segunda-feira, março 30, 2009

O Carcereiro de Protógenes Queiroz

Deduções interessantes, acredito que algumas previsões são audaciosas e pessimistas, vale o exercício da reflexão. Concordo plenamente com a observação do final do texto.

"Considerando que Jabutis Não Sobem em Árvores, e todas às vezes que vemos um em cima de um galho, podemos ter a certeza que alguém o pôs lá, descrevo aqui alguns pensamentos que me têm assaltado, de acordo com a análise dos últimos acontecimentos, em torno da Opereção Satiagraha, totalmente e propositadamente personalizada no delegado da PF Protógenes Queiroz.

Parto do princípio do que já é público e notório, que a Operação Satiagraha é o cerne de um Esquema de Poder, que permeou e permeia, tanto o governo de FHC, quanto o de Lulla. A Satiagraha é o ponto de encontro descoberto entre o PT e o PSDB. O seu prosseguimento exporia os dois campos, a esta altura falso contendores, a não ser pela gerência da entrega do País.

Então, Vamos ao Telão! (como diz o bordão de uma excelente comediante da atualidade fantasiada de Cachoupa Portuguesa, em programa de Humor de Bordão - o único humor genuinamente brasileiro).

Desfecha-se, desde há 15 dias, o que parece ser a investida final contra Protógenes Queiroz, tendo como fato determinante o seu depoimento tomado nestes últimos dias, que determinou o seu indiciamento, mas tendo como alvo o enfraquecimento e, quiçá, desmobilização dos resultados e documentos da Op. Satiagraha, com implicados que ameaçam acabar com a República, caso sejam prejudicados em demasia. Vide o Marcos Valério, que pacientemente sabe que não sofrerá muito, pois é um arquivo, vivo ou morto.

Poucos dias antes do depoimento de Protógenes, o ex ministro e “articulador alternativo” (laranja) e não institucional do PT José Dirceu, abre o bico e reclama da “perseguição que sofre de Protógenes Queiroz”, dizendo-se obrigado a estender por mais tempo que o esperado sua estada na Europa “pois Protógenes queria me prender, junto com Daniel Dantas”. Acrescentou que achou muito estranho o arrombamento e furto de computador de seu escritório, implicitamente colocando como possível, ter sido uma ação clandestina de Protógenes..

Assim, no dia seguinte desta declaração, é visto como centro das atenções em convescote de Lullo Petistas, tira foto ao lado do vice presidente, beija a mão da ministra “Mãe do PAC” e a declara “candidata do PT às eleições presidenciais, e não por alguma imposição, mas sim por reflexão e inserção dela no PT, além de sua competência”(e isso como se já fosse o dono do PT, a esta altura uma carne de tendal em putrefação para uso de políticos oportunistas).

Assim beija a mão daquela que veio para o seu lugar, para apagar os resquícios da gestão, digamos Waldomiriana do José Dirceu, quando ministro. Terá feito isso "de grátis", politicamente falando? No dia seguinte, os jornais (e ainda dizem que são contra o Lullo Petismo), estampam declarações, entrevistas e até falas de D. Dilma, em pleno abono ao José Dirceu, não se esquecendo, os jornalistas amestrados, da frase chave, presente em TODAS as matérias: José Dirceu está sendo reincorporado ao PT, é o Articulador Político do Partido e, em breve, tudo isso será oficializado.

De quebra, declarações que dão como certa a refiliação de, pasmem, Delúbio Soares no PT, com candidatura garantida (e certamente já equacionada financeiramente).

Tudo com um “timming” perfeito, como se as coisas tivessem sido meticulosamente preparada e organizada, nas várias etapas e rituais públicos. Enquanto o precursos das milicias no RJ, vereador e depois deputado do PT, Jorge Babu, continua nas fileiras do PT, mesmo depois de, após preguiçosas gestões administrativas, já ter sido expulso, recentemente, pela DN do Partido.

Só não ficamos sabendo dos rituais privados desta pantomima macabra de reabilitação de pública de José Dirceu, ou seja, o isolamento de personalidade pública que descobriu podres e mais podres, de lá e de acolá, e que está muito incômodo para a aplutocracia rapinante que manda nos mandantes deste Brasil.

Já que não divulgaram, vou dar uma versão que imaginei, e acho que pode ser muito próxima da realidade, pois são baseadas em Fatos de domínio público.

Já estava claro que Protógenes não interessava a mais ninguém. A denúncia e o produto das investigações tomaram rumos próprios (como acontecem nos grandes casos) e pode atingir alhos e bugalhos.

Da parte da Direita, a Veja já tinha feito o que pode, dando voz e assumindo versões claramente a favor do Esquemão Daniel Dantas. Mas, não mandam na Polícia Federal, que iria interrogar, como interrogou Protógenes.

Assim, o governo precisava de um Jabuti (olha ele aí!) para subir na árvore e gritar, do lado de acolá.

Foi a conta! Contemplou José Dirceu que, além de ser alvo de Protógenes por suas ligações perigosas, inclusive com aquele Russo milionário que faz falcatruas pelo mundo. Por sua vez, o governo arriscando de ser atingido profundamente, por qualquer centelha de Protógenes.

Na minha imaginação, o acordo privado entre as partes, inclusive a parte de Daniel Dantas foi acionar o José Dirceu para emitir a senha do Isolamnento de Protógenes, para ser abraçado pela "esquerda", pelas ligações Dirceusianas em vários escalões do governo e pela militância, a alertando que estavam abraçando um "sapo do PSOL", segundo alguns, para que a ordem do governo em isolar Protógenes, não parecesse "coisa da Veja".

Em troca, ou melhor, COMO PAGAMENTO por este SERVIÇO SUJO E SÓRDIDO, José Dirceu seria (como foi) reabilitado perante a Opinião Pública, enquanto Protógenes Queiroz poderá ser até afastado da PF, como aliás, noticiou Josias de Souza n'A Folha de São Paulo, creio eu a partir de informações concretas. Ou então como parte de um plano para forçar o Governo manter o Protógenes, para não acatar A Folha....

Assim, pela inexplicável coincidência dos episódios e sucessão dos fatos, em tão importante episódio da atualidade política, e pela total omissão dos “analistas” de plantão em mencionarem algo sobre estas que, afirmo, podem ser meras coincidências, mas que dou-me o direito de especular.

E, se eu estiver certo, quem sabe se José Dirceu, em um possível mandato de D. Dilma Roussef, não será nomeado o Carcereiro de Protógenes? E tendo Daniel Dantas como seu Chefe, na Polícia Federal.

Afinal, especular não custa nada e Jabutis Não sobem em Árvores! Ao menos sozinhos.

P.S. - Rezo todos os dias, para um Deus que desconfio inexistente, para que Protógenes Queiroz não tenha tentado atalhos investigatórios que maculem o seu trabalho, e acabem por favorecer os infratores. Mas, mesmo que tenha cometido este deslize, os enredados nestas falcatruas não ficariam “inocentes” só por isso."

Raymundo Araujo Filho
Médico veterinário e nunca viu cobra casar com jacaré, a não ser se domesticados pelo homens, assim talvez seja possível.

domingo, março 29, 2009

Fatal


O filme trata das questões de fundo das relações entre pessoas com diferença significativa de idade e vai dividir opiniões, por isso é interessante ver. Eu gostei porque não se trata de um longa estereotipado nem óbvio. A fotografia e mais uma boa interpretação do ator Ben Kingsley são os destaques do filme.

"A curiosidade está para o conhecimento assim como a libido está para o sexo".

terça-feira, março 24, 2009

Em busca de Fátima

Ler sobre o contexto da criação do Estado de Israel, tentar entender as razões históricas do recente massacre sofrido pelos palestinos na Faixa de Gaza, pode parecer uma atividade cansativa e distante dos nossos interesses latinos e brasileiros. Nem uma coisa nem outra, primeiro porque é fundamental termos mínima noção do que vem ocorrendo com o povo palestino, segundo porque pode não ser um processo enfadonho, pois Ghada Karmi nos narra sua biografia de modo muito interessante no livro "Em busca de Fátima - Uma história Palestina". Com informações políticas e culturais detalhadas e ao mesmo tempo necessárias a autora nos faz passear pelo universo do seu povo. É uma espécie de diário que como tal carrega experiências pessoais, somadas a um constante exercício de contextualização. Boa leitura!








segunda-feira, março 23, 2009

Dúvida



Querem ver atuações ótimas, querem ver roteiro simples, mas que nos prende? Olhem Dúvida! O melhor ator contemporâneo e a melhor atriz já algum tempo são capazes de, sem sair de uma escola, falar de um mundo de problemas e de sentimentos característicos da nossa espécie. Tipo filme pra quem gosta de cinema.

Em defesa das escolas itinerantes

Nosso estado (Rio Grande do Sul) vive momentos delicados, o executivo tropeça dia após dia em suas políticas em geral, especialmente as educacionais, o judiciário coligado da um exemplo ainda pior, quando tenta criminalizar movimentos sociais, engendra e apóia o fechamento de escolas do MST e ainda ameaça indiciar os trabalhadores rurais que mantiverem seus filhos nas Escolas Itinerantes. A seguir segue um documento em defesa dessas escolas.


"A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius, e parte direitista do Ministério Público do estado estão golpeando as Escolas Itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, decretando o banimento dessas instituições educativas. O ato de proscrever essa inspiradora iniciativa educativa do MST é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países.Para proteger os latifúndios e as corporações, em especial as de celulose, Yeda e seus aliados querem cortar o que julgam ser o "mal pela raiz": a educação das crianças, dos jovens e dos adultos que estão acampadas há anos, pois nada é feito em prol da reforma agrária. A governadora quer silenciá-los.Os camponeses foram expropriados de suas terras pelo poder do grande capital e nenhuma alternativa econômica lhes foi possibilitada. É por isso que as bandeiras do MST tremulam à beira das rodovias que ladeiam os latifúndios destrutivos. Dignamente os camponeses resistem lutando pela democracia que, para ser verdadeira, não pode prescindir dos meios econômicos que assegurem condições de vida humana. E as Escolas Itinerantes são parte desse processo civilizatório.As Escolas Itinerantes do MST são espaços de conhecimento, criação, socialização com base em valores ético-políticos libertários e democráticos. São espaços públicos de formação humana, de crítica e de renovação do pensamento pedagógico brasileiro e latino-americano. Estudiosos de diversos países as investigam e as difundem por meio de teses, artigos, experiências de educação popular, propagando ideais pedagógicos originalmente sistematizados e difundidos por Paulo Freire. As Escolas Itinerantes são lugares que estão propiciando reflexões que permitem construir um melhor futuro para a educação pública, gratuita, laica e autônoma frente aos interesses particularistas e mesquinhos como os professados pelo atual governo estadual.Exigimos a imediata reabertura das Escolas Itinerantes acompanhadas pelo MST, bem como a garantia de que o poder público assegurará a infra-estrutura necessária ao pleno funcionamento das mesmas. Os signatários do presente Manifesto estarão acompanhando as ações do governo estadual nos sindicatos, nas escolas, nas universidades, nas lutas sociais, promovendo denúncias e atos políticos até que as escolas voltem às crianças, aos jovens e aos professores que nelas atuam."
Assinam:
Carlos Walter Porto-Gonçalves – UFF
Eduardo Galeano – Escritor (Uruguai)
Emir Sader – UERJ, Secretario Executivo do CLACSO
Gaudêncio Frigotto – UERJ
Ivana Jinkings –Editora Boitempo

domingo, março 22, 2009

O Leitor


Saber ler, orgulho, sensibilidade, maldade e poder são alguns dos temas que "O Leitor" traz. Vale a pena ver!

sábado, março 21, 2009

Vamos falar do que?


Sou um privilegiado, tenho boas condições de moradia, me alimento e me visto bem, frequento lugares legais e convivo com pessoas com essas mesmas condições. Estou saindo da juventude, com quase 25 anos algumas preocupações começam a nos atormentar, mas não são todos que passam por esse processo. Esses dias me fiz uma pergunta que me inquietou: sobre o que os jovens-adultos como eu conversam? Quais os temas dos papos dos bem de vida?
Tenho algumas hipóteses advindas das minhas experiências, do meu convívio e algumas suposições. Se fizermos uma banca de apostas, futebol e mulher seriam os assuntos escolhidos pela maioria para dar seus lances, no entanto esse chavão vem enfraquecendo na minha opinião. No passado essa aposta seria certeira, hoje nem tanto. Drogas! Esse é o principal tema, ou melhor, é o tema desencadeador das conversas, das risadas, das histórias.
Vários dos meus contemporâneos vão pensar; "ta e daí? que caretice". Pode ser, mas vou tentar me explicar. Meu problema não é somente com as drogas (seus males a saúde e os perigos do seu excesso) e sim com a cultura rasteira que ela produz. Sabe quem mais se destaca na sua turma hoje em dia na burguesia? Sabe quem mais tem a palavra? Quem é o mais engraçado e serve de modelo? É aquele que mais coisas absurdas faz, aquele que extrapola o limite do nexo, da educação, é aquele que sob o efeito químico tem a história mais arriscada, mais violenta, mais escatológica, enfim, aquele que não é diferente pelo que é como pessoa ou pelo que produz como ser humano e sim pelas bizarrices capaz de cometer no momento mais distante de si mesmo, ou seja, alterado.
Portanto, o que existe é uma disputa para ser o sujeito descrito acima, e como se chega a esse objetivo? Se distanciando, significativamente, de tudo que pode ser "normal" ou "certo", já que ser comum é não ser visto. A juventude abastada que pouco se interessa (salvo exceções) por problemas de outros grupos sociais, que pouco lê, que não se deixa levar por outras curiosidades a não ser a de "experimentar", achou uma maneira de fuga muito prazerosa e nela fica girando em si mesma.
Todas essas características não são passíveis de generalizações, mas são evidências da cultura da droga cara a qual me referi. Futebol e mulher continuam sendo assunto, conversas regadas a inúmeros produtos, que por sua vez produzirão efeitos e esses serão responsáveis pelas peripécias, e essas se tornaram histórias que serão contadas e as risadas serão dadas e os exemplos de pessoa constituídos. Como se a virtude de tais histórias fosse fruto do seu ser, quando na verdade, é fruto do que essa cultura da fuga e da droga o tornou. Refinaram-se também os valores e infelizmente pra pior.
Não quero esse mundo para o meu mundo, e não são as "qualidades" já referidas que irão melhorar ou mudar alguma coisa, o vício orgânico, a dependência mesmo não é cabível de julgamento, entretanto, os efeitos históricos de toda essa cultura nos grupos e nas personalidades das pessoas são passíveis de análise crítica, sim.

sexta-feira, março 20, 2009

segunda-feira, setembro 15, 2008

Ambos (título meu)

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, setembro 01, 2008

Percorrer

Aos poucos os segredos humanos se mostram deitados na mesma esteira

Os sonhos, os temperos e as dores só percebidos da nossa maneira.

Construir um bom lugar

Ter desejo pra levar

Com quase o mundo pra mudar caminhar com o teu passo ao meu lado é muito bom

Sentir, ir fundo, acalmar nos dias em que os sonhos caírem no chão.

O encanto da rotina mudando o amor decorado com novas certezas

A sombra dos momentos vividos um aprendizado que não tem fronteiras


Acordes: A7+ - E - B - A

Ponte: F# - A(2x) - B

Refrão: E - E7 - A - F#m

segunda-feira, agosto 25, 2008

Gaúchinhos de meia-tijela



Eles já estão chegando e já estão cercando o Parque. Cercar, é coisa bem deles!!!

Estes tradicionalistas, são os que tem a "brasilidade e a gauchesa", baseados nos invasores, nos dominadores, nos escravistas, nos exterminadores de Índios, Caboclos, Mestiços e Negros; nos Portugueses e Espanhóis, e se orgulham de ser herança desses.

Apologia ao latifúndio

Estes são aqueles que exaltam a atrasada e raivosa estrutura do latifúndio

Estes que tem como fundamento a propriedade privada da terra, que fazem o aliciamento da cultura e simulam hábitos dos vencidos como seus, para criar uma hegemonia e perpetuar os interesses alheios ao povo.

O Tradicionalismo Guasca

Estrutura do CTG é a estrutura do latifúndio:

- Patrão

- Capataz

- Peão

-Prenda

Esta é a face do latifúndio, preconceituosa, machista e raivosa!!

terça-feira, agosto 19, 2008

Raça, sociologicamente


Para o professor da UFRGS, José Carlos dos Anjos, as cotas raciais reduzem a desigualdade social sofrida pelos negros.


JOSÉ CARLOS DOS ANJOS*


Os espaços de interação que envolvem processos de recrutamento, filtragem e rusgas sociais, estão informados por esquemas geradores de apreciações e expectativas do tipo: "quando o negro não suja na entrada, suja na saída". Conceituar raça do ponto de vista sociológico é levar em conta o peso histórico do efeito agregado de milhares de reconhecimentos cotidianos ligeiros e insustentáveis como esse. Trata-se do efeito histórico de dispositivos objetivos e de disposições subjetivas para repartir e definir o lugar das pessoas tendo como uma das bases de apreciação o fenótipo. O "lugar de negro", esse execrável princípio de partição de populações, se faz evidente porque existe esse substrato material causador de impressões marcantes em disposições subjetivas preparadas para racializar.


Não é porque cientistas dizem que raças não existem que elas passam a não existir socialmente. Historicamente, a não existência de raças precisa ser praticada, imaginada em dispositivos institucionais concretos, tornada presença visível de negros nos espaços mais caros da nação, sob pena de ficarmos condenados à presença visível da insistência de raça.


A entrada nos campos mais especializados de concorrência social como é o caso das profissões liberais, a universidade, os mundos artísticos de elite, estão duplamente interditados aos negros. Em primeiro lugar pelas exigências vinculadas ao direito de entrada, condicionadas pelo peso das heranças (no caso do vestibular, o capital econômico que faculta o acesso a cursinhos, por exemplo).


Em segundo lugar, a cor da pele conforma um habitus racista que se expressa, sobretudo nos momentos de seleção para cargos e funções dos espaços sociais mais institucionalizados. O modo de funcionamento do racismo limita tanto mais as expectativas com relação a candidatos negros quanto mais elevados os níveis de concorrências. Mais ainda do que a ausência de capital econômico, cultural e social, as trajetórias negras carregam uma herança (negativa) que se reproduz continuamente, que é o destino na forma como ele é socialmente construído e incorporado.


Isto é, uma criança negra que não vê nenhum médico negro nas novelas e não tem nenhum parente médico dificilmente poderá desenhar para si um destino de médico. Uma família negra que sabe que um investimento custoso nos níveis iniciais de ensino não irá se reverter em possibilidade de entrada na faculdade para a sua criança dificilmente fará esse investimento por um longo período de tempo. Não se trata apenas, portanto de uma questão de desigualdade na distribuição de renda. Há uma desigualdade na distribuição de expectativas de ascensão social. É essa reorganização nacional da economia das expectativas que está hoje em jogo quando se fala em políticas afirmativas, como as cotas.

* José Carlos dos Anjos é doutor em Antropologia e Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH/UFRGS).

sexta-feira, agosto 15, 2008

Salvar como

Dissonantes são os acordes de uma canção pálida

Carbonizados são os passos pulados, quem caminha conta história

Em resquícios por vezes, mas conta;

Triste é ter uma memória sem esquecimentos;

É não ter um olvidamento para nos lembrar..

quinta-feira, agosto 14, 2008

Elogio da sombra


Jorge Luis Borges


A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.


terça-feira, agosto 05, 2008

D'Alessandro


Falar antes além de arriscado é difícil, pois não sabemos como será a adaptação com o clube, com os colegas e com a cidade. Por isso o 'se' vai estar tacitamente presente aqui na minha opnião. D"Alessandro é o tipo de jogador que gosto de ver jogar, aquele que justifica a existência do futebol como um esporte que exige criatividade acima de tudo, porém é importante dizer que ele é um jogador dependente. Porque? Se ele criar como queremos o Nilmar deve ficar, alguém tem que provar os vinhos que o argentino servir e esse alguém tem de ser enólogo de qualidade que desfrute de todos os aspectos da obra. D'Alessandro tem um histórico de personalidade, por vezes até exagerada, creio que isso pode fazer bem para o time, até de modo subjetivo, pois percebo o inter muito passivo e submisso perante a injustiças de campo tidas como corriqueiras. Em fim se o time e o técnico criarem boas condições coletivas El Cabezón tem tudo para multiplicar nossas razões de ir ao gigante vermelho.


Yeda! Os professores não terão o aumento previsto em lei

Hoje, com 35 votos favoráveis e dois contrários, a Assembléia Legislativa aprovou o projeto que eleva o salário da governadora Yeda Crusius para R$ 17.347,14. O vice-governador e os secretários estaduais passarão a receber R$ 11.564,76. Não vou discutir a situação vergonhosa que passa o governo do estado e a própria governadora porque tem gente que faz melhor, por isso indico dois blogs muito interessante para quem quer entender o processo político gaúcho, são eles:


http://www.rsurgente.net/

http://www.diariogauche.blogspot.com/

domingo, agosto 03, 2008

Faltam professores de filosofia e sociologia

O diretor de educação básica do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior), Dilvo Ristoff, diz temer que a ausência de professores capacitados para lecionar filosofia e sociologia inviabilize o cumprimento da lei sancionada em junho passado que prevê a inclusão das duas disciplinas no currículo de escolas de ensino médio do país.
De acordo com um estudo feito pela Capes, o Brasil tem, atualmente, 31.118 profissionais atuando como professores de filosofia, sendo que, desse total, apenas 23% têm formação específica. Na sociologia, são 20.339 professores atuantes, sendo 2.499 licenciados (12%).
"Agora teremos que incluir a filosofia e a sociologia no nosso plano emergencial. Estamos, inclusive, revendo os planos orçamentários para 2009. Vamos ter que chamar todas aquelas pessoas que têm uma formação correlata como história, ciência política e a sociologia pura, sem a licenciatura, para atender a lei", diz o diretor.
Ristoff estima que o número de professores de filosofia e sociologia formados por ano deve aumentar 20 vezes, para atender a demanda. No total, serão necessários 107.680 docentes de cada disciplina e, atualmente, formam-se, por ano, 2.884 docentes de filosofia e 3.018 de sociologia.
"Se a gente levar em conta que 50% dos que se formam tendem a exercer outras profissões, a gente chega ao dramático número de 40 vezes mais graduados por ano."
Pela lei, a filosofia e a sociologia deverão passar a integrar os currículos dos três anos do ensino médio em escolas das redes pública e particular --são 24.131 estabelecimentos de ensino médio, no total.

Obs: cursos por vezes discriminados, entretanto importantes para pensarmos o mundo, nossa vida e agora também curso bons para o aclamado 'mercado de trabalho'.

Novo retorno!

Obs: Estou voltando a escrever no blog, dessa vez serão questões mais informais sobre diversos assuntos e também haverá textos de outras pessoas (fonte devidamente citada) e notícias interessantes. Esse é um panfleto do PCB acerca das eleções municipais em Alegrete.
Um abraço a todos.
Gregório

CARTA AOS ALEGRETENSES

“Politicamente, os homens foram sempre as vítimas ingênuas dos outros e deles próprios e serão sempre enquanto não tiverem aprendido a discernir por trás das frases, das declarações e das promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses desta ou daquela classe”. Lênin


Eleições 2008 - A arena está montada, os atores estão em cena, tem peça para todos os gostos. Aqui trazemos uma breve avaliação das forças em disputa na cidade de Alegrete.

O PP, partido de históricos defensores da ditadura militar, apresenta Leoni Caldeira/Bolsson. Há tempos (des)governa o município na lógica do assistencialismo, do clientelismo e do patronalismo político. Exerce um forte controle social sobre as camadas mais pobres, através da economia eleitoral, onde os instrumentos mais utilizados são cestas básicas, bolsa família, mutirões de serviços, utilização de cargos de confiança etc. Seu domínio ideológico se dá pela conservação da cultura tradicional do latifúndio (ruralismo arcaico), do qual é sua representação máxima, ou seja, usa da introjeção cultural nos segmentos alienados da população. Exerce forte cooptação nos meios de comunicação através de troca de favores e de lideranças sindicais e comunitárias, sempre disponíveis no mercado político. Sua continuidade no poder representa a manutenção da estagnação econômica, social e política da nossa pobre cidade.

O PSDB/PDT e seus concordes são os representantes genuínos do Governo Yeda, atolado em corrupção e com uma prática fascista de repressão aos movimentos sociais. Representantes do neoliberalismo, juntam-se ao PPS, partido do ex-governador Antonio Brito e de Busato, responsáveis pela maior privatização que o Estado do Rio Grande do Sul sofreu nos últimos tempos, onde foram passados grandes patrimônios públicos para o setor privado, enriquecendo esses políticos. O PDT local serve como sucursal dos interesses das RBS. O cômico desta aliança é o PV, defensor da ecologia, ao lado das forças que, comprometidamente, estão no governo do RS possibilitando a instalação dos desertos verdes. Representam um setor econômico agrícola que, consorciado com o poder do latifúndio local, é especialista em confundir o público com o privado, haja vista, que suas atividades econômicas são subsidiadas ou anistiadas historicamente pelas diferentes esferas de governo. São muito espertos no uso da máquina pública.

PMDB/PT, apoiados pelo “oportunista” PC do B, pelo DEM de ACM Neto e dos “ultradireitistas” Ônix Lorenzoni e Bolsonaro, têm seu objetivo primordial na busca do poder, não para mudar alguma coisa, mas para permitir que suas bases acessem aos cargos do poder local, pois assim podem manter suas definhadas militâncias, ávidas e sedentas por espaços na economia pública. É a tentativa de construir o novo com o conteúdo velho. Se alterar a questão fundiária é pré-requisito para o desenvolvimento local, é bom não esquecer os conceitos do candidato a prefeito desta aliança sobre a questão agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, sua posição é tão reacionária e autoritária como é a de um grande estancieiro. O PT não possui mais “memória”, esqueceu disso ou concorda? As experiências administrativas tanto do candidato quanto de seu partido não os recomendam à administração pública. Sua representação de classe são os agroboys (nova geração de latifundiários), uma classe média falida, porém arrogante e conservadora. O PT é metamorfose da consciência de classe, de defensor do socialismo nos seus primórdios a um dócil administrador do capitalismo neoliberal, aburguesado, traiu a si mesmo e aqueles que sonhavam com a revolução social.

Uma simples alternância de partidos no poder significa trocar seis por meia dúzia, pois ambos propõem a manutenção da estrutura agrária, econômica e social em favor da elite local. Para o povo, nada de substancial significa. A história tem demonstrado isso, sai um, entra outro e o município, com o passar dos anos, definha social e economicamente. Boa parte da população economicamente ativa padece no desemprego estrutural. O que tem restado, principalmente aos jovens, é pegar a estrada e buscar outros lugares.

Mas Alegrete não é só miséria. Se existe a pobreza de uma ampla maioria, é por que também se produz riqueza, que é abocanhada por poucos, uma espécie de colonialismo interno, onde a distribuição da riqueza produzida aqui vai parar nos bolsos da elite conservadora associada ao capital das grandes redes de negócios, e agora, às multinacionais do agronegócio, juntos investem nosso capital em outras praças (imóveis em capitais, praias, turismo e mandar seus filhos para o exterior). O que sobra para os pobres e negros é a violência física agregada à violência verbal histórica a que estão submetidos, portanto, uma combinação de exploração com racismo, isto é luta de classe. Os meios de comunicação locais: rádios, jornais, etc, comprometidos com um ou outro bloco da elite local, fazem parte da divisão dos recursos públicos.

Recusamo-nos, na ação política, a sermos levados ao sabor do vento, nossa identidade é sermos oposição de esquerda a Lula/Ieda/Pillar e/ou seus representantes, ou seja, aos governos que representam os interesses da burguesia e dos latifundiários. Apesar de sabermos que o poder econômico mercantiliza a política institucional, precisamos de um canal de luta para todos que estão indignados com a mesmice, que desacreditam na institucionalidade burguesa e nos partidos tradicionais, que querem manifestar seu protesto, sua rebeldia.

Mesmo com a não concretização da Frente de Esquerda, pois o PSOL se apresentou de forma premeditada e hegemonista, sedento para se consolidar como representante da esquerda institucional no vácuo deixado pelo PT, o PCB optou por participar nas eleições recomendando um voto crítico no advogado e professor Djalmo Santos, que tem colocado sua experiência profissional a serviço dos movimentos sociais, dos pobres e excluídos de nossa cidade. É o único que pode levantar a problemática da reforma agrária, do desemprego, da falta de saúde, de habitação e de uma educação emancipadora, portanto, traz propostas próximas daquilo que conceituamos como Governança Comunista.



quarta-feira, outubro 10, 2007

Mudança

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta terça-feira um aumento salarial de 60% para os médicos do setor público durante um ato em homenagem aos 40 anos de morte do guerrilheiro Ernesto Che Guevara. A medida entrará em vigor a partir de 1o. de novembro, com incidência nos benefícios de dezembro, segundo o anúncio.

No domingo, Chávez assinou um decreto para aumentar 40% do salário dos professores a partir de 1o. de novembro, e anunciou que no próximo ano os horários de trabalho para os funcionários públicos serão de oito horas de segunda a quinta e quatro horas na sexta-feira, o que está de acordo com uma nova norma constitucional que prevê um máximo de 36 horas de trabalho semanal. Fonte: Folha Online.

Essas são algumas informações que apesar de circular nos cantos dos jornais não são vistas nos grandes noticiários e nem são temas de debates.
As medidas do presidente venezuelano não superam o sistema, mas travam a constante luta contra ele, luta essa que trato sinteticamente no texto abaixo.

segunda-feira, outubro 08, 2007

América

A América Latina está vivendo um momento histórico promissor nos últimos anos, existem experiências como as da Venezuela, do Equador e da Bolívia que revigoram as esperanças da grande maioria dos povos desses países, povos esses que sofrem com a pobreza e a exploração provocadas pelas colonizações e aguçadas pelo capitalismo tardio. Com medidas que rompem com a lógica servil aos países ricos e enfrentam as oligarquias locais, esses governos assumiram a honrosa missão de promover mudanças legais e estruturais necessária para transformar seus países. Mudar a constituição nacional, estatizar as riquezas naturais e os serviços essenciais, não são ações antidemocráticas ou populistas como os ideólogos dos monopólios midiáticos e do capital afirmam, mas sim tornar concreto e prático uma opção política pela vida das maiorias pobres. Apresentar uma alternativa ao caos social e natural do planeta não significa buscarmos acordos para mantermos um equilíbrio econômico, contemporizarmos divergências com a burguesia para manter a governabilidade como vem sendo feito no Brasil.

Nossos vizinhos latinos estão demonstrando que se não houver um enfrentamento direto a mídia, ao latifúndio, as empresas que buscam lucro a todo custo, as condições materiais e culturais da população trabalhadora e miserável não mudarão. A diferença entre o governo brasileiro e os citados não é de estratégia, mas de opção de classe. Enquanto o projeto nacional que temos pretende administrar o capitalismo e qualifica-lo com assistências e gradativos acessos sociais provisórios para parte da sociedade, os governos de esquerda vão contra a maré do sistema desde as medidas concretas até a luta contra os valores e concepções capitalistas. Não estou dizendo aqui que esses governos populares são em si fórmulas prontas e receitas adaptáveis em qualquer espaço e contexto social, muito menos que tudo o que ocorre nos países que me referi é certo e perfeito. Quero deixar clara a importância da diferença de perspectiva política colocada no continente, porque se existisse uma consonância entre elas a realidade estaria se encaminhando para outro quadro.

A sociedade organizada com consciência de classe seria a maneira de superar a exploração do homem pelo homem. Essa frase é comum no meio das pessoas que buscam uma sociedade diferente da capitalista, no entanto saber disso só de modo ideal é o mesmo que não saber. Como desenvolver mecanismos de organização e conscientização social? Quais estratégias são necessárias para ocupar espaços políticos de forma crítica e revolucionária? Entendo que principalmente no meio urbano brasileiro essas questões estão em voga entre os trabalhadores, jovens, desempregados e outros segmentos.

quinta-feira, outubro 04, 2007

O velho novo jeito de governar

Esse pacote que a governadora está mandando hoje para assembléia legislativa não me surpreende nem um pouco, mas mesmo assim é importante deixar claro o que ele acarretará se for aprovado. Nunca acreditei nas promessas eleitorais do 'novo jeito de governar' que afirmavam não aumentar impostos e nem privatizar as estatais gaúchas, por isso não estou surpreso. Mas esse pacote representa mais que as mentiras da campanha, ele propõe mudar a constituição do estado para abrir caminho às privatizações, aumentar os serviços de telecomunicações e de energia elétrica, ou seja, quem paga é a maioria dos cidadãos, enquanto os latifundiários e os grandes empresários se deliciam com isenções e incentivos fiscais exorbitantes. Atualmente, as isenções e reduções relacionadas ao ICMS representam renúncia de R$ 6,5 bilhões para os cofres do Estado do Rio Grande do Sul. (Fator econômico – SP).

terça-feira, setembro 25, 2007

Feijão e arroz


O desenvolvimento das categorias e conceitos acerca de toda a realidade objetiva, ou seja, do conhecimento da coisa em si, está cada vez mais em defasagem hoje em dia, temos ficado, cada vez mais, no campo da percepção e da representação. Isso ocorre porque não temos a necessidade de projetar, construir e produzir as ferramentas e os meios que usufruímos na qualificação da nossa vida cotidiana. As ‘coisas’ são produzidas por poucos e nós nos acostumamos a receber e comprar tudo pronto a ponto de usarmos grande número de materiais descartáveis, assim ocorre no ramo da tecnologia onde usufruirmos os bens sem entender suas origens e formações. A educação é a mais afetada por essa divisão humana que está se dando cada vez mais, entre quem produz a tecnologia e quem utiliza essa tecnologia.

Quem produz, os ‘cientistas’, não são mágicos que descobrem e inventam coisas, eles foram formados em espaços com condições para se desenvolver tal conhecimento. Essas pessoas e esses espaços são extremamente restritos, nossa sociedade privilegia os laboratórios particulares porque a iniciativa privada coordena e investe astuciosamente nessa área. Se a educação pública fosse um espaço de criação tecnológica, de conhecimento científico e os profissionais do meio, fossem formados para um trabalho criador, em estruturas preparadas, as maiorias (que usam a tecnologia), teriam a possibilidade de criar tecnologia. Em uma inversão de prioridades (opção política pelos trabalhadores e miseráveis) da sociedade em geral, todo o investimento direcionado pelo estado de forma abusiva ao campo da tecnologia, deveria ser redimensionado e injetado na educação como um todo. Grande parte da humanidade utiliza (quando acessa) a tecnologia criada por uma pequena minoria, isso se da porque a distribuição da riqueza, dos bens naturais e sociais é totalmente desequilibrada na nossa atual ‘democracia’.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Tropa de elite


http://www.youtube.com/watch?v=_V_nZNWPYQk

Esse link é do trailer do filme "Tropa de elite". Dirigido por José Padilha, filme tem tudo pra ser bom.

segunda-feira, setembro 17, 2007

domingo, setembro 16, 2007

Rica base

Não aguento mais, abrir os jornais e os sites na internet e ver citado o nome de Renan Calheiros. Porque? Tenho raiva dele e acho ele corrupto? Vejo ali a vergonha do congresso? Se ele fosse cassado tudo mudaria?
Nada disso, esse é o sentimento que foi e está sendo plantado. Há muitos 'renans' no senado, e no poder público em geral. O que estamos presenciando é a mesquinharia da democracia burguesa e da 'governabilidade' representativa. Chegou-se ao ponto de ter que tornar tráfico de influência e uso de laranja coisas normais para sustentar a base aliada. Base essa que representa toda uma cultura de fazer política nas escondidas muito parecida com outras 'bases' que governaram e hoje formam a oposição mais feliz da história.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Dias assim

Se em dias assim eu me encontrar
Vou me perder sempre que puder
Que aconteçam essas coisas tais
Que me façam sentir mais do que sou capaz


Estar bem depende de alguns erros pra corrigir
Pois assim me vejo melhor
Não como sou, mas como estou sendo.
Não quero ser sempre o mesmo


Sugiro a você um estilo ou um amigo
Com quem possa contar, se a resposta ainda não veio
Quando tudo estiver escuro
E o dia acabar pelo meio


Meus defeitos aumentaram
Minhas virtudes se encontraram
Eu me entendo com adultos
Mas crianças me ensinaram que..
Dias assim são muito poucos, pra quem os conhece


Já quem não notou
Que eles existem
Pode aproveitar todo tempo do mundo
Sem se preocupar
Em sentir saudades...

terça-feira, setembro 04, 2007

http://zurdo-zurdo.blogspot.com/


Esse blog é do meu amigo Runildo Pinto. Está muito interessante.

- Ser uma alternativa à mídia oficial e contribuir para que as pessoas possam ter senso crítico. A mídia tradicional tem o poder de aliciar corações e destruir mentes. -*- O radical não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar. (PAULO FREIRE)
Essa é a proposta do blog, que como o meu é comprometido com uma informação que tem lado.

segunda-feira, setembro 03, 2007



Esse resumo abaixo, é de um artigo que foi escrito pela Larissa Grisa juntamente com colegas e professores, sobre o filme Hotel Rwanda. Ta aí outra dica, quem quiser o artigo todo é só entrar em contato.

Este artigo trata de um dos mais sangrentos conflitos periféricos, ocorrido no final
do século XX: o Genocídio de Ruanda. Ao analisar a obra cinematográfica: “Hotel Rwanda”,
refletimos sobre questões mais amplas que estão relacionadas com o preconceito em relação
aos negros e ao continente africano. Tendo em vista o descaso em relação à História da África
e a forma estereotipada na qual o cinema e os meios de comunicação divulgaram e divulgam
as imagens em relação ao continente, apresentamos o genocídio de 1994 não apenas como um
“conflito tribal”, mas como uma parte resultante de um longo processo histórico que aponta,
em última instância, o papel nefasto da intervenção européia colonial e neocolonial.

domingo, setembro 02, 2007

Enturmação

A reorganização das turmas das escolas estaduais, proposta pela secretária da educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu, é um fenômeno material social instantâneo, que tem, no seu conteúdo, um referencial teórico evidente: o neoliberalismo que ganha braços nas políticas públicas de estado. Quero dizer com isso que, se esse fenômeno não for analisado, compreendido e enfrentado urgentemente, as medidas entrarão em prática de modo ainda mais drástico.

A enturmação, como está sendo chamada a mudança que pretende fazer o governo, pode ser pensada por dois aspectos fundamentais. O pedagógico-filosófico e o político-social-econômico, estes todos relacionados. A argumentação do governo, ao justificar essa medida no campo pedagógico, é a de que a interação hoje representa o alicerce da aprendizagem, e que a relação aluno-aluno é mais relevante que qualquer outra. A interação aí vista claramente de modo quantitativo, e as relações como processo que abrange toda e qualquer atividade, pois com 40 alunos em aula é impossível a organização de um núcleo mínimo de atividades orientadas.

O segundo aspecto é mais abrangente, pode ser entendido como uma empreitada estatal de corte de custos e de enfraquecimento da formação e da consciência de classe, não só da categoria do magistério, mas também das camadas populares que freqüentam e precisam da escola pública. O neoliberalismo como ideologia hegemônica, tenta fazer com que medidas como essas apareçam como únicas alternativas para os problemas postos, ou como resoluções naturais para melhorias necessárias. Para que isso aconteça, são necessários mecanismos de legitimação dessa ideologia, como a invisibilidade que os meios de comunicação promovem sobre a questão e o escasso debate no interior das comunidades e nas escolas. A alegação de que irão diminuir os gastos do Estado acomoda e convence a opinião pública.

A determinação de reorganizar o quadro das turmas visa utilizar melhor os recursos públicos da União e do Estado para a manutenção das escolas. Também estabelece um novo padrão de gestão de recursos humanos, com vistas à melhoria dos desempenhos de aprendizagem nas escolas gaúchas. (http://www.estado.rs.gov.br/index.php).

Esse trecho está no site oficial do Governo do Estado e mostra como é precária a argumentação teórica que essas medidas carregam.

Além da distorção da realidade feita no âmbito superestrutural, existe, nesse caso de que estamos tratando, uma questão prática do cotidiano de trabalho, há um tipo de terrorismo de gestão. Em todos os cantos do RS, ocorrem movimentos de desestabilização de qualquer grupo escolar de vanguarda. Escolas em que seus professores e funcionários resistem em adotar medidas autoritariamente impostas, onde são organizados politicamente, têm uma consolidada articulação de formação e desenvolvem uma consciência de classe, estas sofrem intervenções diretas, com transferência de professores de escolas e de área, trocas de horários e professores/as contratados são lembrados quase que, pessoalmente, da sua condição de trabalho, entre outras ações e ameaças.

Esse é um dos meios usados, o que estamos discutindo nesse texto, mas a gestão pública do governo do estado promove, linearmente, a política neoliberal de estado mínimo e de sucateamento dos bens públicos em todas as esferas da estrutura estatal. Podemos citar, literalmente, onde isso está ocorrendo, para não parecer que estamos fazendo um discurso vazio: aproximadamente 10% dos servidores da área administrativa da Emater (226 trabalhadores) serão demitidos, confirmou o governo do estado. A Procergs está em processo de desmanche, equipamentos estão sendo desinstalados e o trabalho está cada vez mais escasso, com isso a iniciativa privada vai ocupando seu espaço. O governo está parcelando o salário do funcionalismo há meses. A UERGS deixou de fazer vestibular em várias unidades. Eis alguns exemplos do que vem ocorrendo no estado do Rio Grande do Sul!

Essas ações de gestão pública, sabemos que estão imersas em um estado burguês que se caracteriza pela luta de classes e pela orientação da lógica do capital, porém ao governar, pode-se, ainda que com muitas dificuldades, fazer-se uma opção. Ou se fortalece a hegemonia neoliberal de valores capitalistas e de livre mercado, ou se vai de encontro a essa orientação. Nosso país e estado são pratos fartos para iniciativa privada seguir seu caminho de lucros cada vez maiores, enquanto o trabalhador e a massa pobre brasileira enfrentam fortes ‘cortes de despesas’.

Gregório Grisa

Roma


Roma é um filme sensível e forte. Diálogos interessantes e inteligentes.
Vale a pena!

Ano de Lançamento: 2007
Direção: Adolfo Aristarain
Atores/Artistas: José Sacristan, Juan Diego Botto, Susú Pecorato
País/Ano de Produção: Espanha - 2006
Duração: 148 Minutos

sábado, setembro 01, 2007

Com totalite

Na brisa leva, pesa, reza.
Saliva, lisa...
Névoa cinza, dois lobos
Passos largos, socorro!
Tarda as salas, ateu
corredor, museu...
No chão, último sentido
grave, vagão
Som...

Lareira

Tenho duas versões,
uma que sente,
outra que pensa.
Tenho duas paixões,
teus recantos e
teus diálogos;
Tenho duas razões,
Jamais separar essas partes
e seguir vivendo delas.

(12/06/07)

De volta para o futuro!