uma mudança de patamar na complexa dialética que articula o lulismo ao petismo. Nasceram juntos, cresceram entrelaçados. Nos momentos de afirmação de ambos como instrumentos de mudança, parecia impossível destrinchá-los. Cresciam como verso e reverso de uma mesma moeda. Nos vestíbulos da chegada ao governo, a dialética desta relação foi reconfigurada. Mudou o sentido da articulação lulo-petista. A partir de então, outra lógica passa a operar e sua feição atual está bem expressa na criativa matéria do jornalista Ancelmo Gois.

O lulismo agora floresce sobre os escombros do petismo. Um cresce e o outro definha, na dialética perversa que se afirma como imperativo categórico e determina a mudança na natureza de ambos. Para garantir a governabilidade do Lula, o PT se vê obrigado a percorrer a via-crúcis da mais completa desmoralização. A saída de Marina Silva e Flávio Arns, o ridículo soberbo do episódio Mercadante e o papelão da bancada petista como tropa de choque do Sarney no Senado Federal são as mais recentes manifestações de tal processo.

O Partido dos Trabalhadores, de saudosa memória, virou almoxarifado de peças de reposição para a engrenagem infernal da pequena política. Sentou na janelinha da governabilidade conservadora e, como um novo PMDB, se converteu em poderosa máquina eleitoral. A antiga identidade, o passado de glórias, o patrimônio de tantas lutas sobrevivem como registro na história. O retrato na parede de uma portentosa ruína.

Léo Lince é sociólogo.

OBS: Não acho que a coluna de Ancelmo em 'o globo' seja prestigiosa, muito menos o jornal que a hospeda.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Yeda “investe” R$ 34 mil na UERGS e articula ajuda milionária para GM


O déficit zero, decantada conquista do governo Yeda Crusius, é um discurso que se esboroa diante da realidade que nos apresenta escolas de lata e postos de saúde cheios de goteira. Só um número, revelado esta semana, dá conta do embuste: no orçamento para 2009, que Yeda jurava ser realista, seus técnicos previram um gasto de R$ 37 milhões com a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), mas até o mês de julho, nem um quarto (24%) deste dinheiro foi aplicado na universidade. Pior, no item “investimentos” o Estado gastou 1%. Isto mesmo, um por cento (!) o que equivale a míseros R$ 34 mil reais para a manutenção e a melhoria de dezenas de unidades espalhadas pelo Estado inteiro.

São dados da Secretaria da Fazenda que revelam muito mais do que cifras; revelam, na verdade, a opção política de um jeito de governar tucano nem um pouco novo porque já foi visto em nível federal com Fernando Henrique quando as universidades públicas foram sucateadas. Yeda tem horror à idéia de fortalecer a UERGS não só porque ela foi criada pelo governo Olívio Dutra, mas porque foi criada para dialogar com o desenvolvimento endógeno, capacitar a produção local e não para moldar futuros peões das ultrapassadas indústrias de segunda geração do tipo montadoras de automóveis.

E por falar em General Motors, já tramita na Assembleia Legislativa um benevolente projeto de lei em que Yeda concede maravilhosos incentivos fiscais à montadora. A oposição, premida pelo temor de que qualquer movimento mais brusco de reação seja ordinariamente noticiado como uma “Ford 2″, atua com todo o cuidado. A idéia é demonstrar ao povo gaúcho que o que Yeda está oferecendo à GM em isenção de impostos, se fosse aplicado, por exemplo, no setor moveleiro, calçadista ou nas cooperativas e no setor primário, geraria mais empregos, mais renda e, por conseguinte, mais desenvolvimento ao Rio Grande do Sul. A benesse de Yeda representa alguns bilhões a menos nos cofres públicos e, na ponta do lápis, significa que todo o comemorado investimento da montadora no Estado, será completamente pago… pelo povo gaúcho. (Maneco)

Foto: Yeda e Britto reunidos ontem em São Paulo. Qualquer semelhança entre seus governos não é mera coincidência. (Jefferson Bernardes/Palácio Piratini)

Fonte: RS urgente

quarta-feira, agosto 26, 2009

Número de assassinatos entre negros no Brasil é duas vezes maior que entre brancos

O número de negros assassinados no Brasil é duas vezes maior do que o de brancos, apesar de cada grupo representar cerca de metade da população do país.

A constatação é de um levantamento feito pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com base em dados do SUS (Sistema Único de Saúde) referentes a 2006 e 2007.

Nesses dois anos, 59.896 negros foram assassinados. Entre os brancos, o número foi de 29.892. A diferença entre o número de homicídios de negros e brancos é maior entre as crianças e jovens de 10 a 24 anos. Entre os maiores de 40 anos, o número de homicídios é quase o mesmo nos dois grupos.

Segundo o coordenador do laboratório, Marcelo Paixão, os números mostram que os negros estão sujeitos a uma exposição maior de risco que os brancos, em várias partes do país. "Isso é determinado por razões que são sociais, ou seja, pelo modo de inserção das pessoas no interior da sociedade, e que fazem com que elas tenham maiores probabilidades de virem a sofrer um atentado violento contra suas vidas ao longo de seu ciclo de vida", explicou.

Um dos fatores sociais que poderia explicar esse risco maior é o local de moradia, já que muitos negros moram em áreas mais violentas, como as favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de Pernambuco.

Além disso, de acordo com Paixão, há pesquisas que mostram que a letalidade policial --a morte provocada por policiais-- é maior entre os negros do que entre os brancos. Um terceiro fator seria a baixa autoestima da juventude negra que vive em áreas pobres e que não vê escolhas para a sua vida, e que, por isso, teria mais probabilidades de se envolver em situações de risco.

A maior desigualdade entre homicídios de brancos e negros é encontrada na região Nordeste. Enquanto a relação populacional da região é de 2,4 negros para cada branco, a relação de mortes é de dez negros para cada branco.

Já a região Sul é a única do país onde essa tendência não é sentida, visto que a relação populacional e a relação de homicídios por cor é igual: 0,2 negro para cada branco.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, agosto 17, 2009

A luta pela terra em São Gabriel






O vídeo de 9 minutos tem depoimentos de assentados do MST no município de São Gabriel (RS). São imagens do acampamento sem-terra captadas no último sábado, 15 de agosto.


Fonte: Diário Gauche

quinta-feira, agosto 13, 2009

Operação Pandemia

AQUI,

temos um vídeo interessante sobre a nova gripe. Será que ela tem origens biológicas? Será que a grande mídia que divulga-a tão densamente tem algo a ver com essa intriga que o vídeo desnuda? O capital está por trás dessa gripe e de outras como podemos ver, e nesse caso ele tem nome, país e dono. Sair de um laboratório farmacêutico para ser secretário da defesa americano? Conseguem ver nexo nisso? Sim né! Vejam o vídeo.

OBS: "O jardineiro fiel" de Fernando Meirelles é um bom filme.

Que se matem!

A Globo fez questão de detalhar o caso de roubo de Edir Macedo e sua turma (com a quadrilha do governo Yeda o jornal nacional não perdeu nem 2 minutos, para o Edir deram 10) e por conseqüência atacar a emissora concorrente que vem ganhando audiência. Por sua vez, a Record respondeu ao monopólio nascido na e com o apoio da ditadura. Ambas emissoras pra mim são um deserviço para o páis, mas principalmente para a consciência dos trabalhados, da juventude e dos pequenos. A cosntrução das duas foi feita de modo ilegal e imoral não tenham dúvida, uma tira dos fiéis e a outra se colou no poder reacionário para se reproduzir.
Aqui está a resposta da Record, me interessa que se matem e se afundem em brigas e denúncias, quem sabe alguém perceba e conheça o podre que envolve a grande mídia brasileira que é comprometida com o que há de mais indigno nesse mundo.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Ruína de Yeda e omissão da imprensa

Os leitores dos jornalões editados em São Paulo e Rio de Janeiro já conhecem com muitos detalhes cada falcatrua cometida no Senado Federal. Até os pecadilhos dos parlamentares, coisas consideraras (por eles próprios) "menores", como ceder passagens aéreas para familiares, vão logo parar nas manchetes – o último desses casos envolve o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Se alguém perguntar aos leitores o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, porém, é provável que a resposta seja evasiva. De fato, a gestão Yeda Crusius (PSDB) à frente do governo gaúcho é uma tragédia de graves proporções e não está merecendo dos grandes jornais uma cobertura à altura do desastre – político e gerencial – em curso nos pampas.

É bem verdade que nos últimos dias, especialmente depois que o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) protocolou, em 5 de agosto, uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal de Santa Maria contra a governadora e outros oito réus, os jornalões do Rio e São Paulo decidiram dar uma colher de chá e publicaram reportagens sobre o assunto. Tudo muito insuficiente.

Sim, insuficiente, porque o descalabro começou antes mesmo de Yeda Crusius botar os pés no Palácio Piratini, em janeiro de 2007. Durante a campanha, a então candidata se indispôs com seu vice, Paulo Afonso Feijó (DEM), porque ele defendia as privatizações como saída para resolver os problemas financeiros do estado. Desautorizado, Feijó permaneceu na chapa, foi eleito e depois rompeu politicamente com Yeda. Ainda durante a campanha, o marqueteiro Chico Santa Rita abandonou o comando da estratégia de marketing acusando a governadora de deixar de pagar os salários da sua equipe. Em seguida, já eleita, mas antes de tomar posse, Yeda pediu ao então governador Germano Rigotto (PMDB) que enviasse à Assembléia Legislativa um projeto para cortar despesas e aumentar o ICMS. Tal projeto foi derrubado em 29 de dezembro de 2006, em uma votação que teve como articulador político o vice-governador. Só que contra, e não a favor do projeto de Yeda...

Consequências eleitorais
A crise, permanente, se arrasta desde a campanha eleitoral de 2006. De lá para cá, Yeda jamais conseguiu momentos de tranqüilidade política no Piratini. A grande imprensa do Sudeste vem noticiando tudo com muita discrição e sem contextualizar o problema. Aliás, um problemão. O ruinoso governo de Yeda de certa forma quebra a espinha dorsal do discurso tucano da "excelência da gestão", que deveria ser o diferencial da candidatura presidencial do partido em 2010. Pior ainda, no campo político a governadora conseguiu se isolar de tal maneira que DEM e PMDB, tradicionais aliados do PSDB no estado, já pularam da canoa de Yeda. Se ela insistir em se candidatar à reeleição, qual será o palanque do presidenciável tucano em terras gaúchas? José Serra (ou Aécio Neves) estarão ao lado de Yeda, única governadora brasileira que tem taxa de rejeição superior à de aprovação? Difícil, a julgar pela defesa tímida que os próceres tucanos vêm fazendo do governo da correligionária gaúcha. E alguém leu análises sobre isto nos jornalões?

Boa parte das matérias, aliás, conseguiram inverter a questão, atribuindo ao PSOL uma importância que nem mesmo a deputada federal Luciana Genro (RS) poderia almejar. Sim, porque o desastre político do governo Yeda tem como protagonista a própria governadora, que em um raro espetáculo de inabilidade política conseguiu perder apoio de aliados tidos como muito fiéis, a exemplo do DEM e do PMDB. Definitivamente, não foram as denúncias da filha do ministro Tarso Genro que colocaram Yeda nas cordas, foi a própria governadora que preferiu se postar no corner. E isto também ficou de fora da cobertura dos jornalões sobre o caso.

Cobertura descontextualizada
A falta de contextualização vai além dos aspectos político-partidários. O Rio Grande do Sul vive uma crise estrutural há muito tempo, com problemas especialmente nas finanças do estado e na sua economia. O PIB gaúcho, que representava em 2008 quase 7% do nacional, permanece neste patamar há pelo menos 10 anos. Ao contrário da região Nordeste, altamente beneficiada pelo crescimento dos últimos anos, a economia do Rio Grande vive uma situação que já antes da crise econômica mundial beirava à estagnação.

A situação econômica do Estado deveria necessariamente aparecer nas matérias e reportagem sobre a crise do governo Yeda porque é parte explicativa dos problemas enfrentados pela governadora. De fato, a tentativa, talvez um tanto açodada, de zerar o déficit do Rio Grande em quatro anos foi uma das causas de boa parte dos problemas da governadora. Em casa que falta pão, como se sabe, todos gritam e ninguém tem razão.

Com a cobertura fragmentada e direcionada para os momentos mais espetaculares – as denúncias, o anúncio do processo, os rompimentos com os aliados –, a imprensa do eixo Rio-São Paulo acaba prestando um desserviço aos seus leitores, que ficam com a impressão de que Yeda Crusius é apenas uma vítima do radicalismo do PSOL ou da fúria do Ministério Público. Há uma ótima história para ser contada por trás de um governo ruinoso, mas a mídia parece não querer contar. Por preguiça ou por motivos obscuros. Em ambos os casos, perde o leitor.

Luiz Antonio Magalhães é jornalista e Editor Executivo do Observatório da Imprensa, onde este texto foi originalmente publicado. Também é editor do blog Entrelinhas.

terça-feira, agosto 11, 2009

Alguém roubou algo, de alguém em algum lugar...

Veja o vídeo de uma sátira que explica o título do post e cabe exatamente para o caso do corrupto governo gaúcho.

Ninguém questiona que houve uma fraude no Detran gaúcho. Um roubo de aproximadamente 44 milhões de reais. O máximo que os advogados de defesa dos acusados fazem é questionar o envolvimento de seus clientes com a quadrilha. Alguém roubou, mas não foi o meu cliente. Alguém roubou, mas não fui eu. Enfim, alguém roubou. Um roubo de 44 milhões de reais. Dinheiro público. Há uma profusão de gravações, cartas, documentos, testemunhos e denúncias apontando para os integrantes da quadrilha. A maioria deles está sendo defendida por advogados caros, que contam com amplo e generoso espaço midiático para fazer a defesa de seus clientes e desfilar as teses da defesa como se fossem análises jurídicas. Alguém roubou, mas não foi o meu cliente.

A governadora do Estado é acusada de integrar essa quadrilha. Antes do Ministério Público Federal, essa acusação já foi feita por ex-integrantes do governo. É curioso que, ao invés de uma rejeição indignada da acusação, os defensores de Yeda Crusius repitam, incessantemente, com um cinismo mal disfarçado: “não há provas!”. Até bem pouco tempo, a ordem era dizer: “não há fatos novos!”. Os fatos não cessam de ocorrer. O discurso envelheceu. Agora, é preciso perguntar: “onde está a gravação com a voz da governadora confessando que roubou?” “Onde está a foto ou o vídeo da governadora com a mão na cumbuca?”. Viram, não há provas. E os advogados se divertem em suas conversas com Lasier Martins. Alguém roubou no Detran, mas não foi a governadora. Nem foi meu cliente. Que prendam o alguém.

Fonte: RS urgente

domingo, agosto 09, 2009

Resenha: Mészáros: Crise e Revolução

Os sete ensaios de interpretação histórica reunidos por István Mészáros em ‘A Crise Estrutural do Capital’ articulam-se em torno de um objetivo central: definir o marco histórico mais geral dentro do qual se dá a crise econômica mundial. Com textos escritos ao longo de várias décadas, o mais antigo em 1971 e o mais recente em 2009, a publicação condensa a quinta-essência da reflexão do filósofo húngaro - um dos expoentes do pensamento marxista contemporâneo - sobre as causas e as conseqüências da "crise estrutural do sistema de metabolismo do capital" – o processo que condiciona as mudanças tectônicas de nossa época. Preparado especialmente para o público brasileiro, o livro conta ainda com uma providencial introdução de Ricardo Antunes, na qual se encontra uma didática exposição do sistema teórico de Mészáros, o que facilita muito a vida dos leitores que não conhecem a complexidade de sua filosofia.

livro_a_crise_do_capital_gd.jpgTendo como prisma o papel primordial da luta de classes na determinação do movimento histórico, a reflexão apresentada em ‘A Crise Estrutural do Capital’ organiza-se em função de duas questões fundamentais: entender por que o capital não é mais capaz de encontrar soluções duradouras para seus próprios problemas, ficando, por essa razão, condenado a exacerbar todas as suas taras; e desvendar, nas contradições inscritas no próprio desenvolvimento capitalista, os requisitos e as condições para ir além do capital.

Tomando como substrato de sua interpretação o movimento histórico das últimas quatro décadas, seu diagnóstico sobre a natureza do capitalismo contemporâneo é implacável. Sem espaço para acomodar as contradições com o trabalho, o processo de valorização do capital assume um caráter particularmente reacionário, violento e predatório, inaugurando uma época histórica marcada por forte instabilidade econômica, grandes convulsões sociais e inevitáveis turbulências políticas.

Crítico das estratégias gradualistas, que buscam soluções institucionais para os problemas gerados pela crise estrutural, restringindo a ação política aos marcos da ordem. A razão desta impossibilidade é que a absoluta subordinação do Estado burguês à lógica do capital torna o poder público impotente para conter os excessos do capital. Em tais circunstâncias, a intervenção do Estado na economia perde todas as suas propriedades curativas para se converter em causa adicional de agravamento da crise do capital, realidade que fica evidente na patética estratégia de "nacionalização da bancarrota" que caracteriza a política econômica das potências imperialistas para combater as crises dos negócios, como a provocada pelo estouro da bolha especulativa em 2008.

Ainda que a crise estrutural do capital bloqueie o crescimento da economia mundial, desencadeando uma tendência estrutural à estagnação, não há em Mészáros nem sombra de uma teoria do colapso que poderia colocar em causa a própria sobrevivência do capitalismo. Neste ponto, seu raciocínio não deixa margem para confusão. Se as bases do regime não forem negadas, o capital sempre encontrará, à custa de grandes sacrifícios humanos e ambientais, um meio de restaurar as condições para a sua valorização, mesmo que apenas para preparar uma nova crise econômica ainda mais violenta no futuro. Em outras palavras, largado à sua própria sorte, o desenvolvimento capitalista torna-se uma crise permanente. Sua interpretação sobre o significado da crise estrutural para o futuro da humanidade segue por outro caminho.

A incapacidade de o capital encontrar soluções duradouras para seus problemas abre ‘brechas’ para a primazia da política, criando condições para o aparecimento de conjunturas revolucionárias que podem (ou não) ser aproveitadas para ir além do capital. Preocupado em tirar as conseqüências práticas de seu diagnóstico, Mészáros estabelece as diretrizes que devem orientar a organização da revolução e o caminho para o socialismo.

Sem se intimidar com assuntos-tabu, ‘A Crise Estrutural do Capital’ contém uma profunda crítica às experiências socialistas do século XX. Para evitar os impasses das revoluções operárias que ficam a meio caminho entre o capitalismo e o socialismo, sujeitas permanentemente aos riscos da restauração capitalista, a ruptura com o sistema de metabolismo do capital deve ser total. A superação das teias que atam a humanidade às determinações da lógica do capital requer não apenas a negação da santíssima trindade que sustenta o sistema de metabolismo do capital - propriedade privada, trabalho assalariado e Estado como aparelho de poder – como também a afirmação de um modo alternativo de organizar a vida material - a produção planejada de valores de uso por indivíduos sociais livremente associados.

Ainda que a forma de argumentação e a linguagem de Mészáros possam dar a impressão, muitas vezes, de que suas soluções sejam abstratas, descoladas da realidade, sua teoria da transição tem conseqüências práticas concretas. Revelando a forte influência de Rosa Luxemburgo em suas convicções políticas, o segredo da transição reside em devolver o controle efetivo das decisões estratégicas, econômicas e políticas aos produtores diretos, subordinando integralmente a esfera da produção material à esfera social, pois, somente assim as transformações promovidas no calor da luta revolucionária podem funcionar como ‘alavancas estratégicas’ de impulso permanente à criação de uma sociedade sem classes, baseada na igualdade substantiva como princípio organizador da vida social.

Publicado com a evidente intenção de dialogar com os intelectuais e os militantes do movimento socialista brasileiro, na expectativa de que o agravamento da crise estrutural do capital abra novas ‘brechas’ para a práxis revolucionária, ‘A Crise Estrutural do Capital’ é um livro criativo e ousado. Em suas páginas o leitor encontrará as grandes controvérsias que cercam o debate sobre as condições e os desafios da transição socialista. Sua leitura incita a reflexão e o estudo. É um convite não apenas para voltar a ler Marx, Engels, Lênin, Rosa Luxemburgo e todos os clássicos do marxismo revolucionário, como também para retomar a rica e profícua produção intelectual do próprio Mészáros.

Plínio de Arruda Sampaio Jr. é professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – IE/UNICAMP. Resenha do livro A Crise Estrutural do Capital, de István Mészaros, publicado pela Editora Boitempo, 2009.

Fonte: Correio da cidadania

sexta-feira, agosto 07, 2009

Venezuela recupera rádios para o serviço público


Por: Elaine Tavares

A mídia comercial brasileira, copiadora número um da matriz CNN, que transmite em espanhol, para toda a América Latina, bombardeou os leitores/espectadores/ouvintes com críticas ao governo venezuelano que, na semana passada, encerrou a transmissão de 34 emissoras de rádio naquele país. Não faltaram os comentários raivosos sobre a "ditadura chavista" e muito menos as entrevistas - à exaustão - com os representantes da direita golpista da Venezuela falando da "falta de democracia" de Hugo Chávez.

O que a maioria dos veículos não disse - e se disse foi de forma superficial - é que estas emissoras estavam irregulares perante a lei de radiodifusão. Algumas delas seguiam funcionando mesmo depois que os legítimos possuidores da concessão já haviam falecido, sendo utilizada a conhecida figura do "laranja". Conforme a lei daquele país, isso não é possível. As ondas eletromagnéticas são uma concessão pública e cabe ao Estado fazer cumprir a lei, caso contrário cai por terra o conceito liberal de "estado democrático e de direito". Mas, aos liberais, isso, vindo de Chávez, é ditadura. Coisa difícil de entender, não?

Outra informação que a mídia não dá de forma clara é que as freqüências, que funcionavam de forma ilegal e que foram retomadas pelo Estado, passarão por nova licitação e devem ser entregues às entidades comunitárias, para que voltem a apresentar o caráter público que deviam ter. Segundo o ministro de Obras Públicas y Vivienda, Diosdado Cabello, a anulação das concessões se deu não só naquelas em que o titular já havia falecido, mas também nas que estavam com a validade da concessão vencida e sequer se dignaram a comparecer ao órgão responsável por esta questão, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) durante o período que havia sido indicado através de correspondência, demonstrando completo desrespeito com a lei.

O Ministro também informou que existe na Conatel um número muito grande de pedidos de concessão e que agora o órgão deve abrir novas licitações. O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que não há qualquer ataque à liberdade de expressão; pelo contrário, os veículos foram devolvidos ao povo, uma vez que não cumpriam com suas obrigações.

Mas o certo é que este ato ainda vai render muito pano para manga, principalmente nos grandes veículos de comunicação do chamado "mundo livre", o qual só considera liberdade de expressão a sua própria. Já cumprir a lei e verdadeiramente democratizar a comunicação passa a ser coisa de "ditador". Ninguém na televisão foi capaz de informar que no Brasil existem centenas de emissoras comerciais funcionando com a concessão vencida, enquanto as rádios comunitárias seguem sendo estouradas pela Anatel.

Só para lembrar, recentemente o ministro do STF, Gilmar Mendes, acabou com a exigência do diploma para a profissão de jornalista justamente em nome da chamada "liberdade de expressão" dos donos de empresas. Não é à toa que, de maneira hipócrita, os bocas-alugadas estejam fazendo discursos inflamados contra a decisão do governo venezuelano. Já pensou se aqui no Brasil o governo decidisse cumprir a lei? Só em Santa Catarina tramita um processo contra a poderosa Rede Brasil Sul de Comunicação - que, de forma aberta e pública se expressa como um oligopólio - mas caminha a passos lentos. E tudo o que se quer é que a Constituição seja cumprida. Mas, quando ela vai contra os poderosos aí fica parecendo que é coisa de "ditador". No mundo liberal burguês a lei só se cumpre contra os pobres.

terça-feira, agosto 04, 2009

Classe Média - Max Gonzaga e Banda Marginal

Aqui no Youtube

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

quarta-feira, julho 29, 2009

Achou

Composição: Dante Ozzetti / Luiz Tatit

Música interpretada por Ceumar em um festival da TV Cultura de 2005, aqui no youtube.

Investir
É cultivar o amor
Se despir
É ativar

Resistir
É aturar o amor
Insistir
É saturar

Aderir
É estar com seu amor
Adorar
É superstar

Aplaudir
Até sentindo dor
É amar

Quem puder
Viver um grande amor
Verá

Consentir
É educar o amor
Seduzir
É cutucar

Amarei!
É conjugar o amor
Não amei!
É enxugar

Avançar
É conquistar o amor
Amansar
É como está

Como estou
Com muito amor pra dar
Eu dou!

Quem estiver
Atrás de um grande amor
Achou!

segunda-feira, julho 27, 2009

O fantasma que vaga no pensamento único

Vaga e insossa, mas presencialista, a democracia parece ser quase o horizonte insuperável da nossa época. A saturação provocada pelo seu uso indiscriminado justifica a peremptoriedade dessa afirmação. De Barack Obama a Berlusconi, das filosofias políticas radicais ao Hamas e ao Vaticano, todos parecem ter uma opinião sobre aquilo que a democracia é e sobre aquilo que ela deveria ser. O artigo é de Roberto Ciccarelli, publicado no jornal Il Manifesto e traduzido pela revista IHU On-line.

Tradução publicada no site da revista IHU On-Line.

Em um livro recente, "Démocratie, dans quel état?" (La Fabrique, 152p.), que reúne contribuições de Giorgio Agamben, Alain Badiou, Wendy Brown, Jean-Luc Nancy, Jacques Rancière e Slavoj Zizek, dentre outros, defende-se que a desagregação dos conteúdos normativos da democracia foi gerada por uma oscilação entre regime e governo, entre soberania popular e gestão econômica e administrativa daquilo que existe. A democracia em que vivemos seria uma democracia "governamental", que impõe a busca de uma alternativa. Se esse é o objetivo, então não é por acaso a escolha das contribuições que compõem esse livro, escrito por autores considerados protagonistas de uma "reviravolta" no pensamento político contemporâneo, a da chamada "democracia radical".

Os assuntos da cidade
Muitas vezes, o logotipo não é justo com a diversidade – às vezes enorme –de um fenômeno cultural, mas só às exigências do mercado editorial. Porém, pelo menos nesse caso, isso explica mais uma vez que o liberalismo ostentado pela "intelligentzia" a partir dos anos 80 é uma doutrina consumada. Por isso, é compreensível a ansiedade por novos paradigmas, mas isso não deveria remover as diferenças essenciais entre os seus protagonistas.

É notável como a busca de uma alternativa parou diante da impossibilidade de criar um sujeito político "forte". A crítica da democracia propõe uma outra estratégia para recompor esse sujeito para além dos limites da política do século XIX, fundada sobre as classes ou sobre o individualismo proprietário. Além das muitas diferenças, é justamente esse o projeto que surge do grupo que enfileira a "vida nua" de Agamben, a via "neoleninista" Zizek até a "hipótese comunista" de Badiou.

Jacques Rancière
A contribuição de Rancière, que dá sequência às considerações já desenvolvidas em "L'odio per la democrazia" (Cronopio) e em "Il disaccordo" (Meltemi), oferece motivos para se repensar e se concentra sobre o problema central desse grupo. Parece, de fato, que a teoria radical acha difícil imaginar uma subjetividade politicamente eficaz. Por uma dupla razão: de um lado, descreve a democracia como negatividade absoluta, como "significante vazio". De outro, evoca um antagonismo político permanente contra a ordem constituída. A democracia seria, assim, o resultado de uma contínua ruptura do espaço político, cujo objetivo é a destituição da sua legitimidade, mais do que a realização das possibilidades que ela exclui.

A real continuidade entre Agamben, Badiou ou Zizek não é a da continuidade contingente que localiza no modelo antagônico um relato alternativo à democracia liberal, mas sim a da vontade de atribuir ao "político" um princípio único e puro. Só que, nesses autores, a pureza nunca se dá em uma forma particular da democracia, mas na sua contínua negação. Se não fosse assim, a democracia reproduziria a confusão entre a democracia e a constituição, ou uma forma social que, para Rancière, aproxima todo o arco político da direita à extrema esquerda. Com o resultado espectral – mas nunca tão atual – de identificar a vida de uma democracia com a permanente reforma das regras que deveriam governá-la.

"A democracia – escreve Rancière – é o poder daqueles que não têm nenhum título para exercer o poder, a capacidade de que qualquer um se ocupe dos assuntos da cidade". É esse o seu "escândalo": "qualquer um", cidadão ou migrante, pode aspirar ao governo. Uma pretensão que nutre o ódio dos governantes, mas que também é a demonstração de que aquele que governa não tem nenhuma razão natural para fazê-lo, e aquele que é governado não tem nenhuma razão natural para obedecer.

Uma política é democrática quando reconhece estar fundada nessa divisão não natural dos papéis. Fazendo isso, ela alimenta uma contínua renegociação dos limites do público e do privado, do político e do social, do econômico e do institucional, para resolver as desigualdades existentes, salvo se forem registradas outras novas em outros lugares.

Além do governo dos melhores
As considerações justas de Rancière ainda deixam uma dúvida. A sua versão da política democrática reavalia o aspecto constituinte do conflito, enquanto produtor de uma distribuição igualitária dos papéis contra a lógica hierárquica da democracia. O ponto é que esse conflito ocorre desde a polis grega, em uma espaço político que é sempre igual a si mesmo e, por isso, não é muito diferente do formalismo jurídico do qual toma distância.

Contrariamente ao que Michel Foucault defende, que forneceu uma versão imanente da política democrática fundada na diferença e não na igualdade, a negatividade transcendental, que Rancière critica enquanto expressão das aporias do antagonismo democrata-radical, permanece também no seu sistema. Mesmo tendo identificado o lugar em que se desenvolve o conflito da democracia – a repartição dos papéis entre governantes e governados –, ele não explica como se forma o conflito e por que seria diferente dos anteriores.

Distante de uma visão trágica da política como "decisionismo" ou, pior, como técnica administrativa, o pensamento de Rancière denuncia a tentação elitista difundida na cultura política contemporânea, para a qual a democracia é naturalmente o "governo dos melhores". Mas não foge do problema, este sim epocal, de como tornar efetivo o sujeito da política democrática.

Personagens e palavras-chaves de um pensamento crítico a ser reconstruído
Louis Gabriel Gauny, engenheiro e filósofo, em "Le philosophe plébéien" (La Découverte), e Étienne Cabet, utopista século XIX, em "La nuit de proletaires. Archives du rêve ouvrier" (Hachette), são os personagens que, junto com Joseph Jacotot, povoam o singular arquivo a partir do qual Jacques Rancière indagou o estatuto filosófico do discurso histórico, propondo "Courts voyages au pays du peuple" (Seuil) e "Les mots de l'histoire" (Seuil).

A seguir, Rancière passou a uma reflexão sobre a literatura ("Mallarmé o la politica della sirena", Clueb) e sobre o cinema ("La favola cinematografica", Ets, e "Le spectateur émancipé", La Fabrique).

Conhecido na Itália por ter se afastado de Louis Althusser por divergências sobre o Maio de 68, depois de ter participado dos seminários de 1965 sobre "Leggere il Capitale" (Mimesis), Rancière, professor da Universidade Paris VIII (Saint Denis) é um protagonista do debate filosófico e político com livros como "Il disaccordo" (Meltemi) e "L'odio per la democrazia" (Cronopio).

A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fonte: Carta Maior

quinta-feira, julho 23, 2009

O frio

as relações se dão mais na sensação
as procuras são pelas sutilezas
o delicado fica mais áspero
os tratos são mais cuidados
os pés não se distanciam muito do chão
o sono fica mais fácil
as letras brotam como gotas que caem
e o gelado vento da cidade traz,
a reboque
a saudade.

terça-feira, julho 21, 2009

Carta para Yeda Crusius

Exma. Sra. Governadora do Estado do Rio Grande do Sul,

Yeda Crusius

A sua manifestação, ontem, dia 16 de julho de 2009, pela manhã, escrita em cartaz dizendo que aquelas pessoas que ali estavam não eram professores, mas "torturadores" , atinge não somente aqueles professores, que estão em seu pleno direito de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, mas também todos os cidadãos brasileiros, vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos por torturadores ao longo da história do Brasil. A utilização deste termo é uma prova da total falta de conhecimento histórico da senhora, e mais: um grande desrespeito à memória do país, que recentemente passou por um período de ditadura, não só militar, mas com contribuição de muitos civis, muitos hoje acusados de terem, esses sim, torturado pessoas. Com sua declaração, a senhora ignorou totalmente a carga histórica que o conceito de "torturador" carrega. A senhora já ouviu o depoimento de alguém que tenha sofrido, verdadeiramente, uma tortura? Estas pessoas merecem o nosso respeito, o que não observamos na sua atitude.

Isso corrobora para o que estamos chamando atenção há tempos: a utilização inadequeada de adjetivos, sem conhecer seu teor histórico, sem valor explicativo, e usado de forma pejorativa e impune. Isso acontece, também, com o conceito de "terrorista" , que é utilizado para a luta armada brasileira, mas nunca atribuído às ações do aparato repressivo do Estado - ainda não desmontado, julgado e condenado - e de grupos para-militares, como o CCC, sigla que ainda hoje circula na sociedade brasileira, e é lembrada como o grande grupo que combatia o comunismo, sem saber de fato o que aquele grupo fez no Brasil.

A sua atitude se assemelha à dos torturadores e repressores, na medida em que, assim como as balas, as palavras ferem, e vêm justamente do lugar que deveria tomar conta de todos os cidadãos, independente de posicionamento político: o Estado. A senhora comparou uma classe trabalhadora, que exercia um direito que fora suprimido por mais de 20 anos, àqueles responsáveis pela supressão do mesmo. Comparou-os a pessoas que cometeram crimes, e que estão por aí, impunes. Isto, senhora governadora, é considerado calúnia, segundo as leis do Estado que a senhora representa.

A senhora sentiu-se intimidada pela manifestação que impediu o direito de ir e vir de seus netos. A senhora sabe que durante os anos 1960, 1970 e 1980, vigoraram no Cone Sul ditaduras civil-militares que sequestraram, torturaram, desapareceram, mataram e apropriaram- se de crianças? Na Argentina, por exemplo, há mais de 500 crianças desaparecidas. Apenas 91 tiveram sua identidade restituída. A senhora sabe como isto foi feito? Através de lutas, confrontos, manifestações, como esta, que se realizava em frente a sua residência.

Seus netos, senhora governadora, provalvemente não saibam o estado em que se encontra a educação pública no Rio Grande do Sul, pois devem frequentar os melhores e mais caros colégios em Porto Alegre. Seus netos não devem fazer idéia do que seja passar trimestres, às vezes anos, sem uma disciplina, por falta de professor; ou estudarem em turmas com 50 alunos, por causa do enturmamento promovido pela senhora; ou enfrentarem as condições precárias em que se encontram muitas escolas; ou não possuírem uma boa educação por falta de recursos; ou encontrarem professores desmotivados pela miséria que é paga todos os meses. Estes sim, são torturados.

Senhora governadora, por todos esses motivos expostos nós, do Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura, escrevemos esta carta com o objetivo de solicitar uma retratação pública da senhora, em frente às câmeras de televisão, para com todos os cidadãos brasileiros, que de uma forma ou de outra, sabem exatamente o que signifca o termo "torturado". Pedimos que a senhora tome essa atitude, em nome de todas as verdadeiras vítimas de crimes de tortura cometidos no Brasil, seja durante a ditadura civil-militar, seja ainda hoje em dia, pelo Estado.

Esta carta seguirá com cópia para órgãos de imprensa e endereços eletrônicos que quiserem publicá-la.

Assinado: MOVIMENTO PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA-RS

Porto Alegre, 17 de julho de 2009

quinta-feira, julho 16, 2009

Desabafo

A manifestação legítima feita hoje na frente da casa da governadora Yeda serviu para mostrar uma coisa que sabíamos, mas não tínhamos como provar. Ao sair de casa com cartazes com os seguintes dizeres: "Vocês não são professores torturam crianças abram alas que as minhas crianças têm aula!", a governadora finalmente se mostrou; a provocação, o deboche, o desdém e a falta de seriedade ficaram evidentes e é dessa forma que Yeda e os que a rodeiam conduzem o estado do Rio Grande do Sul.

Ao levar o container para rua e mostrar em que estão dando aula os professores não estão se mobilizando com interesses partidários como faz entender moralista Lasier Martins em seu espaço na televisão, eles estão denunciando uma situação insuportável que agride a dignidade das crianças e dos trabalhadores em educação.
É também importante frisar que todos esses eventos últimos contra o governo são brandos perto do que merecia o escandaloso governo do estado e que o foco político que devemos assumir transcende a questão das escolas públicas estaduais e a situação do magistério. Essa pauta é o carro chefe porque o CPERS é o sindicato mais combativo que temos, mas a tensão no estado hoje tem essa proporção porque a corrupção, o despreparo administrativo dos quadros do governo, os tráficos de influência, trocas de favores, casa não explicada, o corte de gastos somente em políticas sociais são as marcas dessa gestão.

Muito menos foi suficiente para que o TSE caçasse dois governadores nos últimos anos, esse é o foco, a derrubada desse governo, a sociedade civil gaúcha têm de se mostrar menos servil e ser mais orgânica, sistematizar denúncias, pressionar o ministério público, e seguir se manifestando cada vez mais para que saia do armário a verdadeira face (descrita acima) dessa gente que manda no estado e que reprime com gosto e de várias formas os trabalhadores e as classes populares.

terça-feira, julho 14, 2009

O ocaso da democracia liberal

Por Frei Betto,

A descoberta de que o Senado brasileiro é um antro de nepotismo, corrupção, tráfico de influências e mordomias aviltantes – embora haja senadores e funcionários éticos, de competente dedicação ao serviço público – traz à tona uma questão mais profunda: o fim de uma era política em que as instituições de poder pairavam acima de qualquer suspeita.

A imunidade é irmã gêmea da impunidade. Como o atual sistema democrático é meramente delegativo, eleitos desprovidos de caráter e valores morais se valem dos labirínticos canais do poder público para, em nome do povo, promover o benefício próprio.

Para isso lançam mão de decretos secretos, artimanhas casuísticas, nepotismo implícito, estendendo uma malha burocrática integrada por funcionários coniventes, cúmplices da desfaçatez, desprovidos de ética e amor à coisa pública por força de proventos e prebendas abusivos.

Nas sociedades capitalistas predominam relações desiguais de poder. Uma das características do parlamento burguês é legislar em causa própria, sobretudo no que concerne a salários, ajudas de custo, propinas e salvaguardas (auxílio-moradia, plano de saúde, transportes extensivos a familiares etc.). "Nada mais perigoso que a influência dos interesses privados nos assuntos públicos", escreveu Rousseau em O contrato social.

Eleger-se vereador, deputado ou senador torna-se, para muitos, uma ambição pessoal destituída de qualquer motivação de serviço ao bem comum. A eleição transforma-se em loteria. O premiado decola para a esfera blindada pela áurea de autoridade, isento do risco de a sociedade investigá-lo e, eventualmente, puni-lo. Este só pode ser julgado por seus pares e instâncias superiores, quase sempre marcados por complacente conivência.

O ocaso da democracia liberal resulta do controle social sobre o poder público. A maracutaia vem à tona graças às investigações da imprensa, de movimentos sociais e ONGs que se dedicam a vasculhar as contas públicas e tornar transparente a atuação dos políticos. Lança-se, assim, as sementes de uma nova era democrática, a da autoridade partilhada.

Esse exercício cidadão de aferição dos eleitos e da máquina do Estado mina, aos poucos, a escusa politicagem ancorada no coronelismo, no compadrio, nas ameaças veladas e explícitas, na extensa rede de nomeações e compensações, que vão das licitações fajutas ao salário astronômico de um mordomo. Quebram-se as redomas que envolvem o poder, desprivatiza-o, devolve-o à sua precípua finalidade: o serviço ao público.

Na democracia participativa a autoridade é exercida pelo cidadão e pela cidadã, a quem o político, como servidor, tem o dever de prestar contas. Toma-se a sério o conceito de democracia: o exercício do poder, não somente em nome do povo, mas pelo povo e com o povo. Através de mecanismos de aferição do desempenho dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, desvelam-se os seus atos e revelam-se os obscuros meandros que até então favoreciam as trevas encobridoras de safadezas cometidas à revelia do público e com o dinheiro do contribuinte.

Agora todos sabem que o rei está nu. Aos poucos, rompe-se a velha hegemonia de poder que consistia no controle da mídia, no atrelamento dos partidos a figuras caudilhescas, na criação de uma vasta rede de influências através de nomeações voltadas ao fortalecimento das bases políticas que asseguravam a uma família, grupo ou partido a perpetuação no poder.

Refunda-se o Estado moderno. Na América Latina e no Caribe desponta a primavera democrática que rechaça os golpes de Estado, como ora ocorre em Honduras, e veta-se o acesso ao poder de políticos submissos ao receituário neoliberal. Para horror das velhas oligarquias, muitos eleitos tiveram origem política em movimentos sociais, governam em benefício dos mais pobres e não descartam a utopia de uma sociedade pós-capitalista.

É verdade que nesse período de transição da democracia liberal à democracia real, participativa, sombras e luzes se mesclam, como alianças eleitorais entre setores progressistas e conservadores, no ambíguo compasso de uma no cravo e outra na ferradura. Interesses eleitoreiros se sobrepõem ao rigor ético; o uso do dinheiro público se esconde sob cartões de crédito e investimentos institucionais, como fundos de pensão, imunes à transparência; empresas privadas cooptam políticos e partidos através do financiamento de campanhas.

Muito além do sistema político, a democracia deve vigorar também no sistema econômico, nas esferas familiar, racial, sexual, religiosa, nas relações comunitárias e corporativas. Isso não se alcança senão através de mecanismos e instituições que obriguem o Estado a se submeter ao efetivo controle popular.

Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros.

Fonte: Correio da cidadania

domingo, julho 12, 2009

Emir Sader: ética contra a publicidade

por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

As novas regras de publicidade impedem que pessoas consideradas celebridades façam propaganda de remédios vendidos sem receita. É o mínimo de defesa dos cidadãos que se pode estabelecer. Se coloca em questão, pela primeira vez, uma das expressões mais instrumentalizadoras de personagens tornados famosos pela mídia, para vender qualquer tipo de produto.
Me lembro perfeitamente das publicidades milionárias do governo FHC para privatizar a Vale do Rio Doce, feitas por Raul Cortez. Um artista que conquistou fama por seu meritório trabalho no teatro e por um muito menos em telenovelas da Globo, se valia da empatia com sua imagem, para vender a privatização da maior empresa do seu ramo no mundo, com argumentos que se revelaram totalmente falazes com o passar do tempo.
Da mesma forma outros artistas ou esportistas vendem, a preço de ouro, suas imagens, para promover a comercialização de mortadelas, apartamentos, carros, bancos, cervejas, entre tantas outras mercadorias. O que tem a ver a imagem de cada um deles com os produtos que anunciam? Não são nem sequer suas preferências pessoais. Veja-se como Zeca Pagodinho anunciou uma cerveja que se conhecia não ser da sua preferência, mas que lhe pagou mais. Depois voltou àquela que prefere, não por ter mudado de marca, mas por uma oferta publicitária maior.
Em vários países escandinavos é proibida qualquer publicidade nos horários prioritários das crianças verem televisão, por considerar que elas são excessivamente frágeis, indefesas, diante da agressividade das ofertas das mercadorias que lhes são oferecidas pela televisão. Enquanto que o mercado deita e rola em cima das crianças, um nicho de mercado bombardeado com comidas, roupas, celulares, entre tantas outras coisas.
A mercantilização da vida se propaga através da publicidade, veiculada de forma privilegiada pela televisão. Vale tudo para vender. Um conhecido publicitário brasileiro disse, com toda sinceridade, que a publicidade não tem ética. Dêem-me um produto e eu encontrarei a fórmula de dizer que é bom para as pessoas, que vale a pena comprá-lo. O sucesso de vendas de um produto não está na aceitação das pessoas, no reconhecimento das suas qualidades, mas no mérito das campanhas que o promovem. Da mesma forma que se diz que um processo na Justiça não é ganho por quem é inocente, mas por quem disponde do melhor advogado. Isso se estende às eleições, em que os marqueteiros passaram a ser mais importantes do que as plataformas que os candidatos defendem.
O marketing, a publicidade, são expressões da concepção de mundo que buscar mercantilizar a tudo, que trata de que tudo tenha preço, tudo se venda, tudo se compre, da visão da sociedade como uma espécie de shopping-center, da vitória do mercado contra o direito.
Democratizar é desmercantilizar, é afirmar direitos e a esfera pública contra o reino do mercado e do marketing.

terça-feira, julho 07, 2009

A culpa é do Fidel (La Faute à Fidel) - 2006


Por Anna Luiza Marimon

Quem quiser ver um filme inteligente, sútil, com ótimas atuações (principalmente a da atriz mirim Nina Kervel-Bey), belíssima fotografia e enredo realista, assistam ao A culpa é do Fidel.
O magnífico longa do diretor Julie Gavras é o mais novo filme da minha lista de favoritos, é mais um dos filmes que eu veria de novo, que eu decoraria, que me faz sorrir só de lembrar de algumas cenas...
É claro que não se trata de uma obra prima, possui muitas cenas com diálogos essencialmente estereotipados, mas nada que as feições e os rompantes de Anna não os façam serem esquecidos.
Quem não assistir, não é mais meu amigo!

segunda-feira, julho 06, 2009

Pesquisa indica que Brasil tem 25% de professores temporários -

O alto índice de professores temporários nas escolas públicas brasileiras tem impactos perversos sobre a qualidade da educação.


A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) registrou, entre 2007 e 2008, que 25% dos professores da rede pública brasileira não são contratados por concurso. Ou seja, um quarto dos docentes que dão aula hoje não conseguem dar continuidade ao seu projeto pedagógico. “É algo que tem impacto direto na qualidade da educação, não é uma questão somente de luta do sindicato”, explica Maria Isabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).


Esse alto índice ainda é pior em estados como Minas Gerais, que tem 53% de seus professores contratados como temporários, Mato Grosso, com 49%, e São Paulo, 47%. Outros estados com menos professores temporários compensam na contabilidade geral do país. A média mundial é de 15% de temporários.


Ainda de acordo com o relatório da OCDE, o professor hoje na escola gasta 18% de seu tempo com questões disciplinares, e 11% com questões administrativas, como fazer chamada. Confira abaixo entrevista na íntegra com Maria Isabel, onde ela avalia os resultados da pesquisa.


Fórum - Qual o efeito dessa grande quantidade de professores temporários na formação dos alunos?


Maria Isabel - É perverso. Porque como é temporário, ele não sabe em que escola vai ficar. Depende muito do saldo de aulas. Esse professor começa um projeto pedagógico, por exemplo, neste ano, e não dá continuidade no outro. Ou seja, é algo que tem impacto direto na qualidade da educação, não é uma questão somente de luta do sindicato que quer garantir a efetividade.

A efetividade dos profissionais da educação garante também a efetividade do projeto político-pedagógico que, por conseguinte, tem um impacto positivo na qualidade do ensino. Os sistemas de avaliação acabam sendo ineficazes, porque você vai avaliar em cima de questões como se tudo estivesse funcionando perfeitamente direito. E não é assim que está. Essa é uma questão que, inclusive diante da nossa luta no início desse ano, com as provinhas. Éramos contra a avaliação? Não. É porque aquela avaliação não tinha caráter de concurso público. A nossa luta é para haver concurso público, porque ele seleciona e também garante a efetividade dos professores.


Fórum - Como se chegou a essa situação? Por que tem tanto temporário no Brasil?


Maria Isabel - Porque não se fez concurso público por muito tempo. Por isso uma luta que estamos travando em São Paulo e eu, como relatora das Diretrizes Nacionais da Carreira do Magistério, coloquei uma periodicidade, que sejam realizados concursos de dois em dois anos, casado com a idéia de ter uma porcentagem de temporários. Regula, pelo menos, a contratação.

Fórum - Como está essa situação em São Paulo ?
Maria Isabel - Já chegou a ser maior. Já chegou a ser a maioria de professores temporários, aproximdamente 60%, contra 40% efetivos. Nós fomos brigando, brigando, e pontualmente foram sendo feitos concursos. Mas em São Paulo , são 47%, o que é um número grande, dá em torno de 100 mil temporários, quase. No Brasil todo são mais de 300 mil profissionais temporários. São 53,5% (do total de professores) em Minas Gerais , 48,8% em Mato Grosso tem 49%, São Paulo tem 47%.


Fórum - O relatório da OCDE tratou também de desafios que o professor encontra em salas de aula. O Brasil é o terceiro país em que os professores perdem mais tempo com questões disciplinares, como chamar a atenção dos alunos. Qual a razão?


Maria Isabel - Aí entra a questão da violência. Tenho trabalhado muito isso e acho que é passível de análise que o que tem levado a isso é essa falta de reconhecimento social do professor. O professor não é tratado como aquela autoridade que deveria ser. Houve, por meio destas políticas de avaliação, uma culpabilização muito grande dos professores. E se um aluno vê que um professor tem um baixo desempenho na sai avaliação, fala: como que ele pode me ensinar? Sendo que este baixo desempenho reflete a não efetividade numa escola, a descontinuidade do projeto pedagógico e falta de condições objetivas de avaliação que é necessário ter.

Essa desautorização do professor tem levado a um grau de indisciplina muito grande, mas também porque a família não tem assumido seu papel de responsável também pela educação, ela simplesmente joga essa responsabilidade para a escola. Por isso que defendo muito a gestão democrática, não só porque ela é importante no processo pedagógico, mas porque, com a presença dos pais nas escolas, é possível discutir com eles o comportamento e questões disciplinares que têm que ser também por eles discutida. Parte da aula, o professor acaba perdendo só pra lidar com a disciplina do aluno. Não é falta de didática, é porque é assim que as coisas estão acontecendo.

E também porque a escola, hoje, não é um local atrativo. A mesma escola que aí está, está desde quando ela foi inventada, pensada no Brasil, não mudou nada. E você está lidando com uma juventude diferente, então a própria escola tem que mudar. Por isso, ter um investimento na infra-estrutura da escola é importante. Mas não é só o professor, não é só a infra-estrutura, nem somente o aluno, é preciso tem que se pensar globalmente a questão da educação.


Leia mais sobre o cenário da educação no Brasil na entrevista de Mario Sergio Cortella na edição 75 de Fórum, nas bancas.

Camila Souza Ramos - Revista Fórum

domingo, julho 05, 2009

Está provado, não houve o grampo no presidente do STF

Sem encontrar o áudio e sem identificar o responsável pela eventual gravação, a Polícia Federal concluiu a investigação que apurou o suposto grampo no presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes. Sem encontrar áudio de suposta interceptação telefônica de Mendes e o senador Demóstenes Torres (Dem-GO), a PF não deve indiciar ninguém.O resultado oficial deve ser divulgado nos próximos dias.O inquérito sobre o suposto grampo foi instaurado em setembro passado, por pressão do ministro Gilmar Mendes.
Na época, o ministro, indignado com o fato de supostamente estar sendo monitorado, chegou a cobrar uma providência do presidente Lula, que em 24 horas lhe concedeu uma audiência exclusiva para tratar do “grave” caso.Estavam presentes à audiência, o ministro Nelson Jobim e o ministro Tarso Genro. Jobim, aliado das invectivas de Mendes, saiu da reunião reclamando providências do governo do qual faz parte, fazendo eco aos factóides da revista Veja que denunciara o caso dois dias antes.
O ministro Tarso Genro saiu da reunião e tentou dar uma coletiva à imprensa, mas foi monopolizado pelas manifestações duras de Gilmar Mendes cobrando enérgicas providências do Executivo, a quem atribuía leniência nos casos de – segundo ele – “abuso de autoridade policial” no caso Satiagraha. Enquanto Mendes se pronunciava de forma imperativa e excessiva, o ministro Tarso ouvia ao seu lado, calado e de cabeça baixa (foto acima, de 14/07/2008).A revista "Veja" atribuiu a autoria da suposta interceptação ilegal a agentes da Abin que atuaram na Satiagraha. A operação foi conduzida por Protógenes e, em julho do ano passado, prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.Em março de 2009, Mendes falou sobre a possibilidade de o grampo não ter existido - "se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil" - e admitiu "não ter muita certeza" sobre a participação da Abin, conforme entrevista a jornais. Na ocasião, ele pressionou pela saída do então diretor do órgão, Paulo Lacerda, que depois deixou o posto e hoje é adido policial em Portugal.
O episódio mostrou o quanto um factóide fabricado por Veja/Mendes/Jobim podem fazer o governo Lula vergar-se em conciliações que minam a autoridade e a soberania do presidente da República.Hoje, pois, fica provado que de fato estávamos diante de uma mentira industriada com o objetivo de desestabilizar o governo e alimentar uma montante seriada de insatisfações em cadeia que pudessem colocar em xeque o presidente Lula. Tudo em vão, mas que tentaram, tentaram. Até a próxima armação e a subsequente conciliação de Lula.
Fonte: Diário Gauche

Carta e Leandro: as Minas do Rei Dantas. Protógenes tinha razão

O Conversa Afiada reproduziu abaixo apenas o início da reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital que vai hoje para as bancas.
É uma bomba !
Daniel Dantas, com a ajuda de políticos ligados a José Sarney, se tornou um minerador que controla uma área 50% superior à da Vale !!!
O ínclito delegado Protógenes Queiroz tem dito a todo mundo que Dantas, em 1992, com o ex-ministro Mangabeira Unger, preparou um plano de ataque às riquezas do Brasil, com grana do Citibank.
Muita gente, por isso, chamou o delegado de “alucinado”, “destemperado” .
Leandro Fortes acreditou no que Protógenes disse e está lá, tudo na Carta.
Leia o início da reportagem:
Dantas, o mineradorecos da satiagraha O banqueiro acumula mais de mil pedidos de licença de exploração do subsolo. Nos últimos dois anos, as concesssões saem aos cântarospor leandro fortes
Às vésperas da Operação Satiagraha, em 8 de julho de 2008, o delegado Protógenes Queiroz tinha em mãos um documento revelador sobre os planos empresariais do banqueiro Daniel Dantas. Escrito em inglês e preparado, em 1992, pelo ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, que deixou o cargo no fim de junho, o texto era um umbrella deal (acordo guarda-chuva) com perspectivas de negócios no Brasil que atendessem, segundo Queiroz, aos interesses comerciais de Dantas e do Citigroup, um dos maiores bancos do planeta e até então parceiro inseparável do banqueiro brasileiro. Entre os 160 itens do documento, um deles traçava estratégias de entrada no bilionário mercado de mineração. DD levou o assunto a sério. De 2007 até hoje, encaminhou mais de 1,4 mil pedidos de autorização de pesquisa mineral, em treze estados do País. Já conseguiu obter mais da metade das autorizações, 80% delas em terras da União.
As outorgas para esse tipo de atividade são concedidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do Ministério de Minas e Energia. Para atuar no ramo, Dantas montou, há dois anos, uma empresa, a Global Miner Exploration (GME4), com sede em São Paulo, e começou a garantir as concessões a partir das gestões de dois ministros diretamente controlados pelo senador José Sarney (PMDB-AP), Silas Rondeau e Edison Lobão. Graças à presteza do DNPM, a mineradora de Dantas cobre, hoje, uma área equivalente a 4 milhões de hectares onde se concentram riquezas minerais incalculáveis em forma de manganês, ouro, alumínio, fosfato, ferro, níquel, bauxita, nióbio e diamante.
A GME4 tem interesses comerciais, atualmente, nos seguintes estados: Bahia, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Roraima, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Uma abrangência territorial 50% mais extensa do que a ocupa-da -pela Vale, segunda maior mineradora do mundo. Boa parte do esforço da empresa de Dantas está concentrada na pesquisa para exploração de manganês, sobretudo na Bahia, Minas e Piauí. Os filões mais lucrativos estão, porém, em Mato Grosso, onde a GME4 procura ouro em uma área do tamanho da cidade de São Paulo. E em Mato Grosso do Sul, onde Dantas pretende encontrar diamantes. Caso consiga achar minério em apenas 2% da área abrangida pelas autorizações do DNPM, a mineradora passará a ter um valor de mercado estimado em 1,3 bilhão de dólares (2,5 bilhões de reais pela cotação atual).
Dantas não é um minerador comum. Em vez de explorar os veios, montar minas e extrair pedras, atua como atravessador. De acordo com o site oficial da empresa, a GME4 é um “banco de ativos minerais” com o objetivo de prospectar reservas “visando alienar ou realizar joint ventures”, tanto no mercado nacional como “global”. Para tal, apresenta um “portfólio de direitos minerários próprios”, ou seja, as autorizações do DNPM, cada uma com prazo de três anos. Na prática, a mineradora identifica a jazida e faz os estudos geológicos e de viabilidade econômica. Em seguida, oferece o projeto a investidores brasileiros e internacionais.

quinta-feira, julho 02, 2009

Déficit Zero: RS foi o Estado que menos investiu em educação em 2008

No dia em que “comemorou” 30 meses no Palácio Piratini, o governo Yeda Crusius (PSDB) teve que responder a um dado que ajuda a explicar como o propalado déficit zero foi atingido. Segundo dados do Ministério da Educação, o Rio Grande do Sul foi o Estado que menos investiu em educação no ano de 2008. O mínimo constitucional é de 25%. O governo estadual investiu 18%, ficando em último lugar do ranking dos Estados. A secretária de Educação Mariza Abreu protestou alegando que o MEC não incluiu os gastos com inativos na rubrica “investimentos em educação”. O fato de estar na lanterna dos Estados que investem em educação terá como conseqüência a impossibilidade do governo Yeda fazer convênios com a União para receber recursos adicionais para a área. A posição do Rio Grande do Sul no ranking da educação não chega a surpreender. Desde o início do atual governo, a política do déficit zero tem significado cortes em gastos de custeio e investimentos, atingindo fortemente áreas básicas do serviço público como saúde, educação e segurança.

Fonte: RS Urgente