sábado, fevereiro 25, 2012
Entre essa canção
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Para onde irão os indignados e os “occupiers”?
Leonardo Boff
Filósofo Uma das mesas de debates importante no Forum Social Temático em Porto Alegre, da qual me coube participar, foi escutar os testemunhos vivos dos Indignados da Espanha, de Londres, do Egito e dos USA. O que me deixou muito impressionado foi a seriedade dos discursos, longe do viés anárquico dos anos 60 do século passado com suas muitas “parolle”. O tema central era “democracia já”. Revindicava-se uma outra democracia, bem diferente desta a que estamos acostumados, que é mais farsa do que realidade. Querem uma democracia que se constrói a partir da rua e das praças, o lugar do poder originário. Uma democracia que vem de baixo, articulada organicamente com o povo, transparente em seus procedimentos e não mais corroída pela corrupção. Esta democracia, de saida, se caracteriza por vincular justiça social com justiça ecológica. Curiosamente, os indignados, os “occupiers” e os da Primavera Árabe não se remeteram ao clássico discurso das esquerdas, nem sequer aos sonhos das várias edições do Forum Social Mundial. Encontramo-nos num outro tempo e surgiu uma nova sensibilidade. Postula-se outro modo de ser cidadão, incluindo poderosamente as mulheres antes feitas invisíveis, cidadãos com direitos, com participação, com relações horizontais e transversais facilitadas pelas redes sociais, pelo celular, pelo twitter e pelos facebooks. Temos a ver com uma verdadeira revolução. Antes as relações se organizavam de forma vertical, de cima para baixo. Agora é de forma horizontal, para os lados, na imediatez da comunicação à velocidade da luz. Este modo representa o tempo novo que estamos vivendo, da informação, da descoberta do valor da subjetividade, não aquela da modernidade, encapsulada em si mesma, mas da subjetividade relacional, da emergência de uma consciência de espécie que se descobre dentro da mesma e única Casa Comum, Casa, em chamas ou ruindo pela excessiva pilhagem praticada pelo nosso sistema de produção e consumo. Essa sensibilidade não tolera mais os métodos do sistema de superar a crise econômica e derivadas, sanando os bancos com o dinheiro dos cidadãos, impondo severa austeridade fiscal, a desmontagem da seguridade social, o achatamento dos salários, o corte dos investimentos no pressuposto ilusório de que desta forma se reconquista a confiança dos mercados e se reanima a economia. Tal concepção é feita dogma e ai se ouve o estúpido bordão:“TINA: there is no alternative”, não há alternativa. Os sacrílegos sumos sacerdotes da trindade nada santa do FMI, da União Européia e do Banco Central Europeu deram um golpe financeiro na Grécia e na Itália e puseram lá seus acólitos como gestores da crise, sem passar pelo rito democrático. Tudo é visto e decidido pela ótica exclusiva do econômico, rebaixando o social e o sofrimento coletivo desnecessário, o desespero das famílias e a indignação dos jovens por não conseguirem trabalho. Tudo pode desembocar numa crise com consequências dramáticas. Paul Krugmann, prêmio Nobel de economia, passou uns dias na Islândia para estudar a forma como esse pequeno pais ártico saiu de sua crise avassaladora. Seguiram o caminho correto que outros deveriam também ter seguido: deixaram os bancos quebrar, puseram na cadeia os banqueiros e especuladores que praticaram falcatruas, reescreveram a constituição, garantiram a seguridade social para evitar uma derrocada generalizada e conseguiram criar empregos. Consequência: o pais saiu do atoleiro e é um dos que mais cresce nos paises nórticos. O caminho islandês foi silenciado pela midia mundial de temor de que servisse de exemplo para os demais países. E a assim a carruagem, com medidas equivocadas mas coerentes com o sistema, corre célere rumo a um precipício. Contra esse curso previsível se opõem os indignados. Querem um outro mundo mais amigo da vida e respeitoso da natureza. Talvez a Islândia servirá de inspiração. Para onde irão? Quem sabe? Seguramente não na direção dos modelos do passado, já exauridos. Irão na direção daquilo que falava Paulo Freire “do inédito viável” que nascerá desse novo imaginário. Ele se expressa, sem violência, dentro de um espírito democrático-participativo, com muito diálogo e trocas enriquecedoras. De todas as formas o mundo nunca será como antes, muito menos como os capitalistas gostariam que ficasse. |
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Venha sempre
bate o pé fica a vontade
faz o sinal pra santa
e me conta as novidades
Vou pedir uma bebida
pra molhar nossa palavra
esquecer a tal ferida
que a tempos não fechava
Como é bom te ver por perto
a saudade se lembrou
que o futuro é tão modesto
pra quem não o inventou
Leva tudo que te derem
as mudas, o pão e o alecrim
deixa de lado o que te fere
a porta eu abro venha sempre venha sim
E quando sentires falta
de um colo ou de um afago
que meu caminho seja pauta
da tua trilha ao meu abraço
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
O Deus de Spinoza
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti!
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa...
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti!
Pára de me culpar da tua vida miserável!
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim...
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro Amor!
Pára de me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei.
Essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora!
E a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse!
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir!
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não...
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste!...
Do que mais gostaste?
O que aprendeste?
Pára de crer em mim!
Crer é supor, adivinhar, imaginar...
Eu não quero que acredites em mim.
Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar!
Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo!
Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas!
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro...
Aí é que estou, batendo em ti”.
(Baruch Spinoza)
As sábias palavras são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677.
Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna
segunda-feira, janeiro 30, 2012
“2012 o primeiro ano realmente com cotas na UFRGS”
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Vida virtual
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Adeus doloroso
domingo, janeiro 08, 2012
Pois é
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Oportunidades das festas de fim de ano
terça-feira, dezembro 27, 2011
Lições de fim de ano
sábado, dezembro 17, 2011
Terceira Carta às Esquerdas
segunda-feira, dezembro 05, 2011
quarta-feira, novembro 16, 2011
A teoria em evolução Darwin Estava Errado? Não. Os indícios da evolução são inegáveis.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Farroupilhas e a Liberdade
Todo dia 14 de novembro eu penso no massacre de Porongos,
acontecido em 1844, no final da "gloriosa" Revolução(?) Farroupilha, quando, por
simples coincidência, tropas imperiais caíram justo sobre o acampamento dos
negros a serviço dos farrapos e os assassinaram. O acampamento dos brancos teve
mais sorte. Na véspera da chacina, o comandante farrapo Davi Canabarro recebeu
um aviso por um emissário da irmã do general Neto, fazendeira na região, de que
os imperiais estavam na área. Canabarro saiu-se com uma bravata: "O Moringue
sentindo a minha catinga aqui não vem. Marche para a sua casa e não ande
espalhando esta notícia aterradora aqui no acampamento". Não bastasse, mandou
desarmar a infantaria, tirando-lhe o cartuchame. Está tudo documentado. Faço uma
minuciosa análise de tudo o que aconteceu em meu livro, odiado por muitos, que
prometeram até me capar, "História Regional da Infâmia, o Destino dos Negros
Farrapos e Outras Iniquidades Brasileiras".
Não falo disso para fazer autopropaganda. Não é preciso. O livro vende muito bem. Falo para homenagear os negros que foram sacaneados. Eram, na maioria, escravos dos imperiais cooptados pelos farroupilhas com a promessa de liberdade em caso de vitória. Tornaram-se, porém, um obstáculo para a paz, pois seus donos exigiam que fossem devolvidos. O providencial ataque aos negros desarmados em Porongos eliminou uma parte considerável do problema. Aqueles que escaparam foram entregues a Caxias e enviados para o Rio de Janeiro, onde se tornaram escravos da Nação, depositados no Arsenal da Marinha. Existe também a famosa carta assinada por Caxias que dá conta de uma combinação com Canabarro, que acabou fugindo só de cuecas, para eliminar os negros. A carta teria sido assinada depois dos fatos. Um caso único. Assinatura verdadeira, conteúdo falso. Uma linda fábula farroupilha. Malabarismos são feitos para justificar Caxias e Canabarro, que morreram mudos sobre o assunto. Tenta-se explicar a retirada do cartuchame. Tudo lógico demais para ser verdadeiro. Os negros foram rifados em Porongos. Lanceiros e infantes negros morreram para que um acerto entre os fazendeiros brancos e o Império se concretizasse. Tentou-se apagar previamente a imagem futura de traição dos farrapos aos negros, com a entrega deles aos imperiais, com uma traição ainda maior, a entrega das suas vidas ao inimigo que se sabia próximo e pronto para atacar. Eu li tudo. Não me contaram. Não venham com "subsídios". Eu analisei como ninguém todo o processo e provei que os negros foram levados para o Rio de Janeiro, não para a Fazenda Santa Cruz como se dizia, quando não se negava isso, mas para o Arsenal da Marinha. Provei também que a revolução louvada como abolicionista vendeu negros no Uruguai para se financiar. Por isso, todo ano, em novembro, eu penso naqueles bravos negros massacrados em função de uma esperteza dos nossos "heróis". Aquilo foi malandragem e covardia. Não me venham com "eram os valores da época". A infâmia é intemporal e universal. Os negros sabiam muito bem disso. Juremir Machado da Silva |
quarta-feira, novembro 02, 2011
Sobre educação, racismo e miséria
Douglas Belchior
sexta-feira, outubro 28, 2011
Mais de nós
domingo, outubro 23, 2011
A memória
A memória é tecido
enredo de juízo
onde se encontram
manhãs dominicais
e objetivos universais
A memória é costura
de registro e previsão
por vezes um decide
e o outro não
A memória é o enlace
em que se atam
a ilusão do ser para sempre
às lembranças que para sempre serão
A memória é tear
máquina de sonhar e recordar
os dois fios do nó
que é viver e amar
Gregório Grisa
sexta-feira, outubro 21, 2011
Palavra povo
Não existe amor em SP
Um labirinto mistico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus
domingo, outubro 16, 2011
Sobre as mobilizações mundiais

O dia 15 de outubro de 2011 ficará marcado como dia de grandes manifestações pelo mundo, jovens em sua maioria, reivindicam várias demandas e clamam pelo que chamam de uma democracia real. Tendo como exemplo o movimento de Porto Alegre, do qual participei, fica evidente que algo novo está nascendo. Novo no sentido de agregar forças políticas diferentes e setores da sociedade que até então pareciam estar mais para ver a banda passar do que para tocar na banda.
As mobilizações nos países árabes e principalmente na Europa (Espanha, Portugal e Grécia) e nos EUA em Wall street parecem que deram o aval para que a juventude de classe média alta brasileira fosse para a rua e perdesse o temor de levantar uma faixa com tema político. Mesmo com demandas genéricas ou muito focalizadas esse movimento que se diz suprapartidário, embora coordenado e organizado por bases de partidos, traz consigo o aspecto inovador de ser algo minimamente unificado honra o nome do movimento que é “Juntos!”.
Nas falas e debates se faz menção direta aos grandes problemas mundiais, aos limites que o capitalismo e as formas de democracia de baixa intensidade vêm impondo ao nosso modo de organizar a política e a vida. Isso cumpre um papel formativo e pedagógico importante, tendo em vista que a juventude com a qual me deparei na praça não é a que cresceu ouvindo um discurso crítico socialista e muito menos anarquista como alguns setores desse movimento se reivindicam.
Aqui cabe uma observação, o povo, aqueles quase 60 milhões (levando em conta que temos 30 milhões de carteiras assinadas hoje no Brasil com uma população economicamente ativa de quase 100 milhões) de brasileiros que trabalham na informalidade e que dependem absolutamente dos serviços públicos, não esta inserido nesse contexto de mobilizações.
Apesar de sermos o povo enquanto projeto de sociedade e intencionalidade política não podemos ser ingênuos de não perceber que há nessas mobilizações mundiais mais parcelas da pequena burguesia e da classe média do que da classe trabalhadora, entendida aqui nos moldes clássicos para fins didáticos.
Acredito que essas características não retiram a relevância de todo esse processo, é legitimo que todos os grupos sociais se mobilizem e a juventude universitária e em geral vem mostrando que está despertando para algumas ações. Não podemos querer prever qual o resultado prático ou efeito histórico que o movimento “Juntos!” pode promover, mas é necessário olharmos para isso como algo novo sim, aglutinador e que apesar de ser feito basicamente por parcelas das esquerdas pode ter, inclusive por esse perfil agregador, muito a ensinar as esquerdas e os movimentos sociais populares brasileiros.
Um dos vários desafios que esses movimentos reivindicatórios têm, a partir dessas manifestações unificadas, é o de criar mecanismos de comunicação com essa grande parcela da população que não está inserida nesses processos. Não está envolvida por razões variadas e complexas que perpassam a anestesia do consumo que vivemos, os valores que nossa sociedade prioriza e a multiplicidade de experiências vividas pelos grupos sociais.
Isso significa, portanto, que para acessar essa grande parcela de trabalhadores é imperioso fazer a constante disputa do ponto de vista da subjetividade e da ideologia com a grande mídia monopolizada e com as igrejas exploradoras/conservadoras. E ainda há a disputa que deve se dar na objetividade do trabalho informal (sem direitos garantidos) e formal na busca de práticas sociais e econômicas que se orientem por outra lógica da produção material da vida e das relações de trabalho e humanas.
