sábado, setembro 11, 2010

CERVEJINHA

ESSA É PARA A VIDA TODA!

Um professor de filosofia, parou na frente da classe e sem dizer uma palavra, pegou um vidro vazio e o encheu com pedras de uns 2 cm de diâmetro. Olhou para os alunos, e perguntou se o vidro estava cheio.

Todos disseram que sim.

Ele então, pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos, jogou-os dentro do vidro agitando-o levemente, os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras.

Tornou a perguntar se o vidro estava cheio.

Os alunos concordaram: agora sim, estava cheio!

Dessa vez, pegou uma caixa com areia e despejou dentro do vidro preenchendo o restante.

Olhando calmamente para as crianças o professor disse:

- Quero que entendam, que isto, simboliza a vida de cada um de vocês.

As pedras, são as coisas importantes: sua família, seus amigos, sua saúde, seus filhos, coisas que preenchem a vida.

Os pedregulhos, são as outras coisas que importam: como o emprego, a casa,um carro...

A areia, representa o resto: as coisas pequenas....

Experimentem colocar, a areia primeiro no vidro, e verão que não caberá as pedras e os pedregulhos...

O mesmo vale para suas vidas.

Priorizem, cuidar das pedras, do que realmente importa.

Estabeleçam suas prioridades.

O resto é só areia!

Após ouvirem a mensagem tão profunda, um aluno perguntou ao professor se poderia pegar o vidro, que todos acreditavam estar cheio, e fez novamente a pergunta:

- Vocês concordam que o vidro esta realmente cheio?

Onde responderam, inclusive o professor:

- Sim está!

Então, ele derramou uma lata de cerveja dentro do vidro.

A areia ficou ensopada, pois a cerveja foi preenchendo todos os espaços restantes, e fazendo com que ele, desta vez ficasse realmente cheio.

Todos ficaram surpresos e pensativos com a atitude do aluno, incluindo o professor.

ENTÃO ELE EXPLICOU:

NÃO IMPORTA O QUANTO SUA VIDA ESTEJA CHEIA DE COISAS E PROBLEMAS, SEMPRE SOBRA ESPAÇO PARA UMA CERVEJINHA !!!!!!

segunda-feira, setembro 06, 2010

O mundo é maior que eu



Dia desses estava no meu quarto lendo à espera de um amigo que passaria lá para cambiar umas idéias, ele havia perdido o pai há alguns meses e não nos falávamos havia um tempo. “Fogo morto” de José Lins do Rego era o objeto o qual meus olhos passeavam, a leitura oscilava, isto é, me concentrava por hora e me pegava pensando nas minhas últimas, digamos assim, desastradas experiências por vezes. Não poderia eu me incomodar com os últimos fatos acessando tal livro, a vida árida do município de Pilar, na Zona da Mata paraibana no início do século XX era bem pior que a minha. Saber da seca, da distância e da violência, embora através da ficção, é para esquecer esse momento de baixa auto-estima, me pensava. Não seria isso que faria olvidar-me de tal situação como veremos.
Pablo chegou acompanhado da saudade e do violão, mantinha o mesmo rosto terno e forte. Marquei e fechei o último representante do "Ciclo da Cana-de-açúcar" neo-realista e demos início a longa tarde de músicas e conversas. Não demorou muito para que eu, inconvenientemente, começasse a lamúria com minhas histórias de insucessos amorosos e financeiros. Ele me ouvia atento como que planejando a réplica. Depois de tantos causos, Pablo tomou a palavra e me contou o seguinte:
“Sabes Alfredo que há pouco faleceu meu pai, e antes disso ele ficou em situação grave no hospital por três meses. Nesse período de visitas eu e minha família descobrimos que ele tinha outra família, outra mulher e mais dois filhos, um rapaz e uma moça. Com o choque da doença, que não permitia que ele falasse e da descoberta, minha mãe parou de ir visitá-lo no hospital, ela perdeu aos poucos a legitimidade já que a outra família era presença constante. No velório e no enterro do meu pai eu estive sozinho, rodeado de pessoas estranhas, ninguém da minha família foi e no dia que me despedi do meu pai não pude abraçar ninguém.”
Pablo me contou tudo sem derramar uma lágrima e sorria às vezes, não foi lendo José Lins do Rego que esqueci as minhas histórias banais mal-sucedidas e sim, ouvindo meu amigo. O mundo é maior que eu, e devo entender que sou feliz.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Stephen Hawking: Deus não criou o universo

LONDRES (AFP) - Deus não tem mais lugar nas teorias sobre a criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física, afirma o cientista britânico Stephen Hawking em seu novo livro, que teve trechos divulgados nesta quinta-feira.

Demonstrando uma posição mais dura em relação à religião do que a assumida nas páginas do best-seller internacional "Uma breve história do tempo", de 1988, Hawking diz que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade.

"Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", escreve o célebre cientista em "The grand design", que será publicado em série no jornal The Times.

"Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.

Hawking se tornou mundialmente famoso com suas pesquisas, livros e documentários, apesar de sofrer desde os 21 anos de idade de uma doença motora degenerativa que o deixou dependente de uma cadeira de rodas e de um sintetizador de voz.

Em "Uma breve história do tempo", Hawking sugeria que a ideia de Deus ou de um ser divino não é necessariamente incompatível com a compreensão científica do universo.

Em seu mais recente trabalho, no entanto, Hawking cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora de nosso Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos.

"Isso torna as coincidências de nossas condições planetárias - o único sol, a feliz combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - bem menos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres humanos", afirma Hawking.

domingo, agosto 29, 2010

DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO EM MADRID


Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia. A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados, um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses
fundos?

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos- emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

sábado, agosto 28, 2010

Mais um zagueiro

Um libriano dificilmente sai do sério, dizem os conhecedores do zodíaco, todavia, há sempre exceções à regra e por razões ainda desconhecidas, Alfredo chegara a Palco furioso na tarde de domingo, último dia do mês. Entrou batendo portas e oferecendo indelicadezas que, até então, não faziam parte do seu repertório sempre equilibrado no trato. Dona Sandra, surpresa com o comportamento do rapaz subiu para entender a razão do destempero. Alfredo, já com o tom de voz amansado, não abriu a porta, mas disparou que logo após o banho desceria.

Com a água massageando o cérebro Alfredo, ao mesmo tempo em que se acalmava, matutava um modo de pedir desculpas ao casal que lhe acolhe e ainda, como se não bastasse, explicar que teria que atrasar o pagamento da pensão em um mês. Vamos compreender o porquê nosso jovem depois de irritado está arrependido. O domingo prometia, o sol saiu cedo e se manteve presente, ao meio dia churrasco com os amigos, cerveja gelada e Alfredo que tinha certo trauma familiar com jogo até se permitiu um truco “as brincas”.

No meio da tarde tudo parava para o futebol, os dois grandes times da cidade jogavam no mesmo horário, a turma se dividia entre torcedores de ambas as equipes e um deles era fanático por um time interiorano. Esse torcedor solitário, provocador, gostava de jogatina e de desafiar. Todos sabiam dessa peculiaridade do sujeito, instigavam-no e se divertiam com as performances que dela advinham. Fim do primeiro tempo e da terceira caixa, o time de Alfredo vencia por dois gols de diferença fora de casa, foi então que o calavero de plantão propôs uma aposta para Alfredo com o argumento de que ele deveria se livrar dessa aura traumática que lhe acompanhava quando se tratava de apostas. A proposta era muito simples e altamente tentadora, se o time de Alfredo ganhasse o jogo a turma pagaria seu aluguel do mês no dia seguinte, porém se o time adversário virasse a partida Alfredo pagaria o churrasco e toda bebida que estavam a desfrutar, o que correspondia ao mesmo valor praticamente.

Ao terminar a história em que a cerveja e o sol na cabeça venceram seu bom senso, Alfredo cabisbaixo diante de seu Lauro e de dona Sandra reforçou o pedido duplo de desculpas e prometeu nunca mais confiar em seu potencial para qualquer tipo de jogo e nem em Aldo, zagueiro do seu time que marcou dois tentos na singular jornada daquele domingo, um aos 37 e outro aos 41 do segundo tempo, ambos contra é claro.

terça-feira, agosto 24, 2010

Da para crer?

Um antropólogo chamado Pascal Boyer estava apresentando em Cambridge um estudo que fez com o povo Fang de Camarões. Ele explicava que tal povo acredita em bruxas que sobrevoam povoados, envenenam plantações e o sangue das pessoas. E ainda que essas bruxas comiam os seres envenenados em banquetes. Durante a apresentação, um renomado teólogo da universidade pediu a palavra e proferiu a seguinte frase: "é isso que torna a antropologia fascinante e também tão difícil, você tem que explicar como as pessoas acreditam em tamanhos absurdos". Boyer ficou surpreso.

Pressupondo que o teólogo seja um cristão normal, ele provavelmente acredita numa combinação das seguintes coisas:

1- no tempo dos ancestrais, um homem nasceu de uma mãe virgem, sem nenhum pai biológico envolvido;

2- o próprio homem sem pai voltou a vida após ficar três dias morto e enterrado;

3- quarenta dias depois o homem sem pai subiu em uma montanha e desapareceu no céu;

4- se você murmurar coisas na sua cabeça, o homem sem pai, e seu pai (que é ele mesmo), ouvirá seus pensamentos e pode tomar providências em relação a eles. Ele é capaz de ouvir simultaneamente os pensamentos de todas as pessoas do mundo;

5- se você faz alguma coisa ruim, ou alguma coisa boa, o mesmo homem sem pai vê tudo, mesmo que ninguém mais veja. Você pode ser recompensado e punido, inclusive depois de sua morte;

6- a mãe virgem do homem sem pai nunca morreu, mas foi transportada corporeamente para o céu;

7- pão e vinho, se abençoados por um padre (que precisa ter testículos), transformam-se no corpo e no sangue do homem sem pai.


E o teólogo de Cambridge acha um absurdo a crença do povo Fang, não é meio absurdo?

Adaptei essa narrativa que está no livro "Deus um delírio" do cientista Richard Dawkins, nas páginas 235 e 236.


segunda-feira, agosto 23, 2010

Pelas barbas do profeta

A oferta que eu tinha nas mãos era terrível, desproporcionalmente injusta. Ainda assim me via obrigado a fazer negócio, já que estava tão perto de acabar com toda aquela espera. Claro que quando isso terminar não vou esquecer o que passei, cada ameaça que recebi nos tempos de escola, cada batalha derrotado pelo vento, mas também vou levar comigo as lembranças boas, as surpresas positivas de quando estava rasgando aquele envelope caro e misterioso. Esse negócio sem dúvida vai marcar uma virada de ciclo, uma mudança de página na minha vida. Terminando essa etapa parece que a minha infância se ajeita melhor nas lembranças, vou deixar de ter essa sensação de começar e não terminar as coisas e, apesar de simbólico, vou completar minha primeira década de vida de vez com esse passo.

Não tendo mais o que barganhar nem o que pensar entreguei para o Jorge minhas 245 figurinhas repetidas e corrigi um texto dele, chatíssimo, de 43 páginas sobre engenharia da computação em troca de uma figura, falei que iria sair perdendo. Alexi Lalas é o nome que o fundo da minha mente mais guardou nesses anos, zagueiro norte-americano, símbolo de sua equipe na copa do mundo de 1994, sua figurinha era a última que faltava no primeiro e último álbum que tive na vida.

O Jorge, que conheci em um campeonato de botão, o que é raro hoje, nem álbum tem, mas achou mexendo nas coisas do seu irmão mais velho algumas figurinhas dentre elas a que eu mais cobiçava, a ponto de fazer o negócio que fiz. Ele vai vender na internet as figurinhas repetidas que me logrou, que tantas moedas do pai custaram e que alguns calos na mão fizeram, do jogo do bafo. Meu nome é Alfredo, acho que vocês já me conhecem, fiquei muito feliz por ter completado o álbum da copa que o Romário ganhou, entretanto, ontem quando cheguei na “Palco” (pensão onde moro) deixei a relíquia na portaria e fui buscar meus óculos para perto, não vejo o álbum a três dias, seu Lauro estava dormindo.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Inocência

A água do canto das ruas estava quase na altura do cordão da calçada e em algumas partes passava disso, chovia fraco, mas constantemente naquele fim de tarde de sexta-feira. O frio parecia aumentar no galope do ponteiro que nos aponta os segundos no relógio, com pouca roupa, pois saira de manhã, Alfredo caminhava a passos largos para chegar na última aula do seu quinto semestre de letras. Havia uma convidada na sala, a professora estava recebendo Lindria, uma jovem escritora chilena. De voz fina, cabelos curtos e rasteiras que não salientavam a sua estatura alta para padrões femininos, Lindria viera falar sobre seu primeiro livro, um romance intitulado "Inocência".
O cansaço de Alfredo era visível, mas com o passar do tempo ele se interessou, não pela palestra nem pelo romance, que nas primeiras frases da autora já julgara mais uma auto ajuda, se interessou pela moça, pela pele, o espanhol cantado, o cabelo. Alfredo morava em uma pensão chamada "Palco" que tinha como costume receber estrangeiros, os donos desse singular lugar gostavam de fazer papel de guias turísticos com seus hóspedes. Já imaginaram o rumo da prosa não é? Lindria no final de sua explanação perguntou se alguém conhecia um lugar com as características do caracterizado acima, com o perdão da redundância. Alfredo, que era de titubear, dessa vez não o fez e tratou de indicar a "Palco" e se oferecer para acompanhá-la se fosse o caso. Pela falta de opções e pela indelicadeza da professora que não lhe ofertara um quarto a escritora aceitou a dica do cansado e molhado Alfredo. Ela tinha 32 anos e ele 25 recém feitos, jantaram um prato feito nada glamuroso, conversaram sobre as línguas, a literatura latina e se conheceram minimante. Alfredo percebeu um cacoete no nariz dela e Lindria se mantinha clássica a ponto de ser difícil de ler, até para o narrador, o que suas impressões cantavam. Chegaram na pensão, seu Lauro, o dono do lugar, estava quase pegando no sono quando Alfredo apresentou a moça de sotaque castelhano. Ela escolheu um quarto e se recolheu, ele contrariado fez o mesmo. Ao dar boa noite para o menino Lindria agradece e lhe diz que qualquer coisa estaria lendo no quarto 303, Alfredo gaguejou um pouco e lhe devolveu as gentilezas. Deitado de pijama ele começou a pensar se as últimas palavras da chilena poderiam representar algo, um convite talvez? Será que ela queria alguma continuidade na conversa? Apesar de cansado, o sono não passava nem perto da cama de Alfredo, ele pensou um tempo, engendrou outro bocado e se decidiu, tomou seu remédio para esses momentos e em menos de 5 minutos dormiu.

sábado, agosto 14, 2010

A chacina de Uribe

O fascista Uribe, agora ex-presidente colombiano, que é um fantoche americano e acusa o governo de Chávez das coisas mais absurdas e infundadas é o responsável por chacinas de líderes sociais na Colombia. Seu governo é o mais violento da América Latina desde as ditaduras militares, milícias militares são as responsáveis por tratar com os movimentos sociais de oposição. Essa cova coletiva achada é a prova material de todo esse processo. A mídia comprada brasileira nem faz mensão a um acontecimento tão absurdo como esse.


Em uma audiência pública realizada dia 22 de julho – mesmo dia que o agora ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, solicitou uma reunião de urgência da Organização de Estados Americanos (OEA) para denunciar a Venezuela – uma delegação internacional composta por 10 dirigentes sindicais, 6 membros do Parlamento europeu, 3 membros do Parlamento britânico, 3 delegados da Espanha e 2 dos Estados Unidos testemunharam a existência da gigantesca fossa comum encontrada no povoado de Macarena, no Departamento de Meta, Colômbia. Trata-se da maior fossa comum da história recente da América Latina, com aproximadamente 2.000 cadáveres. O assunto vem sendo praticamente ignorado pela imprensa brasileira e internacional. Imaginem se fosse na Venezuela ou na Bolívia…

O secretário do Comitê Permanente de Defesa dos Direitos Humanos da Colômbia, Jairo Ramírez, descreveu assim o que testemunhou: “O que vimos foi de arrepiar, uma infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a inscrição NN e com datas que vem desde 2005 até hoje”. Segundo Ramírez, o comandante do Exército colombiano disse que os corpos eram de guerrilheiros mortos em combate, mas moradores da região garantem que, entre os mortos, estão líderes sociais, comunitários e camponeses que desapareceram sem deixar rastro. Já há na Colômbia um movimento para denunciar Álvaro Uribe ao Tribunal Penal Internacional pela prática de crimes contra a humanidade.

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quinta-feira, agosto 12, 2010

Diversidade

Este cartaz saiu da Espanha e está rodando o mundo (traduzido).

Muito bom para chacoalhar os países que estão discriminando estrangeiros,

mas bom também para todo mundo, para uma reflexão sobre nossos preconceitos,

nossas escolhas e nossas rejeições...!

cid:1.519222926@web38303.mail.mud.yahoo.com

Viver ultrapassa qualquer entendimento.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Ode aos herdeiros políticos




O autor é o poeta português José Miguel Silva, que nasceu em maio de 1969, na Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto. Atualmente vive em Lisboa. O vídeo é do ator paulista Antonio Abujamra, acima.

Eu, Gregório; creio que não podemos generalizar, nem todos seguem os mesmo rumos, mas o poema descreve com precisão muitas trajetórias que hoje são homenageadas com seus nomes nas ruas que andamos e muitas outras trajetórias que serão homenageadas nas ruas em que nossos netos e bisnetos andarão.


Aqui segue o texto na íntegra do vídeo.


GANHAM AOS CATORZE ANOS A PRIMEIRA GRAVATA, COM AS CORES DO PARTIDO QUE MELHOR OS ILUDE. AOS QUINZE, SEGUEM A CARAVANA. APLAUDEM CONFORME O CENHO DAS CHEFIAS. SÃO OS CHAMADOS ANOS DE FORMAÇÃO. AÍ APRENDEM A COMPOR O GESTO, A INTERPRETAR HUMORES, A MENTIR HONESTAMENTE. APRENDEM A LEVEZA DAS PALAVRAS, A ESCOLHER O VINHO, A ESPUMAR DE SORRISO NOS DENTES. APRENDEM O SIM E O NÃO MAIS OPORTUNOS. AOS VINTE ANOS, JÁ CONHECEM PELO CHEIRO O CARISMA DE UNS, A MENOS-VALIA DE OUTROS, ENQUANTO PROSSEGUEM VAGOS ESTUDOS DE DIREITO OU ECONOMIA. ESTÃO DE OLHO NOS PRIMEIROS CARGOS; É PRECISO MINAR, DESMINAR, INTRIGAR, REUNIR. SÓ OS PIORES CONSEGUEM ULTRAPASSAR ESSA FASE. HÁ ENTÃO OS QUE VÃO PARA OS MUNICÍPIOS, OS QUE PREFEREM OS ORGANISMOS PÚBLICOS. TUDO DEPENDE DE UM GOLPE DE VISTA OU DOS PATROCÍNIOS À DISPOSIÇÃO. É BEM O MOMENTO DE INTEGRAR AS LISTAS DE ELEGÍVEIS, PONDO SEMPRE A BAIXEZA ACIMA DE TUDO. A PARTIR DO PARLAMENTO, TUDO PODE ACONTECER: DIRETOR DE EMPRESA PÚBLICA, COORDENADOR DE CAMPANHA, ASSESSOR DE MINISTRO, MINISTRO, DIRETOR EXECUTIVO, PRESIDENTE DA CAIXA, EMBAIXADOR NA PQP!... MAIS À FRENTE, PARA COROAR A CARREIRA, O GOLDEN-SHARE DE UMA CADEIRA AO PÔR-DO-SOL. NO FINAL, PARA OS MAIS OBSTINADOS, PODE HAVER NOME DE RUA (COM OU SEM ESTÁTUAS), FLORES DE PANEGÍRICO, FANFARRAS E... FORMOL!

Sobre o autor:
O poeta português José Miguel Silva nasceu em maio de 1969, em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto. Publicou os seguintes livros de poesia: O Sino de Areia (Gilgamesh, 1999), Ulisses Já Não Mora aqui (&etc, 2002), Vista Para um Pátio Seguido de Desordem (Relógio D’Água, 2003), 24 de Março (2004) e Movimentos no Escuro (Relógio D’Água, 2005).

quinta-feira, agosto 05, 2010

As músicas

Tem músicas que me fazem pensar em coisas tão gigantes
nas explosões das estrelas sabe, na formação do planetas a partir disso
no sentido do hidrogênio que a coisa mais fundamental do universo..
me faz pensar na formação da Via láctea que tem o maior planeta (Júpiter) posicionado exatamente na frente da Terra, defendendo de todos corpos selestes o único planeta com vida perto do Sol...
músicas me fazem pensar na cosmologia, no surgimento da vida bacteriana
na formação da coluna vertebral, do olho, já pensaram como evoluiu o olho dos animais? Cada um com suas peculiaridades, focos, distâncias, cores.
Me faz pensar na seleção natural de Darwin que é uma teoria genuinamente simples, assim como a origem de onde ela parte. Agora, aquilo que ela explica, por outro lado, é tão complexo que quase não da pra explicar: a evolução é mais complexa que qualquer coisa que possamos imaginar, tirando claro um Deus que dizem seria capaz de projetá-la.
Bueno me parei a escrever do nada por causa do John Mayer.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Outras Frequências

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais

mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval
não vemos graça nas gracinhas da tv
morremos de rir no horário eleitoral

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a ferrari pra trás
seria mais fácil, como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim


Composição: Humberto Gessinger

sexta-feira, julho 30, 2010

CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.