quarta-feira, maio 05, 2010

Porque a democracia é um engodo




A política partidária institucional de hoje cumpre um mero papel de fantoche ou garota de recado das grandes corporações, só se elege (salvo exceções) quem investe muito dinheiro e defende os interesses de quem tem o controle desse dinheiro ou do capital como um todo.

No cenário mundial lideranças que se opõe a essa conduta entreguista vêm sendo assassinadas ou sofrem um golpe planejado e coordenado, em geral, pelos EUA.

Esse país centraliza os maiores conglomerados corporativos (em 2004 das 50 maiores empresas mundiais 48 eram norte-americanas e seus rendimentos eram superiores ao PIB da imensa maioria dos países do mundo).

Irã, Panamá, Bolívia, Chile, Brasil, Argentina são países que da década de 50 até hoje tiveram presidentes mortos ou depostos por não se corromperem. 

O aparato legal, que cabe aos políticos do legislativo construir e ao judiciário aplicar no nosso "estado democrático de direito", é essencialmente simbólico e formal no que tange a execução e garantia de direitos sociais.

Entretanto, é muito eficaz quando o objetivo é garantir a possibilidade de maximização dos lucros das grande empresas através da vinculação dessas com o Estado, pelas parcerias e outros modos de incorporação de dinheiro público. 

Os bancos que criam dinheiro a partir de dívidas e juros são o habitat comum das corporações, pois os donos são os mesmos.

Sabe como funciona a prática? O FMI e o Banco Mundial e suas ramificações políticas constroem situações-limites em países periféricos, os obrigam a pegar empréstimos gigantescos a juros exorbitantes. 


Esse dinheiro do empréstimo, na realidade nunca chega até a população desses países, nem mesmo aos seus gestores. Porque esses são obrigados a contratar empresas capazes de fazer obras de infra-estrutura e reconstruções, de oferecer serviços gerais, e de implantar políticas estruturantes de grande escala.

Que empresas são essas? As grandes multinacionais controladas pelas mesmas corporações que mandam nos grandes bancos que fizeram o empréstimo. Isso mesmo, elas ganham o dinheiro que emprestam e fazem um serviço de baixo custo e desqualificado.

O país periférico contrai uma dívida enorme, impagável e fica política e economicamente dependente do grande banco mundial credor. Então esse banco exige que o país devedor corte gastos sociais, reveja os direitos trabalhistas (planos de carreiras por exemplo), privatize seus serviços básicos e principalmente venda SEUS BENS NATURAIS, que casualmente são comprados pelas mesmas corporações que controlam todo o processo descrito até agora. 

As empresas fizeram os empréstimos, pois são os bancos, usufruíram dele, pois foram contratadas e, por fim, lucram com o endividamento e a pobreza dos países, já que elas compram seus bens e a sua mão de obra a baixo custo. 

Esse processo ocorre a décadas com os países do sul do mundo. 

Essas relações estão na essência do capitalismo ou sistema monetário, são características fundantes desse sistema.

Teoria da conspiração? Não. O mundo não se resume a isso e é claro que as coisas são mais complexas, esse é um exercício de reflexão. Para entender melhor tudo isso assistam Zeitgeist, documentários que indico abaixo.


Zeitgeist é uma palavra alemã que significa "o espírito do tempo" e é título de um filme-documentário e um movimento, deveria ser obrigatório nas escolas e universidades dos nossos dias, trata de vários assuntos como religião, política, economia, poder, cultura, valores entre outros. 

Para assistir já com legendas clique em Zeitgeist o primeiro e o segundo aqui.
A página dos filmes é www.zeitgeistmovie.com

segunda-feira, maio 03, 2010

Abril Vermelho

Por JUREMIR MACHADO DA SILVA

Candoca vive em Palomas. É um ingênuo. Na juventude, leu Voltaire e acreditou que o nariz existe para segurar os óculos. Tem lógica. Candoca é obcecado por radicais. Nesta semana, ele leu na Internet declarações da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), e de João Pedro Stédile, principal líder do MST. A leitura do que disseram esses dois expoentes da agricultura nacional deixaram Candoca confuso. Stédile defendeu uma mudança no modelo agrícola: quer diminuir o uso de agrotóxicos nas lavouras, limitar o controle das multinacionais sobre a produção agrícola brasileira e associar camponeses e população urbana na construção de uma nova realidade na produção de alimentos. Candoca ficou preocupado. Perdeu o rumo.

Stédile sustentou que três ou quatro megaempresas globais dominam o mercado nacional de sementes, insumos e fertilizantes. Garantiu que elas estimulam os agricultores a usar muito veneno, fazendo do Brasil o maior consumidor do mundo de agrotóxicos, com 720 milhões de litros por ano. Essas empresas, segundo ele, ditam a lei na produção brasileira. Os venenos contaminam o solo e as águas. Sem contar que acabam no estômago de todos nós, especialmente dos mais pobres, que não podem comprar alimentos orgânicos em feiras chiques. Por fim, Stédile explicou que ocupações sempre acontecem quando poucos controlam muitas terras e muitos não possuem terra alguma para explorar. Candoca soltou uma exclamação: "Que sujeito sensato!" Dona Marcolina reagiu: "É um radical".

Perplexo, Candoca foi ler uma entrevista recente da combativa senadora Kátia Abreu. Ela reclama o uso da Força Nacional para evitar novas invasões de terra com o seguinte argumento: "A Força Nacional não tem o hábito de colaborar para evitar o tráfico de drogas, a pirataria e a pedofilia? É a mesma coisa. A Força Nacional vem para trazer paz, e não o conflito". Candoca ficou boquiaberto. Parecia um jundiá recém-pescado. Invadir ou ocupar terras é igual a atos de pedofilia? Intelectualmente limitado, o ingênuo começou a rir. Questionada sobre a importância de se reduzir a desigualdade social, Kátia Abreu declarou: "Nós não temos obrigação. Quem vai querer dividir sua terra? Não somos sócios do programa da reforma agrária". Que coisa, hein? Candoca não compreendeu. Está convencido de que não há expropriações no Brasil e de que as terras são compradas a bom preço pelo Estado para fins de reforma agrária. Pobre do Candoca, sempre tão confuso.

Bobalhão, Candoca acha que um país é como um condomínio: não pode uma família ocupar todos os andares enquanto todos os andares se amontoam embaixo da escada. Ao terminar de ler as declarações de Kátia Abreu, Candoca soltou um urro: "Que mulher radical!". Dona Marcolina tratou de aplicar-lhe um corretivo. "É uma mulher muito sensata", disse. Candoca respeita muito Dona Marcolina. Jamais se atreve a discordar dela. Tratou de mudar de opinião. De fato, concluiu, Stédile é um baita radical. Onde já se viu querer um novo modelo agrícola? Comuna!




Dogs ao som do Cartolas

Esses cachorros são umas figura não da pra ficar um segundo sem cuidar, se não eles aprontam. a música é "onde anda o rock em roll do Cartolas. Olha só http://www.youtube.com/watch?v=hpebCxSv3WE

sábado, maio 01, 2010

Nossos tempos

Ontem fui na caminhada dos trabalhadores do Cpers, do Sindicato dos trabalhadores em Saúde de Poa e de outras organizações sociais. Saímos da frente do Instituto de Educação na Osvaldo Aranha e fomos ao centro, no Palácio, e depois até a Secretaria Municipal de Saúde. Os dois focos principais da passeata era denunciar o desmonte da escola pública estadual promovido pelo corrupto governo de Yeda e cobrar explicações decentes do desvio de verbas da saúde da gestão municipal, também corrupta, de Fogaça. Além, claro, de fazer menção ao dia do trabalhador. O interessante nessas manifestações é prestar atenção na reação das pessoas, são diversas, uns não entendem, outros acham uma vagabundagem e ficam bravos, outros apoiam e são compreensivos. Quando digo que é interessante não é uma coisa positiva, pelo contrário, é triste. Há uma doença social na consciência, ou falta dela, nas pessoas, um descaso sem propósito, uma alienação do cansaço, enfim uma anestesia no pensamento e na ação. É bem nesse sentido:"estesia" é sentir algo, perceber, sensibilidade, "an" é prefixo de negação, esse é o estado de coisas que existe no modo de vida que vivemos hoje. Estesia tem raiz comum com estética que designa a harmonia das belas coisas e a mídia, nossas formações e poderes têm nos negado e camuflado essa duas dimensões fundantes do ser humano; a estesia para ser sensível aos absurdos e injustiças do mundo e a estética para conhecermos e acessarmos melhores produções artísticas, políticas e culturais como um todo.

quinta-feira, abril 29, 2010

Novo cd do Cartolas


O novo cd da banda gaúcha Cartolas chamado "Quase certeza absoluta" é muito bem feito, mostra que o Rio Grande do Sul tem sido o lókus de muito boa música. Sugiro também o cd "como um filme sem fim" da Publica que se mudou a pouco para São Paulo. Guitarras com timbres originais, refrões com vida, linguagem inovadora nas letras e muito bom gosto da mixagem, confiram!
Para escutar o som dos Cartolas clique AQUI.

terça-feira, abril 27, 2010

Zeitgeist 2

Poucas pessoas hoje param pra pensar sobre o que realemnte melhoraria suas vidas. Dinheiro? Claro que não. Ninguém pode comer dinheiro, ou encher seu carro do mesmo pra que ele ande. Política? Essa tudo que pode fazer é criar leis, estabelecer orçamentos e declarar guerras. Religião? Claro que não. Essa não cria nada além de consolo emocional intangível pra quem procura. A verdadeira dádiva que temos como seres humanos e que foi a única responsável por tudo que já fez nossas vidas melhores é a tecnologia. O que é tecnologia? Um lápis, um automóvel, um óculos; é um extensão das habilidades humanas. Dinheiro, política e religião são instituições falsas...

Temos que estar sempre abertos para novas possibilidades e aprendizados, mesmo que isso ameace nossos sistemas de crenças atuais e identidades. A população sofre de um medo coletivo, seu condicionamento faz supor uma identidade estática e quando se trata de evoluir com conhecimentos que superem nossas crenças isso resulta em insultos, pois estar errado está incorretamente relacionado ao fracasso, quando na verdade deveriamos celebrar momentos de de avanços, descobertas e rupturas com nossos valores e crenças ultrapassados.

Compreender, conhecer, entender é transformar o que há.

Esse é um trecho do filme Zeitgeist Addendum

Zeitgeist

Zeitgeist é uma palavra alemã que significa "o espírito do tempo" e é título de um filme-documentário e um movimento, ele deveria ser obrigatório nas escolas e universidades dos nossos dias, trata de vários assuntos como religião, política, economia, poder, cultura, valores entre outros. Para assistir já com legendas clique em Zeitgeist o primeiro e o segundo aqui.

A página dos filmes é www.zeitgeistmovie.com

O trecho abaixo está no primeiro


Quanto mais investigamos aquilo que pensamos compreender, de onde viemos, o que pensamos que estamos a fazer, mais começamos a ver que fomos enganados. Fomos enganados por todas as instituições. O que vos faz pensar por um minuto que a instituição religiosa é a única que nunca foi tocada? As instituições religiosas deste mundo estão no fundo da sujidade. As instituições religiosas neste mundo são lá colocadas pelas mesmas pessoas que vos deram o vosso governo, a vossa educação corrupta, que criaram os cartéis internacionais de bancos, porque os nossos mestres não dão a mínima para vocês ou a vossa família. Tudo com que se preocupam é com o que sempre se preocuparam e é em controlar todo o maldito mundo. Quanto mais se educam, mais percebem de onde as coisas vêm, mais óbvias as coisas se tornam e começam a ver mentiras em todo o lado.

Jordan Maxwell

quinta-feira, abril 22, 2010

Conceito

Sabe aquelas pedrinhas pequenas, pontudas, que quando
pisamos descalços machucam, mas logo que levantamos o
pé, percebemos que a pedrinha é a mais bem definida...
Sabe aquelas distâncias que parecem bem curtas, que
estamos ali perto, mas sempre falta um pouco. Falta
uma palavra, ou, às vezes, falta o jeito de dizer a
palavra...
Sabe aquela caída que o pescoço dá quando ouvimos ou
sentimos uma coisa muito boa, fruto de um carinho...
Sabe aquela respiração que fala, que acusa ou a
impaciência ou felicidade...
Sabe! Todas essas ‘coisas’ e várias outras, são um
conjunto de significados que dependem de alguém para
acontecer ou não. Viver sem sentir essas ‘coisas’, não
é viver, portanto cuidar e bem tratar quem faz com que
as sintamos é a opção que faço, com todos os meus
defeitos, exageros e erros, faço porque prezo, tolero
e dependo.
De tudo que passa, independente do que é, ou do que
será, o que realmente fica são os sentidos
(significados), e esses se refletem na sinceridade
do que se sente. E é dessa sinceridade que derviva,
também, não só a beleza, mas, principalmente, a
essência do que se sente. É a essa essência que
atribuo o nome de amor.

Escrevinhei em 8 de março de 2007.

segunda-feira, abril 19, 2010

A grande família de Gilmar Mendes

O presidente do Supremo é o nome mais ilustre de um clã com forte presença no Judiciário. Veja quem são os parentes do ministro com atuação na Justiça e em outras áreas do direito.

Magistrados
Ministro Gilmar Mendes (presidente do Supremo Tribunal Federal)
Desembargador Joaquim Pereira Ferreira Mendes (presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no início do século XX) – avô de Gilmar
Desembargador Milton Ferreira Mendes (TJ de Mato Grosso) – tio
Desembargador Mario Ferreira Mendes (TJ de Mato Grosso) - tio
Juiz Élcio Sabo Mendes (aposentado – TJ Acre) - tio
Desembargador Ítalo Ferreira Mendes (Tribunal Regional Federal) - primo
Desembargador Joazil Maria Gardés (TJ do Distrito Federal) - primo
Juiz Élcio Sabo Mendes Junior (TJ do Acre) - primo
Juiz Yale Sabo Mendes (juiz da comarca de Cuiabá e membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso) - primo
Juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes (juiz da comarca de Cuiabá) - primo

Defensor público
Djalma Sabo Mendes Junior (defensor público-geral de Mato Grosso) - primo

Procurador do Estado
Djalma Sabo Mendes (procurador do Estado de MT aposentado) - primo


Obs: e grande maioria é produtor rural também, seria tudo ao acaso, todos muito estudiosos e que venceram na vida? Eta Brasil

quinta-feira, abril 15, 2010

As caminhonetes na Estrada das Palmas

Paulo Sérgio da Silva (IACOREQ)[1]


A forma como os ruralistas bageenses tentaram, e conseguiram, impedir a vistoria dos técnicos do INCRA a uma área de terras na localidade de Palmas, onde residem cerca de 50 familias remanescentes de quilombos, suscita a necessidade de uma reflexão acerca dos métodos nada democráticos que a pretensa elite rural utiliza no interior do Estado para demonstrar sua força.

Ao que consta, a situação da comunidade remanescente de quilombos de Palmas é conhecida de há muito tempo. Inúmeras matérias jornalísticas foram realizadas tendo como foco a comunidade de negros que há séculos habita o Rincão do Inferno, lugar assim chamado pelas dificuldades de acesso que a região apresenta, foram feitos sólidos estudos sócio-históricos-antropológicos por profissionais vinculados a centros universitários de pesquisa.

Além disso, tramita na esfera judicial um processo que visa a regularização fundiária das áreas de terras que pertencem a Comunidade quilombola de Palmas. Para contribuir e colaborar com a causa da comunidade quilombola de Palmas, existe uma certidão oficial de reconhecimento da comunidade emitida pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura e o reconhecimento do Ministério Público Federal sobre a pertinência do pleito quilombola.

Mesmo assim, diante de todas estas evidencias, os produtores rurais ou ruralistas, como queiram descumprem flagrantemente a Lei impedindo o direito constitucional do cidadão de ir e vir, demonstrando numa clara tentativa, intimidar com suas potentes caminhonetes as autoridades constituídas que tentam exercitar e cumprir o seu papel de servidores públicos.

De todas as significativas transformações que operam no meio rural, talvez uma das mais importantes em curso tenha sido a emergência das comunidades remanescentes de quilombos que estão tendo a coragem de desafiar um passado de sofrimento e exploração, determinado no Rio Grande do Sul por uma estrutura agrária opressiva e que teve na escravidão da população negra o ápice de sua crueldade.

A estratégia dos quilombos contemporâneos na defesa de seus interesses está sendo articulada, e aí reside a surpresa, sob o viés de uma ferramenta que até pouco tempo era praticamente inacessível as comunidades negras do meio rural, a Justiça Legal. Não a justiça da patronagem e do clientelismo mas a justiça em que à luz do Direito, utiliza suas instituições para a defesa dos interesses de minorias sociais que estiveram ao longo dos séculos subjugadas ao poder de mando e decisão de produtores ou ruralistas, que constituíram verdadeiros feudos rurais.

Desta forma resta a sociedade refletir sobre estes métodos anti-democráticos, e que infelizmente são corriqueiros no Estado, utilizados pelos produtores rurais na defesa de interesses individuais que tentam perpetuar uma situação histórica que não mais existe, ou que está em franco processo de transformação. Tudo o que os senhores proprietários rurais não querem, e o que infelizmente demonstram as ações de Bagé, é um diálogo que considere direitos constitucionais de minorias étnicas.

Não são os representantes dos ruralistas que definem quem são os remanescentes de quilombos, são as próprias comunidades que amparadas no direito do auto reconhecimento e da auto determinação dos povos que se identificam como tal e, cobram a garantia da regularização das áreas de terras que ocupam secularmente. Hoje essa condição é direito garantido em Lei.

Os ruralistas de Bagé dariam um grande exemplo para o País, reconhecendo o direito daqueles que sob o jugo violento e desumano da escravidão, ajudaram a formar o capitalismo agrário da região e dos quais esses mesmos senhores foram os maiores beneficiados, retirando suas caminhonetes da estrada e dando acesso à perspectiva de construção de uma sociedade mais justa, sem racismo.



[1] Doutorando em Educação, Mestre em Desenvolvimento Rural e integrante do Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombos.


Incra critica ação ilegal dos ruralistas em Bagé

A Superintendência Regional do Incra no RS divulgou nota oficial criticando a situação de conflito criada em Bagé por proprietários rurais que impediram, ontem, que funcionários do instituto ingressassem na área da comunidade quilombola das Palmas, em processo de regularização. A nota relata o ocorrido e lamenta a ação dos ruralistas:

A Superintendência Regional do Incra RS vem a público lamentar a situação de conflito criada em Bagé por proprietários rurais. Hoje (13) pela manhã, técnicos do Incra estiveram a campo iniciando o levantamento fundiário necessário ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação do território da comunidade quilombola das Palmas. Um grupo de ruralistas cercou a equipe e não permitiu a realização do trabalho, dentro da área do próprio quilombo, em atitude totalmente ilegal e incompreensível.

Os servidores registraram queixa, e o Incra/RS está tomando providências para a realização do levantamento em segurança.

Cabe ressaltar que a atitude desmedida deste grupo depõe contra os avanços que o estado têm registrado nas políticas de reconhecimento dos direitos das comunidades remanescentes de quilombo. São do RS as duas primeiras comunidades quilombolas urbanas tituladas no país, no resgate de uma dívida histórica que o Estado brasileiro tem com o povo negro. Um avanço na cidadania, nos direitos humanos.

Em Bagé, a comunidade das Palmas habita a região há 200 anos. Em 2005, abriu processo no Incra para a regularização do seu território. Já possui laudo sócio-histórico-antropológico feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Incra/RS precisa iniciar os demais estudos necessários para definir o território a ser titulado em nome da comunidade.

Todo o processo é realizado de maneira pública, com muita tranqüilidade, seguindo a legislação competente, com acompanhamento do Ministério Público Federal. Uma vez publicado o RTID, há garantia de prazo de contestação por quem quer que se sinta prejudicado. Proprietários de áreas que devam ser desapropriadas são indenizados, a preço de mercado, conforme os termos legais.

Por tudo isto, é lamentável a atitude de um grupo como este em Bagé, que não buscou o diálogo, e sim o confronto. Só podemos entender que esta seja, terrivelmente para os gaúchos, a manifestação explícita de um racismo que tanto castiga o povo negro em nosso país, e que nos envergonha. Os quilombolas vizinhos, na visão destes proprietários, não têm o direito de registrar a sua própria terra.

Lamentamos esta atitude. Mas seguiremos o curso da história e da lei, e o município de Bagé poderá se orgulhar de ter resgatado a cidadania de seus quilombolas, quando a comunidade das Palmas estiver de posse de seu título, depois de séculos de espera.

quinta-feira, abril 08, 2010

Amigos são estradas

Certos amigos são indispensáveis, simples
como aquela estradinha de terra no interior,
onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha,
sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar,
são transparentes e confiáveis.

Outros acabaram de chegar,
como estradas que só conhecemos pelo Guia,
e vamo-nos aventurando sem saber muito bem seus limites,
é um caminho desconhecido,
mas que sempre vale a pena trilhar.

Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais,
que pouco usamos, pouco vemos,
mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá,
poderemos passar e cortar caminho,
mesmo distante, estão sempre em nossa memória.

Por certo, também existem amigos que infelizmente,
lembram aquelas estradas maravilhosas,
com pistas largas e asfalto sempre novo,
mas que enganam o motorista,
pois são cheias de curvas perigosas,
e quando você menos espera...
é traído pela confiança excessiva.

E existem amigos que são como aquelas estradaso
que desapareceram, não existem mais,
mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade,
saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada,
que deixou marcas profundas em nosso coração.
Foram, mas ficaram impregnados em nossa alma.

E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta
amigos são mais do que estradas,
são placas que indicam a direção,
e naqueles momentos em que mais precisamos,
por vezes são o nosso próprio chão.


Paulo Roberto Gaefke

segunda-feira, abril 05, 2010

É o Circo de novo

É de rir para não chorar. O circo vivo da RBS, particularmente no Jornal do Almoço do dia 5 de abril, dando um tom de “seriedade” ao divulgar os novos fatos sobre o assassinato do ex-secretário da saúde Eliseu Santos. As âncoras do JA, agora em tom de preocupação, faziam chamadas para o relato da promotoria, numa tentativa explícita de não se comprometer ou de apagar suas “tarefas” realizadas dias atrás sobre os fatos, ou seja, a rapidez da Zero Hora e dos demais veículos da RBS em acatar a tese de latrocínio e tirar de foco, com urgência urgentíssima, o assassinato. Aliás, a atitude é muito semelhante à da postura da emissora quanto da morte do membro do governo Yeda “encontrado” morto em Brasília. O sr. Testa de Ferro da firma, Lasier Martins, falando em tom fúnebre da sala onde era dado o depoimento do Ministério Público é digna de uma cena de Hichcock, a magia de pensar que enganam todo mundo, é o ilusionismo colocado em prática. Até quando?


José Ernesto Alves Grisa

Mestre em Sociologia.

domingo, abril 04, 2010

O conluio dos três poderes antidemocráticos

Por João Pedro Stedile
A democracia verdadeira está relacionada com a possibilidade de cada cidadão, todos e todas, terem acesso ao direito à terra, ao trabalho, à renda necessária para uma vida digna, à educação, saúde, moradia digna, cultura e lazer. É evidente que a sociedade brasileira está muito longe dessa situação democrática.

Mas eu gostaria de chamar a atenção para outro viés antidemocrático da sociedade brasileira – os três poderes, reais, que exercem enorme controle sobre nossa sociedade: as grandes empresas capitalistas, os meios de comunicação e o poder judiciário. Nenhum deles é eleito ou possui alguma forma de controle por parte da população. Ou seja, fazem o que querem sem que a população tenha o direito de reclamar.

Nos últimos tempos foi se formando um verdadeiro conluio entre esses três poderes para defender os interesses de uma classe dominante cada vez mais rica, concentradora e desumana. Os grupos que controlam os meios de comunicação geram uma versão na sociedade sobre um fato e induzem o poder judiciário ou o Ministério público a agir. Disso podem resultar processos, criminalização, uso da polícia ou escárnio público.

Vejam o caso da ocupação que o MST fez da fazenda grilada pela empresa Cutrale. As terras são públicas, da União. Mas a Globo transformou o caso num crime hediondo. A juíza de plantão pediu a prisão de 51 pessoas. E a polícia civil e militar do governo Serra fez o serviço com ares de espetáculo. Depois o Tribunal de Justiça mandou soltar os presos, tal a injustiça. Mas a Globo não repercutiu. E a “sociedade” já tinha formado sua opinião.

João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil

O guerreiro Obama e o peixe fora d’ água

Por Frei Betto

Obama é uma decepção! Recebeu imerecidamente o Nobel da Paz -um presidente que guerreia o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão- e, em discurso de agradecimento, pronunciou a palavra "guerra" 49 vezes!

Obama apoiou o governo golpista de Micheletti em Honduras e, agora, ocupa militarmente o Haiti, sob pretexto de socorrer as vítimas do terremoto, e militariza a América do Sul através da implantação de sete novas bases usamericanas na Colômbia, onde já operam seis.

Só mesmo um ingênuo acredita que os 800 soldados e os 600 civis made in USA que se instalam na Colômbia têm por objetivo combater o narcotráfico e o terrorismo. Desde 1952 os EUA se fazem presentes na Colômbia sob o mesmo pretexto; nem por isso houve redução do tráfico de drogas, consumidas em grande quantidade pela população usamericana.

O objetivo da IV Frota é desestabilizar o governo Chávez, manter sob vigilância o Equador governado por Rafael Correa, dificultar as vias aéreas e terrestres entre Venezuela, Equador, Bolívia e Paraguai, e controlar as fronteiras com o Brasil.

O governo usamericano empenha-se em reforçar sua hegemonia no planeta. Hoje, ele mantém 513 bases militares na Europa; 248 na Ásia; 36 no Oriente Médio; 21 na América Latina; 5 na África. Total: 823, que ocupam uma superfície de 2.863.544 km2.

Sabem quantas bases militares estrangeiras há nos EUA? Nenhuma.

As tropas estadunidenses gozam de imunidade judicial e tributária nos países que operam e dispõem da mais moderna tecnologia bélica, desde aeronaves não tripuladas, conhecidas por UAS (Unmanned Aircraft System) aos aviões F15 Strike Eagle com velocidade de 2.660 km/h, autonomia de voo de 5h15min e capacidade de voar a 18 mil metros de altura.

Porém, não é só com equipamento bélico que os EUA cuidam de dominar o mundo. Utilizam, sobretudo, recursos ideológicos, como as produções cinematográficas hollywoodianas tipo "Avatar", que visam a nos convencer de que a salvação vem de fora e vem de quem possui mais tecnologia e ciência...

Na última semana de janeiro estive no Equador participando de um evento que reuniu povos indígenas de quase toda a América Latina. Eles se sentem ameaçados, inclusive pelos novos governos democráticos-populares. À exceção de Evo Morales, difícil para os demais governantes reconhecerem que os povos indígenas têm direito à língua, cultura, sistemas econômico e escolar, métodos de produção e terra próprios.

Isso lembra uma antiga parábola oriental: ao observar que o macaco tirou o peixe da água e o colocou no cimo da árvore, a águia perguntou-lhe por que fizera aquilo. O macaco respondeu: "Para que possa respirar melhor e não morrer afogado."

É esse nosso colonialismo entranhado, essa nossa subserviência aos "valores" consumistas do mundo ocidental, essa reverência ao "american way of life", essa convicção de que a felicidade reside na posse de bens finitos e não de valores infinitos, que nos faz tirar o peixe do rio para que possa respirar melhor...

sexta-feira, abril 02, 2010

Ipea aponta para a necessidade de reforma agrária no país

A agricultura familiar é responsável pela grande maioria das ocupações no meio rural, se comparada a todos os demais vínculos ocupacionais, incluindo-se aí os postos de trabalho gerados pelo agronegócio. A persistência de uma estrutura fundiária fortemente concentradora, no entanto, continua sendo um problema grave no Brasil.

Essa é uma das conclusões do Comunicado nº 42 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado PNAD 2008: setor rural, que será divulgado hoje, 1º de abril, às 10h, no auditório da sede do instituto em Brasília (SBS, Quadra 1, Bl. J, Ed.Ipea/BNDES, subsolo).

O estudo, feito por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea, avaliou dados relativos à população rural de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, e também do Censo Demográfico 2006. A pesquisa avalia que a questão agrária ainda é importante no País, mesmo com a diferença em relação ao tamanho da população das cidades, e procura oferecer um quadro das condições de vida nas áreas rurais a partir de alguns indicadores sociais e de desenvolvimento humano, analisados sempre em perspectiva comparativa com o cenário urbano.

O Comunicado do Ipea explica, ainda, as razões que levaram a um aumento da renda domiciliar rural per capita entre 2004 e 2008. E lança um alerta sobre a grande quantidade de trabalhadores agrícolas que estão fora de qualquer relação de assalariamento, caracterizando um desafio à estrutura do sistema de direitos e garantias sociais.

O Ipea é uma entidade pública federal vinculado ao Ministério do Planejamento.

Fonte: Diário Gauche