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Zeitgeist é uma palavra alemã que significa "o espírito do tempo" e é título de um filme-documentário e um movimento, ele deveria ser obrigatório nas escolas e universidades dos nossos dias, trata de vários assuntos como religião, política, economia, poder, cultura, valores entre outros. Para assistir já com legendas clique em Zeitgeist o primeiro e o segundo aqui.
A página dos filmes é www.zeitgeistmovie.com
O trecho abaixo está no primeiro
Quanto mais investigamos aquilo que pensamos compreender, de onde viemos, o que pensamos que estamos a fazer, mais começamos a ver que fomos enganados. Fomos enganados por todas as instituições. O que vos faz pensar por um minuto que a instituição religiosa é a única que nunca foi tocada? As instituições religiosas deste mundo estão no fundo da sujidade. As instituições religiosas neste mundo são lá colocadas pelas mesmas pessoas que vos deram o vosso governo, a vossa educação corrupta, que criaram os cartéis internacionais de bancos, porque os nossos mestres não dão a mínima para vocês ou a vossa família. Tudo com que se preocupam é com o que sempre se preocuparam e é em controlar todo o maldito mundo. Quanto mais se educam, mais percebem de onde as coisas vêm, mais óbvias as coisas se tornam e começam a ver mentiras em todo o lado.
Jordan Maxwell
Sabe aquelas pedrinhas pequenas, pontudas, que quando
pisamos descalços machucam, mas logo que levantamos o
pé, percebemos que a pedrinha é a mais bem definida...
Sabe aquelas distâncias que parecem bem curtas, que
estamos ali perto, mas sempre falta um pouco. Falta
uma palavra, ou, às vezes, falta o jeito de dizer a
palavra...
Sabe aquela caída que o pescoço dá quando ouvimos ou
sentimos uma coisa muito boa, fruto de um carinho...
Sabe aquela respiração que fala, que acusa ou a
impaciência ou felicidade...
Sabe! Todas essas ‘coisas’ e várias outras, são um
conjunto de significados que dependem de alguém para
acontecer ou não. Viver sem sentir essas ‘coisas’, não
é viver, portanto cuidar e bem tratar quem faz com que
as sintamos é a opção que faço, com todos os meus
defeitos, exageros e erros, faço porque prezo, tolero
e dependo.
De tudo que passa, independente do que é, ou do que
será, o que realmente fica são os sentidos
(significados), e esses se refletem na sinceridade
do que se sente. E é dessa sinceridade que derviva,
também, não só a beleza, mas, principalmente, a
essência do que se sente. É a essa essência que
atribuo o nome de amor.
Escrevinhei em 8 de março de 2007.
Paulo Sérgio da Silva (IACOREQ)[1]
A forma como os ruralistas bageenses tentaram, e conseguiram, impedir a vistoria dos técnicos do INCRA a uma área de terras na localidade de Palmas, onde residem cerca de 50 familias remanescentes de quilombos, suscita a necessidade de uma reflexão acerca dos métodos nada democráticos que a pretensa elite rural utiliza no interior do Estado para demonstrar sua força.
Ao que consta, a situação da comunidade remanescente de quilombos de Palmas é conhecida de há muito tempo. Inúmeras matérias jornalísticas foram realizadas tendo como foco a comunidade de negros que há séculos habita o Rincão do Inferno, lugar assim chamado pelas dificuldades de acesso que a região apresenta, foram feitos sólidos estudos sócio-históricos-antropológicos por profissionais vinculados a centros universitários de pesquisa.
Além disso, tramita na esfera judicial um processo que visa a regularização fundiária das áreas de terras que pertencem a Comunidade quilombola de Palmas. Para contribuir e colaborar com a causa da comunidade quilombola de Palmas, existe uma certidão oficial de reconhecimento da comunidade emitida pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura e o reconhecimento do Ministério Público Federal sobre a pertinência do pleito quilombola.
Mesmo assim, diante de todas estas evidencias, os produtores rurais ou ruralistas, como queiram descumprem flagrantemente a Lei impedindo o direito constitucional do cidadão de ir e vir, demonstrando numa clara tentativa, intimidar com suas potentes caminhonetes as autoridades constituídas que tentam exercitar e cumprir o seu papel de servidores públicos.
De todas as significativas transformações que operam no meio rural, talvez uma das mais importantes em curso tenha sido a emergência das comunidades remanescentes de quilombos que estão tendo a coragem de desafiar um passado de sofrimento e exploração, determinado no Rio Grande do Sul por uma estrutura agrária opressiva e que teve na escravidão da população negra o ápice de sua crueldade.
A estratégia dos quilombos contemporâneos na defesa de seus interesses está sendo articulada, e aí reside a surpresa, sob o viés de uma ferramenta que até pouco tempo era praticamente inacessível as comunidades negras do meio rural, a Justiça Legal. Não a justiça da patronagem e do clientelismo mas a justiça em que à luz do Direito, utiliza suas instituições para a defesa dos interesses de minorias sociais que estiveram ao longo dos séculos subjugadas ao poder de mando e decisão de produtores ou ruralistas, que constituíram verdadeiros feudos rurais.
Desta forma resta a sociedade refletir sobre estes métodos anti-democráticos, e que infelizmente são corriqueiros no Estado, utilizados pelos produtores rurais na defesa de interesses individuais que tentam perpetuar uma situação histórica que não mais existe, ou que está em franco processo de transformação. Tudo o que os senhores proprietários rurais não querem, e o que infelizmente demonstram as ações de Bagé, é um diálogo que considere direitos constitucionais de minorias étnicas.
Não são os representantes dos ruralistas que definem quem são os remanescentes de quilombos, são as próprias comunidades que amparadas no direito do auto reconhecimento e da auto determinação dos povos que se identificam como tal e, cobram a garantia da regularização das áreas de terras que ocupam secularmente. Hoje essa condição é direito garantido em Lei.
Os ruralistas de Bagé dariam um grande exemplo para o País, reconhecendo o direito daqueles que sob o jugo violento e desumano da escravidão, ajudaram a formar o capitalismo agrário da região e dos quais esses mesmos senhores foram os maiores beneficiados, retirando suas caminhonetes da estrada e dando acesso à perspectiva de construção de uma sociedade mais justa, sem racismo.
[1] Doutorando em Educação, Mestre em Desenvolvimento Rural e integrante do Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombos.
A Superintendência Regional do Incra no RS divulgou nota oficial criticando a situação de conflito criada em Bagé por proprietários rurais que impediram, ontem, que funcionários do instituto ingressassem na área da comunidade quilombola das Palmas, em processo de regularização. A nota relata o ocorrido e lamenta a ação dos ruralistas:
A Superintendência Regional do Incra RS vem a público lamentar a situação de conflito criada em Bagé por proprietários rurais. Hoje (13) pela manhã, técnicos do Incra estiveram a campo iniciando o levantamento fundiário necessário ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação do território da comunidade quilombola das Palmas. Um grupo de ruralistas cercou a equipe e não permitiu a realização do trabalho, dentro da área do próprio quilombo, em atitude totalmente ilegal e incompreensível.
Os servidores registraram queixa, e o Incra/RS está tomando providências para a realização do levantamento em segurança.
Cabe ressaltar que a atitude desmedida deste grupo depõe contra os avanços que o estado têm registrado nas políticas de reconhecimento dos direitos das comunidades remanescentes de quilombo. São do RS as duas primeiras comunidades quilombolas urbanas tituladas no país, no resgate de uma dívida histórica que o Estado brasileiro tem com o povo negro. Um avanço na cidadania, nos direitos humanos.
Em Bagé, a comunidade das Palmas habita a região há 200 anos. Em 2005, abriu processo no Incra para a regularização do seu território. Já possui laudo sócio-histórico-antropológico feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Incra/RS precisa iniciar os demais estudos necessários para definir o território a ser titulado em nome da comunidade.
Todo o processo é realizado de maneira pública, com muita tranqüilidade, seguindo a legislação competente, com acompanhamento do Ministério Público Federal. Uma vez publicado o RTID, há garantia de prazo de contestação por quem quer que se sinta prejudicado. Proprietários de áreas que devam ser desapropriadas são indenizados, a preço de mercado, conforme os termos legais.
Por tudo isto, é lamentável a atitude de um grupo como este em Bagé, que não buscou o diálogo, e sim o confronto. Só podemos entender que esta seja, terrivelmente para os gaúchos, a manifestação explícita de um racismo que tanto castiga o povo negro em nosso país, e que nos envergonha. Os quilombolas vizinhos, na visão destes proprietários, não têm o direito de registrar a sua própria terra.
Lamentamos esta atitude. Mas seguiremos o curso da história e da lei, e o município de Bagé poderá se orgulhar de ter resgatado a cidadania de seus quilombolas, quando a comunidade das Palmas estiver de posse de seu título, depois de séculos de espera.
José Ernesto Alves Grisa
Mestre em Sociologia.
Por Frei Betto
Obama é uma decepção! Recebeu imerecidamente o Nobel da Paz -um presidente que guerreia o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão- e, em discurso de agradecimento, pronunciou a palavra "guerra" 49 vezes!
Obama apoiou o governo golpista de Micheletti em Honduras e, agora, ocupa militarmente o Haiti, sob pretexto de socorrer as vítimas do terremoto, e militariza a América do Sul através da implantação de sete novas bases usamericanas na Colômbia, onde já operam seis.
Só mesmo um ingênuo acredita que os 800 soldados e os 600 civis made in USA que se instalam na Colômbia têm por objetivo combater o narcotráfico e o terrorismo. Desde 1952 os EUA se fazem presentes na Colômbia sob o mesmo pretexto; nem por isso houve redução do tráfico de drogas, consumidas em grande quantidade pela população usamericana.
O objetivo da IV Frota é desestabilizar o governo Chávez, manter sob vigilância o Equador governado por Rafael Correa, dificultar as vias aéreas e terrestres entre Venezuela, Equador, Bolívia e Paraguai, e controlar as fronteiras com o Brasil.
O governo usamericano empenha-se em reforçar sua hegemonia no planeta. Hoje, ele mantém 513 bases militares na Europa; 248 na Ásia; 36 no Oriente Médio; 21 na América Latina; 5 na África. Total: 823, que ocupam uma superfície de 2.863.544 km2.
Sabem quantas bases militares estrangeiras há nos EUA? Nenhuma.
As tropas estadunidenses gozam de imunidade judicial e tributária nos países que operam e dispõem da mais moderna tecnologia bélica, desde aeronaves não tripuladas, conhecidas por UAS (Unmanned Aircraft System) aos aviões F15 Strike Eagle com velocidade de 2.660 km/h, autonomia de voo de 5h15min e capacidade de voar a 18 mil metros de altura.
Porém, não é só com equipamento bélico que os EUA cuidam de dominar o mundo. Utilizam, sobretudo, recursos ideológicos, como as produções cinematográficas hollywoodianas tipo "Avatar", que visam a nos convencer de que a salvação vem de fora e vem de quem possui mais tecnologia e ciência...
Na última semana de janeiro estive no Equador participando de um evento que reuniu povos indígenas de quase toda a América Latina. Eles se sentem ameaçados, inclusive pelos novos governos democráticos-populares. À exceção de Evo Morales, difícil para os demais governantes reconhecerem que os povos indígenas têm direito à língua, cultura, sistemas econômico e escolar, métodos de produção e terra próprios.
Isso lembra uma antiga parábola oriental: ao observar que o macaco tirou o peixe da água e o colocou no cimo da árvore, a águia perguntou-lhe por que fizera aquilo. O macaco respondeu: "Para que possa respirar melhor e não morrer afogado."
É esse nosso colonialismo entranhado, essa nossa subserviência aos "valores" consumistas do mundo ocidental, essa reverência ao "american way of life", essa convicção de que a felicidade reside na posse de bens finitos e não de valores infinitos, que nos faz tirar o peixe do rio para que possa respirar melhor...