segunda-feira, fevereiro 06, 2012
O Deus de Spinoza
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti!
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa...
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti!
Pára de me culpar da tua vida miserável!
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim...
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro Amor!
Pára de me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei.
Essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora!
E a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse!
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir!
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não...
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste!...
Do que mais gostaste?
O que aprendeste?
Pára de crer em mim!
Crer é supor, adivinhar, imaginar...
Eu não quero que acredites em mim.
Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar!
Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo!
Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas!
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro...
Aí é que estou, batendo em ti”.
(Baruch Spinoza)
As sábias palavras são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677.
Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna
segunda-feira, janeiro 30, 2012
“2012 o primeiro ano realmente com cotas na UFRGS”
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Vida virtual
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Adeus doloroso
domingo, janeiro 08, 2012
Pois é
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Oportunidades das festas de fim de ano
terça-feira, dezembro 27, 2011
Lições de fim de ano
sábado, dezembro 17, 2011
Terceira Carta às Esquerdas
segunda-feira, dezembro 05, 2011
quarta-feira, novembro 16, 2011
A teoria em evolução Darwin Estava Errado? Não. Os indícios da evolução são inegáveis.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Farroupilhas e a Liberdade
Todo dia 14 de novembro eu penso no massacre de Porongos,
acontecido em 1844, no final da "gloriosa" Revolução(?) Farroupilha, quando, por
simples coincidência, tropas imperiais caíram justo sobre o acampamento dos
negros a serviço dos farrapos e os assassinaram. O acampamento dos brancos teve
mais sorte. Na véspera da chacina, o comandante farrapo Davi Canabarro recebeu
um aviso por um emissário da irmã do general Neto, fazendeira na região, de que
os imperiais estavam na área. Canabarro saiu-se com uma bravata: "O Moringue
sentindo a minha catinga aqui não vem. Marche para a sua casa e não ande
espalhando esta notícia aterradora aqui no acampamento". Não bastasse, mandou
desarmar a infantaria, tirando-lhe o cartuchame. Está tudo documentado. Faço uma
minuciosa análise de tudo o que aconteceu em meu livro, odiado por muitos, que
prometeram até me capar, "História Regional da Infâmia, o Destino dos Negros
Farrapos e Outras Iniquidades Brasileiras".
Não falo disso para fazer autopropaganda. Não é preciso. O livro vende muito bem. Falo para homenagear os negros que foram sacaneados. Eram, na maioria, escravos dos imperiais cooptados pelos farroupilhas com a promessa de liberdade em caso de vitória. Tornaram-se, porém, um obstáculo para a paz, pois seus donos exigiam que fossem devolvidos. O providencial ataque aos negros desarmados em Porongos eliminou uma parte considerável do problema. Aqueles que escaparam foram entregues a Caxias e enviados para o Rio de Janeiro, onde se tornaram escravos da Nação, depositados no Arsenal da Marinha. Existe também a famosa carta assinada por Caxias que dá conta de uma combinação com Canabarro, que acabou fugindo só de cuecas, para eliminar os negros. A carta teria sido assinada depois dos fatos. Um caso único. Assinatura verdadeira, conteúdo falso. Uma linda fábula farroupilha. Malabarismos são feitos para justificar Caxias e Canabarro, que morreram mudos sobre o assunto. Tenta-se explicar a retirada do cartuchame. Tudo lógico demais para ser verdadeiro. Os negros foram rifados em Porongos. Lanceiros e infantes negros morreram para que um acerto entre os fazendeiros brancos e o Império se concretizasse. Tentou-se apagar previamente a imagem futura de traição dos farrapos aos negros, com a entrega deles aos imperiais, com uma traição ainda maior, a entrega das suas vidas ao inimigo que se sabia próximo e pronto para atacar. Eu li tudo. Não me contaram. Não venham com "subsídios". Eu analisei como ninguém todo o processo e provei que os negros foram levados para o Rio de Janeiro, não para a Fazenda Santa Cruz como se dizia, quando não se negava isso, mas para o Arsenal da Marinha. Provei também que a revolução louvada como abolicionista vendeu negros no Uruguai para se financiar. Por isso, todo ano, em novembro, eu penso naqueles bravos negros massacrados em função de uma esperteza dos nossos "heróis". Aquilo foi malandragem e covardia. Não me venham com "eram os valores da época". A infâmia é intemporal e universal. Os negros sabiam muito bem disso. Juremir Machado da Silva |
quarta-feira, novembro 02, 2011
Sobre educação, racismo e miséria
Douglas Belchior
sexta-feira, outubro 28, 2011
Mais de nós
domingo, outubro 23, 2011
A memória
A memória é tecido
enredo de juízo
onde se encontram
manhãs dominicais
e objetivos universais
A memória é costura
de registro e previsão
por vezes um decide
e o outro não
A memória é o enlace
em que se atam
a ilusão do ser para sempre
às lembranças que para sempre serão
A memória é tear
máquina de sonhar e recordar
os dois fios do nó
que é viver e amar
Gregório Grisa
sexta-feira, outubro 21, 2011
Palavra povo
Não existe amor em SP
Um labirinto mistico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus
domingo, outubro 16, 2011
Sobre as mobilizações mundiais

O dia 15 de outubro de 2011 ficará marcado como dia de grandes manifestações pelo mundo, jovens em sua maioria, reivindicam várias demandas e clamam pelo que chamam de uma democracia real. Tendo como exemplo o movimento de Porto Alegre, do qual participei, fica evidente que algo novo está nascendo. Novo no sentido de agregar forças políticas diferentes e setores da sociedade que até então pareciam estar mais para ver a banda passar do que para tocar na banda.
As mobilizações nos países árabes e principalmente na Europa (Espanha, Portugal e Grécia) e nos EUA em Wall street parecem que deram o aval para que a juventude de classe média alta brasileira fosse para a rua e perdesse o temor de levantar uma faixa com tema político. Mesmo com demandas genéricas ou muito focalizadas esse movimento que se diz suprapartidário, embora coordenado e organizado por bases de partidos, traz consigo o aspecto inovador de ser algo minimamente unificado honra o nome do movimento que é “Juntos!”.
Nas falas e debates se faz menção direta aos grandes problemas mundiais, aos limites que o capitalismo e as formas de democracia de baixa intensidade vêm impondo ao nosso modo de organizar a política e a vida. Isso cumpre um papel formativo e pedagógico importante, tendo em vista que a juventude com a qual me deparei na praça não é a que cresceu ouvindo um discurso crítico socialista e muito menos anarquista como alguns setores desse movimento se reivindicam.
Aqui cabe uma observação, o povo, aqueles quase 60 milhões (levando em conta que temos 30 milhões de carteiras assinadas hoje no Brasil com uma população economicamente ativa de quase 100 milhões) de brasileiros que trabalham na informalidade e que dependem absolutamente dos serviços públicos, não esta inserido nesse contexto de mobilizações.
Apesar de sermos o povo enquanto projeto de sociedade e intencionalidade política não podemos ser ingênuos de não perceber que há nessas mobilizações mundiais mais parcelas da pequena burguesia e da classe média do que da classe trabalhadora, entendida aqui nos moldes clássicos para fins didáticos.
Acredito que essas características não retiram a relevância de todo esse processo, é legitimo que todos os grupos sociais se mobilizem e a juventude universitária e em geral vem mostrando que está despertando para algumas ações. Não podemos querer prever qual o resultado prático ou efeito histórico que o movimento “Juntos!” pode promover, mas é necessário olharmos para isso como algo novo sim, aglutinador e que apesar de ser feito basicamente por parcelas das esquerdas pode ter, inclusive por esse perfil agregador, muito a ensinar as esquerdas e os movimentos sociais populares brasileiros.
Um dos vários desafios que esses movimentos reivindicatórios têm, a partir dessas manifestações unificadas, é o de criar mecanismos de comunicação com essa grande parcela da população que não está inserida nesses processos. Não está envolvida por razões variadas e complexas que perpassam a anestesia do consumo que vivemos, os valores que nossa sociedade prioriza e a multiplicidade de experiências vividas pelos grupos sociais.
Isso significa, portanto, que para acessar essa grande parcela de trabalhadores é imperioso fazer a constante disputa do ponto de vista da subjetividade e da ideologia com a grande mídia monopolizada e com as igrejas exploradoras/conservadoras. E ainda há a disputa que deve se dar na objetividade do trabalho informal (sem direitos garantidos) e formal na busca de práticas sociais e econômicas que se orientem por outra lógica da produção material da vida e das relações de trabalho e humanas.
terça-feira, outubro 11, 2011
Flor da estação
Tarde de lembrar o que tem pra esquecer
Vontade de saber de vez
Noite de pensar no sonho a escolher
Luar pra iluminar vocês
Eles são um par de unir e separar
Se fosse só contar até três
Pode ser que não, histórias vem e vão;
Mas pode ser que sim, um ainda guarda o outro ali.
Domingo de sentir a paz que pode vir
Garoa pra molhar a mão
Sol pra esquentar o presente a se dar
Uma flor da estação
Em – A – D – F# - G – D – A
Refrão: Bm – F#m – G – A – Bb ° - Em
domingo, outubro 09, 2011
Che Guevara e os mortos que nunca morrem
Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia. Assim seria ele hoje. Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che. E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais.
sexta-feira, outubro 07, 2011
sábado, outubro 01, 2011
Detalhes do processo educativo
quarta-feira, setembro 28, 2011
Fatos em foco
28/09/2011
Hamilton Octavio de Souza
Evasão crescente
O grande problema de facilitar a vinda do capital estrangeiro para o Brasil é que a evasão da riqueza gerada aqui, com o suor dos trabalhadores brasileiros, não para de crescer. Em agosto, a remessa de lucros das transnacionais instaladas aqui chegou a 5,1 bilhões de dólares, 180% superior à remessa do mês anterior. É o recorde registrado pelo Banco Central em mais de 60 anos. Por que não existe exigência de investimento no Brasil?
Devastação
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, dia 21, versão piorada da reforma do Código Florestal. Em nota, o movimento Greenpeace denunciou a manobra ao afirmar que “os senadores empurraram para frente um Código Florestal que desprotege as florestas”. Por sua vez, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil decidiu engrossar a defesa das florestas em campanha junto aos fiéis. A luta continua!
Luta operária
O Sindicato dos Químicos, que representa uma das maiores categorias profissionais de São Paulo, aprova dia 30 a pauta da campanha salarial deste ano, que inclui reposição da inflação mais 6% de aumento real, piso de R$1.200, participação nos lucros, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e fim das dispensas imotivadas – nos termos da Convenção 158, da OIT, que é de 1982 e ainda não vigora no Brasil.
Pura retórica
Assim como os políticos e governantes dos Estados Unidos e Europa falam em aumentar os impostos dos ricos para conter os estragos da crise econômica, aqui no Brasil alguns parlamentares adotaram o mesmo discurso para captar recursos destinados ao falido sistema público de saúde. Só falta mesmo alguma iniciativa séria para transformar o discurso em medidas concretas. Quem tem coragem?
Vulnerabilidade
A mais séria pesquisa realizada no Brasil sobre tecnologias da informação e da comunicação, publicada em 2011, constata que 74% dos usuários da Internet na faixa dos 10 aos 15 anos de idade participam de sites de relacionamento, 69% tem ao menos um amigo virtual, 12% já namoraram pela rede, 11% já divulgaram fotos íntimas e 33% sabem de amigos que sofreram cyberbullying. Como promover os direitos de crianças e adolescentes no ciberespaço?
Empulhação
A aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que cria a Comissão da Verdade, piorado pelas concessões do PT ao DEM e ao PSDB, está sendo muito criticada por entidades de direitos humanos e familiares das vítimas da ditadura civil-militar (1964-1985). Todos pedem que o Senado realize várias mudanças no texto para assegurar a apuração efetiva dos crimes praticados pelo Estado. Será que o Senado vai sair do acordão?
Ação paramilitar
A Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, do Rio de Janeiro, está mobilizando apoio em todo o país para denunciar as ameaças e atentados contra a militante dos direitos humanos Márcia Honorato, que há vários anos é perseguida por policiais e milicianos e, recentemente, quase foi atropelada, próximo da Central do Brasil, por um carro ocupado por homens encapuzados. A segurança da Márcia depende das autoridades!
Solidariedade já!
A greve dos professores públicos de Minas Gerais é legal, justa e legítima. Eles defendem o piso salarial nacional e a dignidade da categoria. Estão sofrendo ameaças do governo tucano, de chefetes capachos, do Tribunal de Justiça do Estado e da mídia conservadora. Precisam da solidariedade nacional dos trabalhadores e de todos os cidadãos e cidadãs que defendem uma educação pública de qualidade. Chega de enganação!
Correção
Na coluna anterior informei erradamente que um programa da Rede Bandeirantes – sobre prostituição infantil – não teria ido ao ar por veto da direção da emissora. Na verdade, o programa acabou indo ao ar com alterações feitas a pedido de diretores da Band, que estavam receosos de que o impacto do programa pudesse prejudicar negócios da emissora na cidade do Recife. A censura, mesmo pequena, existiu.
Coluna originalmente publicada na edição impressa 446 do Brasil de Fato
sexta-feira, setembro 23, 2011
10% do PIB para a educação já!
Tomar as ruas, lutar por direitos, assumir bandeiras coletivas, eis a função social real de nos movermos todos pela educação.
Por Roberta Traspadini
Fonte: Brasil de Fato
1. A educação pede socorro:
O orçamento geral da União de 2010 foi de R$1,4 trilhão de reais. Este valor é dividido, como gasto público, com base nas prioridades do Governo Federal. Foram destinados R$635 bilhões (44,93%) do total do orçamento a pagamentos de juros e amortizações das dívidas do Governo Federal, enquanto a educação recebeu somente 2,89% do valor total.
Neste processo de priorizar o pagamento das dívidas e o financiamento de projetos do capital, crescem as iniciativas sociais de “recuperação da educação pública brasileira”, protagonizadas pelas organizações sem fins lucrativos (ONG´s).
Amigos da Escola e Todos pela Educação são exemplos da lógica dominante de aparente socorro do público pelo privado, que mascara a condução política dos recursos públicos pelo grande capital.
O projeto Todos pela educação criado em 2006, traça 5 metas para o período de 2006-2022 que, segundo seus porta-vozes, deverão reverter o quadro de dependência e sujeição histórica da fração mais pobre da sociedade brasileira.
As metas são: 1) Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola; 2) Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos; 3) Todo aluno com aprendizado adequado à sua série; 4) Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos; 5) Investimento em Educação ampliado e bem gerido.
Entre os patrocinadores do projeto estão: Santander, Dpaschoal, institutos Unibanco, HSBC, Camargo Correa, Odebrecht, Itaú Social, Gerdau, Fundações Bradesco, Suzano papel e celulose. A Rede Globo entra como parceira e Amigos da Escola e Microsoft, apoiadores.
Estas pessoas jurídicas acima são o corpo social do grande capital, cuja razão real de ser, é desconhecida por grande parte da sociedade brasileira. O que caracteriza a responsabilidade social? Quanto uma fundação que executa atividades como estas, pode isentar-se de parte dos impostos devidos sobre sua base de lucros no ano corrente?
Também chama a atenção no site Amigos da Escola a concepção de trabalho voluntário, a partir da consciência individual sobre a participação para um futuro inclusivo para fração da sociedade.
Em nenhum destes programas o problema central da educação nos remete ao processo político dos gastos públicos brasileiros que transforma o essencial em periférico, como é o caso da educação.
Estes projetos contam com todos os recursos para propagandear suas verdades, uma vez que consolidam a concepção do voluntário cidadão que está servindo ao futuro da Nação, ao destinar seu tempo e coração a estas ações.
Os trabalhadores voluntários merecem nossa atenção, dada a disputa que necessitamos realizar. Mas os que convocam, são usurpadores do tempo, do trabalho, da cidadania participativa concreta.
2. Luta pela educação como direito:
O que estes projetos ocultam, na faceta de amigos e todos pela escola, é a real necessidade do direito democrático e popular do povo brasileiro de exigir e lutar por/pela:
- uma educação pública de qualidade com o compromisso do Estado de cumprir com sua função republicana de destinar uma verba compatível com aquilo que recebe de impostos de sua sociedade. 10% do PIB para a educação já.
- condições dignas de trabalho e de remuneração para os educadores e funcionários públicos da educação, que têm atuado, a partir dos salários que recebem como voluntários pela justiça social.
- garantia de acesso-permanência da criança e do jovem na escola e de uma aprendizagem de saberes múltiplos que remetam o papel essencial da escola na vida destes sujeitos. A escola como espaço fomentador de beleza e cultivo, próprio para gerar algo para além de seus muros: a realização dos sonhos potencializada pela educação pública de qualidade.
- realização de uma alimentação escolar digna. Na atualidade, tanto as crianças como as merendas são tratadas como recursos em disputa a serem barateados.
- conformação de um serviço público prioritário, em que não se terceirizem funções estratégicas do cuidar, como a limpeza, a segurança e a manutenção geral do ambiente escolar.
3. Sujeitos de direitos x amigos da escola:
Agiremos em prol da educação como cidadãos se deixarmos de sermos amigos e passarmos à condição de sujeitos de direitos e deveres em pé de igualdade. Isto requer ver a escola não a partir do que cada um possa dar, mas pela instituição do caráter legítimo e legal de que todos devem ter acesso à educação de qualidade, como direito.
Tomar as ruas, lutar por direitos, assumir bandeiras coletivas, eis a função social real de nos movermos todos pela educação.
Gerar um antivalor à educação projetada pelo capital, associado à governança pública, cuja ação é a de substituir direito por benevolência, recursos públicos por trabalho voluntário, consciência de classe por doação individual de seus saberes.
A movimentação social da educação mineira, há mais de 100 dias em greve, nos dá ares reais da necessidade de reversão do histórico quadro de precarização da educação pública. Mexeu com o professor, mexeu conosco em qualquer parte do País e do mundo!
A escola pública brasileira não necessita de amigos. Necessita de políticas públicas que consolidem direitos e garantam a prioridade na formação da infância e da juventude. Há um projeto em disputa. É necessário que compremos a briga, que declaremos nossas diferenças, que instituamos nossas verdades frente à fantasia organizada pelo grande capital.
quarta-feira, setembro 21, 2011
Quarto de dormir
e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for
bem abraçada no lençol da cama vai chorar por nós
pensando no escuro ter ouvido o som da minha voz
vai acariciar seu próprio corpo e na imaginação
fazer de conta que a sua agora é a minha mão
mas eu não vou saber de nada do que você vai sentir
sozinha no seu quarto de dormir
no cine-pensamento eu também tento reconstituir
as coisas que um dia você disse pra me seduzir
enquanto na janela espero a chuva que não quer cair
o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir
e o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si
até toda memória dessa nossa estória se extinguir
e você nunca vai saber de nada do que eu senti
sozinho no meu quarto de dormir
